Arquivos diarios: 15/09/2021

LITERATURA CASTELÁN (LA RAZÓN DE AMOR)

A “Razón de amor” e os “Denuestos del agua y el vino”. Forom encontrados, estes dous poeminhas num códice da Biblioteca Nacional de París e publicados por Morel-Fatio em 1887; ao final deles figura o nome de Lope de Moros, mas, a xulgar pola fórmula empregada e o lugar da sua colocaçón, parece seguro que se trata non do autor, mas de um mero copista. Os poemas seríam pois, anónimos e supostamente pertencentes a princípios do século XIII. A “Razón de amor”, vinha sendo considerada desde a sua publicaçón, e até ao descubrimento das “jarchas”, como a primeira composiçón lírica que se tinha conservado em castelán. Desde os seus versos iniciais o poema mostra-se-nos enraizado nos refinamentos da lírica provençal ou do “dolce stil novo” dos primeiros poetas toscanos. A personáxe masculina, que se apresenta como um poeta “que siempre dueñas amó”, aparece no meio dum delicado e fermoso xardím cheio de árbores, herbas e flores, na proximidade de unha fonte; é o momento da sésta; o poeta colhe unha flôr e descubre entón unha doncela, que à sua vez tinha preparado um copo de vinho e outro de àgua, resguardados baixo unha sombra, para oferecê-los ao amante. A doncela, que reúne todas as prendas da mais delicada beleza, vem cantando unha “cançón de amigo”; o poeta toma-a da mán, e entablan um diálogo de amor, com mútuas queixas. Quando a xovem se vai, o poeta queda desconsoádo. Unha pomba, que entón aparece, derrama a àgua sobre o vinho e começa com isto a segunda parte, ou o segundo poema independênte; xá que a relaçón entre ambos, tem sido diversamente estimada polos diferêntes comentaristas.

J. L. ALBORG

DESCARTES (A FUNESTA GUERRA DOS TRINTA ANOS)

Após a nomeaçón do novo imperador, e depois de unha breve “paraxem técnica” em Ulm, onde seria assaltado pola sua grande epifania intelectual (“Sonho de unha noite de inverno”), dirixiu-se a Viena para se alistar nas tropas do xá citado Maximiliano. Este poderoso exército encontrava-se em marcha, na direcçón de Praga, como parte da campanha militar católica destinada a despoxar das suas possessóns ao reformista Frederico, eleitor do Palatinado da Boémia, o que constituiría o começo da funesta Guerra dos Trinta Anos. Chegado a Praga, Descartes participou na batalha da Montanha Branca, onde, nunha sangrenta manhám de Novembro de 1620, os vinte mil homes de Maximiliano venceram os quinze mil de Christian de Anhalt, do Palatinado. Embora non tivesse chegado a entrar em combate (supostamente mantívo-se como enxenheiro na retaguarda), Descartes ia no continxente que ocupou a rexión (hoxe checa) da Morávia. Seguíu-se entón unha feroz repressón dos protestantes boémios, que incluíu execuçóns massivas e atrocidades de todos os tipos. Com o catolicismo reinstaurado a ferro e fogo, os xesuítas desembarcarom em tropel para exercerem o control de escolas e universidades. Mas embora fosse o grande império católico (os Áustrias e os seus aliados xermânicos) a ter tomado a iniciativa na guerra, isso foi posteriormente o princípio do seu declínio: as outras potências europeias de ampla populaçón protestante, particularmente a França e a Suécia, observaram os sangrentos acontecimentos e aproveitariam os anos seguintes para estrangular loxística e diplomaticamente o inimigo, que tinha demasiados frentes abertos e se desdobrava ao longo de unha extensón territorial imensa. Pouco depois da sua “missón” em Praga, Descartes partíu para Itália, atravessando a perigosa rexión da Valtellina, unha passaxem estratéxica controlada polos Áustrias que estaba quase a cair nas máns do inimigo. Em Itália, viveu dous anos entre Veneza e Florença, e aproveitou para ir peregrinar a Loreto (lugar sagrado ao qual uns anxos supostamente levaram de Nazaré a casa da Sagrada Família) para, presumivelmente, dar graças pola sua revelaçón em Ulm. Quando regressou de Itália, provavelmente dando por finalizada a sua vida como viaxante (ou espión), tentou sem grande êxito encontrar um lugar como xurista similar ao do seu pai, na sua terra natal. Descartes era um tipo impaciente e, ao ver que os procedimentos se prolongavam, decidiu ficar três anos em Paris, onde permaneceu até 1628.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO