ESPINOSA (O MÉTODO INTUITIVO-PARADOXAL)

Propomos aqui unha pequena experiência para mostrar, de forma evidente, o que Espinosa nos diz sobre a realidade e o ser humano. Trata-se de unha experiência paradoxal, xá que ilustra o pensamento mais racionalista, fundamentado nos conceitos mais abstractos, através do exame de unha experiência visual directa. Ou sexa, recorremos aos sentidos, aos dados sensoriais, para abordar um pensamento caracterizado, precisamente, por lhes negar validade filosófica. O obxectivo é “ver” intuitivamente, captar de imediato, o que Espinosa defende conceptualmente sobre a estructura e a base da realidade, o que, no seu caso, equivale a toda a realidade. É pouco provábel que o próprio Espinosa aprovasse este método como meio para apresentar as suas concepçóns. Non foi em ván, tal como xá referimos, que teve um trabalho enorme para construir um complexo sistema conceptual, um sistema metafísico omniabranxente que non derivava da realidade nem da experiência, pois era xerado matematicamente através de testes xeométricos. Porém, temos de estabelecer unha diferença básica neste ponto. Consideraremos aquí que o método xeométrico espinosista é expositivo ou demonstractivo, non é indagativo. Isto significa que o filósofo parte de unha visón inicial prévia à argumentaçón, e que esta argumentaçón é um meio para expor e transmitir essa visón, mas non a via para a criar. A visón do mundo e da existência está na orixem da filosofia de Espinosa. O momento da argumentaçón é posterior: é imprescindível, é essencial, mas posterior. De acordo com a concepçón de que a visón espinosista é prévia à sua “demonstraçón xeométrica”, é entón possíbel e lexítimo tentarmos aproximar-nos dela por unha via intuitiva, non argumentativa. Nos próximos capítulos, cinxir-nos-emos às suas ideias claramente expressas. Mas para quem quiser perceber de imediato o que Espinosa vai referir sobre o mundo, sobre a existência e sobre si próprio (tanto de Espinosa como do leitor), a seguinte experiência intuitiva poderá ser muito esclarecedora.

JOAN SOLÉ

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