Arquivos mensuais: Maio 2021

OS TESOUROS DO FEITIÇEIRO

Há um libro segredo do que muitos falan, e poucos conhecem os seus encantos. Estou-me referindo ao “Ciprianilho”, ou sexa o Grande libro de San Cipriano ou Os Tesouros do Feiticeiro. A sua orixe, o mesmo que o nome ou vida do autor, perderam-se na noite bretemosa dos tempos. Sábe-se que xá existia a finais do século XVII, ou inícios do XVIII, e que fora muito perseguido pola Inquisiçón. Como passou com muitos outros libros désta temática. Non todas as ediçóns som iguais, varíam unhas das outras, tanto no conteúdo como na disposiçón e ordenamento das mesmas. O caso mais chamativo, resulta, que em muitos deles, non figura a lista dos tesouros que esconderom os mouros na Galiza. Nada sabemos sobre o seu autor, nem a data da sua vida, nem o lugar onde viveu. O certo é, que tal como chegou até nós, non é obra de um só autor, senón de muitos que ó longo dos séculos, forom incrementando capítulos da sua própria colheita. Mas há algo que cumpre dizer, xá que nos estamos referindo ao “Condado de Salvaterra”, e é que, tanto a lista dos tesouros, como na história de Víctor Siderol (que figura nalgunhas ediçóns ó começo), os topónimos que mais abundam som do sul da província de Pontevedra e sobre tudo, da bisbarra do Condado. Sería daqui o autor? O que non há dúvida, é que conhecia muito bem estas terras, pois pára-se a nomear lugares pequenos de pouca povoaçón, por exemplo: quando Siderol lhe pergunta ao demo polos tesouros, que há ocultos na Galiza, responde-lhe várias vezes; “se alá acaso chegares com vida, pergunta nos lugares que che vou nomear: Rubiós, Outerelo, Taboexa, Lañas, Infesta, Fillaboa, Guillade, Sobroso, Puxeiros, Budiño, Aranza, Guinza, Caritel, Mondin, Fraguedo, Celeiros, Fozara, Borben, Mondariz…” Para dar-lhe maior autenticidade, no capítulo dedicado aos tesouros galegos, enceita-se afirmando que é um resume de um pergaminho encontrado no castelo de D. Gutierre de Altamira (no actual concelho de Brión, non lonxe de Santiago de Compostela), o ano de 1065. O autor do libro afirma que o copiou na Biblioteca Académica Peninsular Catalani, e que estava na estânte nº 76 A. Vindo despois a seguinte aclaraçón: “Todos os tesouros e encantamentos do antigo Reino da Galiza, achan-se ocultados polos mouros e romanos em esconderixos baixo terra…” Suponho que, haberá algúns que se rirán do conteúdo do “Ciprianilho”, mas o que sí cadra non sabem, é que non muito lonxe de Pontareas, houbo quem guiândo-se por el se dedicou a remover terra e mais terra, e que também se tem desfeito algunha torre e fachada de igrexa. Ainda a começos deste século, baixo o pretexto de que alí había algo, um grande tesouro. Como é normal, o amigo leitor quererá conhecer os lugares, onde se afirma que existem grandes tesouros agachados polos romanos, ou mouros fai centos de anos. O de acreditar se isto é certo ou non depende da pessoa, o que sí lhes pido, é que non faga como aquel Xán de Deza, do qual fala Curros Enríquez, que se arruinou para mercar o libro em Castela e passar meia vida à procura de encontrar tesouros. Estes som, pois, algúns dos lugares onde se afirma há cousas de valor: Portela (actualmente Vilasobroso), Lougares, Mondariz, Prado, Sobroso, Confurco (lugar de Xinzo), Corzáns, Uma, Pías, Celeiros, Guillade, Gargamala, Cumiar, Fozara, Guláns, Lira, Canedo, Moreira… Ainda que aquí nos limitemos a dar somênte o topónimo das localidades, no “Ciprianillo” detálha-se onde se atopa o tesouro, o seu conteúdo e valor e, nalgúns casos inclúso a sua procedência: “Em Uma, onde se cruzan os dous caminhos principais de carro, está a quatro homes de profundidade, o tesouro da Rainha mulher de Bampo II”. Rematamos, com versos de Curros Enríquez, que é o melhor que se pode dizer ou falar deste libro máxico, perseguído e cobiçado durante centos de anos por muitos sonhadores:

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Entre as follas revesgadas

dese libro danse señas

de tesouros

e riquezas enterradas

pé dos ríos e das brañas

polos mouros.

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Probe Xán, qué desengaño!

Cántas terras rexistrache

cos teus ollos,

rexistráchelas en vano:

o tesouro que atopache

foi de piollos!

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CLÓDIO GONZÁLEZ PÉREZ (Publicado em A Peneira – Ano I 1984)

O UNIVERSO DA CULTURA ERGUE-SE SOBRE DETERMINAÇÓNS ESTRUCTURAIS.

O propriamente linguístico da língua é de carácter sincrónico. O “sincrónico”, isto é, o simultâneo no tempo, opôn-se ao “diacrónico”, o sucessivo no tempo. Os signos som arbitrários, e o único que conta, linguisticamente falando, é o feixe de oposiçóns em que cada signo coexiste com os demais. Em cada caso, o corte “sincrónico” é o mais relevante de um ponto de vista linguístico, tal como acontece no xadrez, em que é sempre inteiramente indiferente o processo polo qual se chegou ao estado actual do xogo, de maneira que “quem seguíu a partida non tem vantaxem sobre o curioso que vem ver o estado do xogo no momento crítico: para descreber essa posiçón é completamente inútil recordar o que acabou de acontecer dez segundos antes.” Todas estas consideraçóns tornavam factível a tentativa de construir um “modelo” que funcionasse como um sistema em que os elementos se definissem inteiramente entre si, um modelo que, portanto, deberia ser capaz de nos informar sobre o que, no caso de modificar um elemento, debería ocorrer com todos os restantes. Seria absurdo pretender que dessa forma teríamos dito tudo o que há para dizer sobre os fenómenos linguísticos; mas, sem dúvida, teríamos isolado “algo” da língua, precisamente aquilo que poderíamos considerar, de futuro, a sua “estructura”. Ora, para além da linguaxem, será impossíbel encontrar algum outro fenómeno “social” susceptíbel do mesmo tratamento? Mas a pergunta também podería ser: para além da língua, non haverá, no âmbito dos fenómenos sociais, muitas outras cousas que sexam ou funcionem como unha linguaxem? Non encontraremos um fenómeno parecido onde quer que se possa falar em xeral de comunicaçón? Lévi-Strauss conseguiu aplicar esta perspectiva estructuralista, com bastante êxito, ao estudo das relaçóns de parentesco. Ensaiou-o também no estudo da mitoloxía e das costûmes, e mostrou que todo o universo da cultura se erguía sobre determinaçóns estructurais que poderiam perfeitamente ser inconscientes, do mesmo modo que as regras gramaticais operam sem que o falante tenha de pensar nelas nem sequer conhecê-las. Em todo o caso, o estructuralismo transformou-se nunha corrente que entrou em conflícto frontal com as filosofias da história e com as filosofias humanistas, e unha delas, talvez a mais importânte nesse momento, era, precisamente, o marxismo.

CARLOS FERNÁNDEZ LIRIA

O FADO (UM MANANCIAL DE TALENTO)

Nesta primeira década do novo milénio, o fado floresce e por todo o país surxe um número considerábel de vozes, fazendo lembrar outras boas épocas. Polo manancial de talento, apressenta-se um futuro promissor para esta cançón popular. No lado femenino deste fado e todas com crédito firmado, contando xá com discografía própria e um certo percurso internacional destacam-se: Ana Sofia Varela, Teresa Tapadas, Maria Ana Bobone, Raquel Tavares, Aldina Duarte ou Ana Laíns que inclusive fez um dueto com Boy George no último disco do artista britânico. Outras fadistas interessantes que deverán ser seguidas com atençón som: Cláudia Leal, Cuca Roseta, Lina Rodrigues, Tânia Oleiro, Gisela Joao, Vanessa Alves, Rute Soares, Ana Margarida, Filipa Cardoso, Filipa Tavares, Débora Rodrigues, Joana Costa, Patrícia Rodrigues, Bárbara Passos, Fábia Rebordao, Luísa Rocha, entre outras. Os homes no fado de forma xeral, têm mais dificuldades em se impor no panorama internacional, porém este novo milénio trouxe algunhas vozes que têm conseguido transpor as fronteiras com as suas interpretaçóns. Um desses exemplos é António Zambujo que na voz e viola transporta para o mundo as tradiçóns do seu Alentejo. Edita quatro discos nesta década, tendo com os dous últimos obtido um interessante sucesso internacional com digressóns e ediçóns, particularmente no Brasil onde é bastante apreciado. O seu fado abrasileirado, valeu-lhe rasgados elóxios de Caetano Veloso e participaçóns com alguns artistas de relevo como Ivan Lins ou Roberta Sá. Neste novo milénio, Ricardo Ribeiro, inspirado no seu mestre Fernando Maurício, é o que melhor personifica o fado tradicional. Com unha voz poderosa, editou dous álbuns nestes anos, tendo com o seu último “Porta do Coraçón” conquistado os “média” e um público mais vasto. Entre outras, destaca-se a participaçón em disco e ao vivo com o compositor e tocador de “oud libanês”, Rabih Abou-Khalil. Com Ricardo Ribeiro a tradiçón volta a ser o que era.

FADO PORTUGAL

HANNAH ARENDT (AS ORIXENS DO TOTALITARISMO)

No capítulo anterior, vimos que a elaboraçón de “As Orixens do Totalitarismo” teve um desenvolvimento longo e complexo. Provabelmente, foi o libro a cuxa concepçón e escrita dedicou mais tempo. Non é difícil entender este complicado caminho, pois Hannah Arendt começou a pensar nas características do rexíme totalitário quando este ainda era unha realidade política, e acabou de escreber pouco depois do fim da guerra, em 1949. A informaçón de que dispunha para analisar o nacional-socialismo aumentou com a avalanche de documentaçón que foi aparecendo após a contenda sobre as questóns internas do rexíme. Este longo caminho na sua escrita faz com que pareça unha obra fragmentária, dividida em três partes: antissemitismo, imperialismo e totalitarismo. No entanto, a aparente falta de ligaçón entre as diferentes partes do libro non só se explica polo árduo processo de redaçón, mas também por unha questón de fundo: a recusa de Hannah Arendt em estabelecer ligaçṕns causais entre determinados factos históricos e o triunfo do totalitarismo. Isto dá-nos unha importante pista para compreender a sua tese principal: que o rexíme totalitário é um rexíme novo, sem precedentes na História, que non o podemos deduzir a partir de premissas históricas que o precedem. Neste sentido, non há unha relaçón causa-efeito directa, por exemplo, entre o antissemitismo e os campos de concentraçón. O antissemitismo, por sí só, como ideoloxía, non conduz necessariamente ao extermínio, esse caminho non era inevitábel. O que a autora destaca é que há elementos (como o antissemitismo, entre outros) presentes xá no século XIX, que non foram resolvidos pola política do século XX, e aos quais o novo rexíme totalitário deu unha resposta ou soluçón totalitária. O libro pretendia analisar o totalitarismo nas suas duas variantes, o nazismo e o estalinismo. Ambos representam um novo tipo de domínio, que non se pode interpretar com as habituais categorias da ciência política: tirania, autoritarismo ou dictadura. É preciso encontrar outro tipo de explicaçón, que dê conta do que implica o aparecimento súbito do poder totalitário e a criaçón de um mundo e unha sociedade igualmente totalitários. Apesar do obxectivo inicial, de entender um mesmo fenómeno que se manifestava tanto na Alemanha como na Rússia, no fundo o libro non apresenta um estudo comparativo entre nazismo e estalinismo, visto que se inclina para o estudo do caso alemán. A falta de documentaçón sobre o rexíme bolchevique, e o facto de continuar instituído no momento em que o libro era escrito, levou-a a centrar-se mais no nazismo. Embora Arendt tivesse o obxectivo de retomar a questón do totalitarismo soviético após a publicaçón do libro, examinando em particular os elementos totalitários do marxismo, acabou por non desenvolver esse proxecto.

CRISTINA SÁNCHEZ

LITERATURA CASTELÁN (18)

AS “DISPUTAS” OU “DEBATES”.

Aludimos à existência, na lírica provençal e na Galaica, de um xénero poético denominado “recuesta” (também “tensó” ou “partiment”), na qual gostavam de exercitar o seu enxenho os poetas cortesáns daquelas rexións. Afíns com este xénero encontramos outro tipo de “debates” de espécie mais dialéctica, que non se producía por separado entre dous poétas que enfrentábam as suas habilidades. Mas, entre duas personáxes diferêntes, dentro de unha composiçón única. Estes poemas non forom só património do mundo provençal, senón que estabam muito difundidos por todas as naçóns da Europa cristán, sobre tudo durante o domínio da Escolástica; gozando de idéntica difusón na literatura latina da época e também no mundo árabe. A “disputa” – afirma Menéndez Pidal – , como armazóm para desarrolhar um tema literário pertênce à literatura universal”. Estas “disputas” ou “debates”, podiam ter lugar entre pessoas reais, de carne e osso, ou entre abstraçóns e seres de carácter alegórico aos quais se atribuíam condiçóns humanas. A boga destas discusóns prolongou-se – segundo recorda o referído autor – até aos nossos días “nos “pliegos de cordel”, que se vendíam ainda nas aldeias e nas prazas dos suburbios, durante a época barroca, tán inclinada para a dialéctica e a alegoría, voltaron os temas das velhas “disputas” a encarnar-se com frequência baixo formas dramáticas. As “disputas” – segundo haberemos de indicar no capítulo correspondênte – forom consideradas por alguns investigadores entre os xérmens que puiderom dar orixem ao teatro medieval, precisamente polo que tinham de rudimentária acçón dramática, e incluso chegam a ser estudadas baixo tál aspecto. Aquí, interesan polos abundantes elementos líricos que à sua vez contenhem. A Literatura Castelán, conseguíu conservar vários destes debátes.

J. L. ALBORG

MACHIAVELLI (O RESURXIMENTO)

O Resurximento foi, portanto, unha época de grandes transformaçóns, começando por algunhas invençóns que revolucionarom a cultura (como a imprensa), os confins do mundo conhecido (com a bússola) e a arte da guerra (através da pólvora). Um tempo, além do mais, em que o home e a natureza se revalorizaram, onde os cidadáns – polo menos unha elite intelectual, que foi a que nos legou a sua história – tiveram unha acentuada consciência de época a partir da qual foi possíbel baptizar os séculos precedentes como Idade Média. Unha etapa da História cheia também de grandes contrastes e reacçóns vehementes, desde a Reforma protestante até à Santa Inquisiçón, passando polo embrión do absoluctismo político e polo fanatismo relixioso. No “Quattrocento”, a pequena República de Florença tornou-se num dos principais centros económicos, artísticos e culturais deste mundo ocidental renascentista. A sua principal fonte de riqueza era o negócio da lán e da seda, mercadorias apreciadas em todas as cortes europeias. Mas esta dependência do comércio exterior (para se abastecer de matérias-primas e para vender os productos elaborados) fez com que se tornasse imprescindíbel para os florentinos terem acesso ao mar, algo que tinham conseguido com a conquista da vizinha Pisa. Por outro lado, o nascimento do capitalismo em Florença só foi possíbel graças a duas inovaçóns fundamentais: a invençón da contabilidade de dupla entrada – “grosso modo” o mesmo sistema que se continua a utilizar hoxe – e o aparecimento de uns prestamistas burgueses que ofereciam crédito sobre unhas bancas na praça pública (daí que a palabra “bancarrota” tenha na sua orixem um significado completamente literal). Esta banca de negócios implicou unha verdadeira revoluçón para o comércio internacional, unha vez que permitiu superar as limitaçóns que a troca e as transaçóns a pronto impónhem. As famílias mais ilustres que se dedicaram a esta actividade em Florença foram os Medici, os Pazzi e os Strozzi. Tal como Londres ou Nova Iorque na actualidade, Florença era a “city” económica do Renascimento. A sua moeda, o “florim”, era o dólar de entón, unha moeda aceite em boa parte do mundo. Além disso, sucederam-se diversas transformaçóns no comércio, na arte, na cultura e na política da cidade natal de Nicolaus Machiavelli, a um ritmo inédito até entón. Florença tornou-se, assim, no berço mais sofisticado e valioso deste resurxir do home e da sociedade. Tal esplendor a nível económico foi acompanhado por um auge similar no campo das artes e das ciências. Non haxa dúvida de que na cidade toscana concentrou-se um incomparábel grupo de artistas, filósofos e cientistas que propiciarom a revitalizaçón estéctica e cultural, elevando o pensamento e as diversas disciplinas artísticas a um novo firmamento de onde resplandecem sem perder intensidade. Constituem esta numerosa e, em muitos aspectos, insuperábel seleçón florentina de “homes do Renascimento” nomes como Brunelleschi, Piero della Francesca, Donatello, Miguel Ângelo, Leonardo da Vinci, Botticelli, Rafael e um longo “et cetera”. Pico della Mirandola, por seu lado, fundou unha academia em Florença para reviver o pensamento de Platón e, como Santo Agostinho fizera um milénio antes, aproximá-lo também da doutrina cristán. Ao mesmo tempo, o humanismo, a corrente filosófica fundada por Petrarca algunhas décadas atrás, colocava o ser humano no centro do universo e no princípio de todo o pensamento, ao mesmo tempo que os seus seguidores popularizavam o lema “Virtù vince Fortuna” (“A Virtude vence a Fortuna”). A influência de Florença no mundo do Renascimento foi tán notábel que até o continente recém-descoberto por navios espanhóis acabaria por receber o nome de um dos seus cidadáns mais inquiétos, Américo Vespúcio, que, tal como o historiador Guicciardini, foi um grande amigo do secretário Machiavelli.

IGNACIO ITURRALDE BLANCO

AI, QUE SOLINHA QUEDACHE MARÍA SOLINHA!

María Soliña foi detida e torturada nas cárceres segredas do Santo Ofício no ano 1621. Acusada de entregar a súa alma ao diaño e de possuir poderes demoníacos capaces de causar os máis terribeis males, foi sobmetida a tortura física e psicolóxica até que confesou: ser bruxa desde había máis de dúas décadas, afirmando ademais na súa desesperaçón que chegara a manter tratos carnais co demo, o cal se lhe aparecia em forma de home. E mentras isto declaraba, María Soliña suplicaba clemência ao Tribunal proclamando o seu arrependimento, pois asseguraba que só renegára do Nosso Señor de palabra. O 23 de Xaneiro do 1622 chegou por fim a sentênça: foi condenada cunha confiscaçón de bens, debendo portar o hábito penitencial durante meio ano, Non sabemos se chegou a cumprir toda a pena, pois probabelmente a súa vida non duraría muito máis. Xá que as consequências do tormento, non podían deixar de notar-se nunha mulher de setenta anos de idade. A súa acta de defunçón nunca foi atopada até agora. Tal vez algúm día descubrámos onde repousan os seus castigados restos.

COUSAS DE (NÚMERO 6)

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LONGA NOITE DE PEDRA

Polos camiños de Cangas

a voz do vento xemia:

ai, qué soliña quedache,

María Soliña.

Nos areales de Cangas

muros de noite se erguían:

ai, qué soliña quedache,

María Soliña.

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As ondas do mar de Cangas

acedos ecos traguían:

ai, qué soliña quedache,

María Soliña.

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As gueivotas sobre Cangas

soños de medo tecían:

ai, qué soliña quedache,

María Soliña.

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Baixo os tellados de Cangas,

anda un terror de auga fría:

ai, qué soliña quedache,

María Soliña.

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CELSO EMILIO FERREIRO (1962)

BERGSON (POSITIVISMO ESPIRITUALISTA?)

Para entender como surxe o pensamento de Bergson é necessário dar um pequeno passeio pola filosofía moderna. Xá desde a época de Descartes, com o início do racionalismo, surxe em França unha linha paralela e menos conhecida de pensadores que, sem renunciar à razón nem à ciência, reivindicam o conhecimento imediato (a intuiçón) e a vida interior. O pioneiro desta linha é Blaise Pascal, eminente matemático e filósofo, que desconfiava da deriva mecanicista do cartesianismo (“o silêncio eterno dos espaços infinitos aterra-me (…). Non devo procurar a minha dignidade no espaço, mas no curso regulado do meu pensamento. Só o pensamento fai a grandeza do home. (…) O corazón tem razóns que a razón desconhece”). Este espiritualismo françês eclode no início do século XIX na obra de Maine de Biran, mas sofre a partir de entón um estancamento que coincide com o emerxir triunfal da filosofia kantiana. Kant estabelece um armistício entre materialistas e espiritualistas ao delimitar as pretenssóns doutrinárias de ambos em relaçón aos primeiros, non há conhecimento que non sexa filtrado polas faculdades do espírito; com relaçón aos segundos, o próprio espírito non conhece nada alheio aos datos da sensibilidade. Embora muitos espiritualistas aceitassem as condiçóns da paz kantiana, outros esquadrinharom a “letra pequena” a fim de reabilitar a metafísica como saber absolucto. Assim surxiu a filosofia do romantismo alemán, que partia da experiência estéctica para fundar o conhecimento dos segredos mais profundos do universo a partir da “desconhecida raíz comum” (Kant dixit) entre o nosso pensamento e os nossos sentidos, ao qual só o xénio criador acede. Em vez de fazer do xénio unha excepçón, como Kant, o romantismo elevou-o a regra, situando a liberdade absolucta, através da qual participamos na produçón divina, no centro de um novo sistema metafísico. O principal exponente desta corrente, Schelling, estudioso das ciências naturais, acusou o seu arqui-inimigo Hegel de lhe roubar o seu sistema, transformando-o num mero instrumento lóxico desprovisto de toda a concreçón e de toda a vida: a “dialética”.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

HISPANOAMÉRICA (O NASCIMENTO DE UM MUNDO)

Desde as suas orixens, a literatura da América hispâna indepedente foi política. É dizer, esteve comprometida com a circunstância específica de cada nacionalidade e com as alternativas de unha história que pronto habería de demostrar que a liberaçón da tiranía espanhola non significaba a liberdade. Caudilhos locais, oligarquías reaccionárias, unha Igrexa retrógrada e um imperialismo indisimulábel das naçóns americanas mais poderosas (Arxentina no sul, por exemplo) haberiam de demostrar muito pronto que os sonhos utópicos dos próceres se traduciríam num largo século de disparates, guerras civiles e até conflíctos internacionas. Nesse contexto, a literatura hispanoamericana (e em particular a narrativa) só podería ser política. Muitas vezes (Bello, Sarmiento, Montalvo, Palma, Acevedo Díaz), os mesmos homes que facíam a pátria facíam a literatura. De feito, a primeira declaraçón poética da independência da América hispânica é obra de um exilado venezolano que em 1823, baixo as brumas de Londres, publica unha Alocuçón à poesía, invitándo-a a abandonar a velha Europa monárquica do Congreso de Viena e a vir residir na América Libre e independênte. O que tinha de convencional o poema de Andrés Bello (1781-1865) era compensado pola sua oportunidade poética e política. Mais tarde, Bello habería de abandonar Londres em 1829 para residir em Santiago de Chile, onde contribuiría a fundar a nova naçón e a deitar as bases de unha cultura que serviria de modelo a toda a América hispâna. Bello inicia oficialmente um movimento, o americanismo literário, que baixo diversas formas e membrêtes orienta toda a literatura do século XIX, na América hispâna. Este movimento tem um duplo sentido: inventário da América, inquisiçón do ser americano. Por um lado, ao afirmar a realidade da América, ao fazer o catálogo poético e prosaico das suas terras e homes, da sua flora e fauna (o segundo grande poema de Bello, “Oda a la agricultura de la zona tórrida”, 1826, é um modelo do xénero), cumpre a funçón didáctica de poetizar um mundo. Xunto a Bello, outros poetas realizarom na mesma década a fundaçón do americanismo literário. O colombiano José Joaquín de Olmedo (1780-1847) escrebeu em 1825 um poema “A la victoria de Junín”, para celebrar a victória que liberou o Perú e marcou o colápso da Espanha em grande parte do território de América do Sul. O poema foi escrito por indicaçón do xeneral Simón Bolívar, mas Olmedo intentou evitar a adulaçón do herói, dándo-lhe o marco da história incaica. Com as Poesías de José María Heredia (1803-1839), publicadas em Nova York em 1825, o cantar da natureza americana esbozado por Bello alcanza novas expressóns. Xá em Heredia, o que em Bello e Olmedo eram só atisbos românticos convertem-se em notas de unha melancolía que quase linda com a misantropía (segundo observou o mesmo Bello nunha temperám resenha do libro). “La Oda al Niágara”, que rexistra unha visita às famosas cataratas no ano de 1824, enlaza a poesía descriptiva com a nostalxía do exilio, no meio de um clima marcadamente romântico. O americanismo literário haberá de ser codificado mais tarde e antoloxizado, polo arxentino Juan María Gutiérrez (1809-1878). A partir de Gutiérrez, e do uruguayo José Enrique Rodó (1871-1917), que habería de extender a sua inquisiçón até à pergunta sobre o ser e a identidade de América no seu “Ariel” (1900), o americanismo encontrará o caminho de unha literatura ensaística que produciria a obra do peruanoJosé Carlos Mariátegui (1895-1930), o arxentino Ezequiel Martínez Estrada (1895-1965), ou o cubano José Lezama Lima (1910-1977).

RBA EDITORES, S. A. – BARCELONA