Arquivos diarios: 21/09/2021

RAWLS (A CORRIDA POLA COMPETIÇÓN SOCIAL)

Unha vez garantída a proteçón da liberdade pessoal, preocupar-se-án com o facto de todos terem igualdade de oportunidades para levarem a cabo a vida que desexarem, polo menos que ninguém parta com priviléxios decisivos para ultrapassar os outros na corrida pola competiçón social, ou sexa, para chegar aos cargos sociais mais relevantes e limitados. Além de igualdade de oportunidades, também ván querer estar a salvo das penúrias da pobreza para o caso de descobrirem, ao retirarem o “véu”, que som eles os pobres. Inicialmente, talvez pensem que os recursos económicos se deviam distribuir sempre com igualdade, e non apenas no início do périplo vital. Dessa forma, assegurar-se-iam de que ninguém está melhor do que os outros em nenhum caso. Contudo segundo Rawls, os indivíduos apercebem-se rapidamente que há unha opçón melhor para os seus próprios interesses: permitir que os mais talentosos obtenham mais lucros se isso contribuir para que os que ganham menos sexam menos pobres do que seriam em condiçóns de igualdade económica. Afinal de contas, unha pessoa egoísta prefere sempre ter mais recursos económicos do que menos, independentemente do que os outros tenham, a non ser que sexa invexosa, além de racional. Mas a invexa, afirma Rawls, non debia fundar unha teoría da xustiça e, portanto, o “véu de ignorância” cobre também, oportunamente, os invexosos, para que a invexa non afete a escolha dos princípios de xustiça. Poder-se-ia pensar que nem todas as pessoas som tán prudentes e que muitas preferirám arriscar, por exemplo, favorecendo princípios que deem mais vantáxens aos ricos. Como na lotaria, talvez algunhas pessoas optem por apostar tudo no número vencedor se o prémio for realmente apetecíbel (por exemplo, ser multimilionário e non apenas ter um salário um pouco melhor do que os outros). Muitos estaríam dispostos a arriscar sem se preocuparem muito com as consequências de perderem. Porém, Rawls acredita que, nunha escolha vital como a dos princípios de xustiça que orientarám permanentemente as instituiçóns sociais, os amantes do risco, moderar-se-án para assegurarem, como os outros, que non sofrerám os piores efeitos de serem os mais desfavorecidos depois de se despoxarem do “véu de ignorância”. Rawls assume que a racionalidade dos membros da “posiçón orixinal” non inclui aspectos psicolóxicos particulares sobre como se enfrentam os riscos. Há, no entanto, unha questón que non debia passar desapercebida: porque é que os membros da “posiçón orixinal”, que desconhecem quem som de um modo particular, pensam, porém, que os talentosos ván pôr os seus talentos a trabalhar “apenas” se ganharem mais do que os outros?

ÁNGEL PUYOL

LITERATURA HISPÂNA (O ROMÂNCE SENTIMENTAL)

Assim como a “novela picaresca” apareceu como um anacronismo diante dos críticos que usavam patróns europeus, as metamorfoses da “novela sentimental” da América Hispâna, haberíam de despistar a mais de um catalogador. Producto do seminal século XVIII, a “novela sentimental” contaminou na Europa inclúso aqueles que deberíam haber tido a mente mais lúcida. Nón somente Samuel Richardson producíu algunha das obras mêstras do xénero (e Sterne a sua magnífica paródia em “Tristram Shandy); Rousseau, Goethe e Chateaubriand encontrarom formas de ventilar o seu sentimentalismo em libros que hoxe parecem mais lacrimóxenos que verdadeiros. A epidemía desatada por estes mêstres, e polos românticos mais novos que os seguem, habería de chegar à América com toda a sua força a partir de 1830. Mas a melhor producçón do xénero, María, 1867, do colombiano Jorge Isaacs (1837- 1895), non se publicaría até passado o meio século. Nésta novela quintaesência-se o elemento idílico (de égloga clássica e renascentista) no qual se basa o xénero, mas como a data de redacçón resulta tardía, Isaacs tivo tempo de depurar a sentimentalidade até torná-la contída e elegante. Em lugar de lacrimóxena, María resulta tríste e sombría, com o peso da fatalidade em cada unha das suas páxinas. A pesar dos anos, e dos câmbios das modas, está considerada a mais lexíbel (ou a única lexíbel) das novelas sentimentais do século XIX na América Hispâna. Unha matizaçón do sentimentalismo que conheceu um êxito extraordinário foi a “indianista”. Como em outros xéneros, a variante tinha sido também anticipada na Europa por Bernardin de Saint-Pierre com a sua “Paul et Virginie” e polo ubicuo Chateaubriand com “Atala”. Parecia inevitábel que ao intentar resgatar o passado indíxena, como xá tinham apontado os precursores do americanismo literário, os româncista hispânoamericanos acudirom ao modelo sentimental da “novela indianista”. Nas máns da peruana Clorinda Matto de Turner (1854 – 1909), autora de “Aves sin nido” (1889), a novela sentimental dexenéra no panflecto indixenista com um vigor que non exclúie o melodrama, de forte presênça na cultura popular. Mas, talvés a mais ambiciosa das novelas “indianistas” sexa “Cumandá” (1879), do peruano Juan León Mera (1832 – 1894). Situada nos começos do século XIX, e com um vago contexto histórico de rebelión de indios que na realidade correspondia ao século anterior, Mera usa outra vez o recurso favorito da novela sentimental de fazer que os namorados sexam irmáns (o “deus ex machina” deste xénero parece ser o incesto), mas o melhor da novela non reside no seu socorrido esquema sentimental, senón no vigor com que se denuncíam os atropelos contra os indíxenas.

RBA EDITORES, S. A. – BARCELONA