Arquivos diarios: 20/07/2021

FOUCAULT (DISSOLVER O HOME)

A última parte da sua obra foi, sem dúvida, a mais controversa. Supón aí, que se tivesse sido possíbel ter a perspectiva suficiente para caracterizar as regras segundo as quais se articula a “episteme” em que habitamos, sería possíbel assumir razoábelmente, que é por estarmos situados em plena mudança de paradigma que, em algum dos seus extremos, nos daria a distância necessária para ter essa perspectiva. Isto é, podemos ver a nossa “episteme” em perspectiva, porque nos estamos a afastar dela. Foucault dará alguns indícios dessas linhas de fuga que permitem adivinhar unha alteraçón na ordem cognoscitiva. Os dous que causaram mais polémica foram: em primeiro lugar, a forma como vaticina que as ciências humanas verám ultrapassado o seu derradeiro obxecto, o home. Recorde-se que Lévi-Strauss afirmou que a finalidade das ciências humanas debe ser dissolver o home, que debe resolver-se o humano no non humano. Assim, Lévi-Strauss na etnoloxía e Lacan na psicanálise serán reconhecidos como o anúncio de unha mutaçón em curso, pola sua forma de chamar à atençón sobre os códigos inconscientes (culturais e psicoanalíticos) que precedem e possibilitam a consciência humana. A pergunta “o que é o homem” está a começar a dissolver-se em benefício da questón de como funciona. O segundo aspecto polémico terá a ver, de novo, com a literatura. A forma como a literatura, desde Mallarmé, experimenta os limites do ser da linguaxem, está a abrir domínios de experiência linguística das mais diversas ordens, mas nenhum que sexa reduzido a unha manifestaçón da consciência de home. E assim, afirmará Foucault, quando o ser da linguaxem se tornar soberano, o home será evacuado.

MIGUEL MOREY