Arquivos mensuais: Abril 2021

A BUSCA DA SUBSTÂNCIA MATRICIAL

No terceiro capítulo do segundo libro da “Metafísica”, que pode ser considerado como a primeira história da filosofia e talvez também a primeira história da ciência, Aristóteles diz-nos que os primeiros pensadores apenas tratabam das cousas a partir da perspectiva do seu princípio material (vexa-se caixa da páxina seguinte). Situemos a afirmaçón no seu contexto. Aristóteles acaba de nos dizer que, para constatar a existência dos seres, é preciso considerar-se quatro causas. Como no caso de unha cadeira normal: a madeira que a constitui sería a sua “causa material”, o carpinteiro que trabalha a madeira sería a “causa eficiente”, a “causa formal” é a ideia ou o conceito de cadeira, que preexiste na mente do carpinteiro e que se “materializa” mediante o trabalho deste, e, por último, a “causa final” é a funçón para a qual está destinada a cadeira e que, em princípio, a constitui. Em certa medida (sobretudo se nos ativermos às entidades artificiais), Aristóteles aponta aqui o problema, que mais acima esbocei, sobre a relaçón e a eventual prioridade entre o que na cadeira procede do intelecto (a ideia, conceito ou forma) e a matéria que percebemos através dos sentidos. Na sua opinión, os primeiros filósofos apenas tiveram em conta a “causa material”, isto é, partiram da percepçón imediata através dos sentidos e ocuparam-se em determinar a essência daquilo que era percebido. O leitor, talvez obrigado nos seus anos de escola secundária a memorizar dinastias de filósofos, como se memorizasse a dinastia afonsina ou a de Bragança, dirá que falta aqui polo menos um. E é, de facto, surpreendente que, entre Tales e Anaxímenes, Aristóteles non situe a Anaximandro, dada a relevância que lhe foi outorgada por historiadores, non apenas do pensamento filosófico, mas também (como vimos) do pensamento científico. Falta um ou outro nome de primeiríssima importância, como é Parménides, que, no entanto, será mencionado por Aristóteles nas páxinas seguintes. Mas vamos aos que están ou, melhor dizendo, a unha parte dos que están, polas razóns óbvias que derivam das características deste libro. Reparemos que, com a excepçón do siciliano Empédocles de Agrigento (nascido por volta de 495 a. C.), e Hipaso, também oriundo da Itália meridional (por volta de 500 a. C.), todos os mencionados som oriundos da costa da Anatólia.

VÍCTOR GÓMEZ PIN

BREVE HISTÓRIA DE QUASE TUDO

Em primeiro lugar, para que o leitor estexa aquí agora, foi preciso que bilións de átomos errantes tenham conseguido xuntar-se, nunha dança intrincada e misteriosamente coordenada, de forma a criá-lo a sí. Trata-se de unha combinaçón tán única e especializada que nunca foi feita antes, e só vai existir desta vez. Durante muitos anos futuros (esperemos), estas partículas minúsculas iram dedicar-se sem qualquer queixume aos mil milhóns de hábeis e articulados esforços necessários para o manter intacto e deixá-lo disfrutar da experiência supremamente agradável, mas xeralmente subestimada, a que chamamos existência. A razón pola qual os átomos se dam a este trabalho non é muito clara. A nível atómico, ser o leitor non é propriamente compensador. Ou sexa, apesar da atençón que lhe dedicam, os átomos non se preocupam consigo – na verdade, nem sequer sabem que existe. Nem mesmo que “eles próprios” existem. Nada mais som do que partículas sem consciência, e nem sequer têm vida própria. (Non deixa de ser lixeiramente impressionante pensar que, se tentasse disecar-se a sí próprio com unha pinça, átomo a átomo, nada mais iría conseguir do que um monte de fina poeira atómica, da qual nem um grán algunha vez tivera vida, mas que, toda xunta, era você.) E, no entanto, durante todo o período da sua existência, a única preocupaçón dessas partículas será a de responder a um único impulso incontrolábel: fazer com que sexa quem é. O lado menos bom da questón é que os átomos som inconstantes, e que o seu período de dedicaçón a unha causa é passaxeiro. Muito passaxeiro mesmo. Até unha longa vida humana non dura mais do que unhas 650 mil horas. E quando este modesto marco é ultrapassado, ou por volta dessa altura, por desconhecidas razóns os seus átomos ván dispersar em silêncio, para se tornarem noutras cousas. E é o fim da história para sí.

BILL BRYSON

RORTY (A VIRAXEM LINGUÍSTICA)

Com este libro Rorty obteve mais conhecimento sobre duas posturas diferêntes acerca da “análise da linguaxem” que tinham marcado a filosofia do século XX: A primeira visava a construçón de unha linguaxem ideal, que tinha a lóxica como modelo; a segunda preferia descreber os usos da “linguaxem ordinária”. A primeira postura era a do positivismo do “Círculo de Viena” – xá a mencionámos -, e a segunda, que surxíu em Inglaterra despois da guerra, era empírica, mas menos intransixente: desconfiaba das xeneralizaçóns, mas non aplicaba um método xeral, multiplicaba exemplos e dissecaba-os minuciosamente. Tentavam esclarecer-se todos os aspectos de um problema em vez de forxar unha soluçón; o senso comum reinaba como máxima autoridade e os enunciados filosóficos eram confrontados com os usos normais das palabras. Em Cambridge, esta escola xá non trataba o metafísico como um vigarista que fazia passar por conhecimento algo que non o era, mas como um doente. John Wisdom, por exemplo, entendia a análise linguística como algo semelhante a unha terapia, mas Rorty leu sobretudo representantes de Oxford, como Gilbert Ryle, e practicaba unha terapia mais rigorosa, era severo com os desvios do uso ordinário das palabras e concentrava-se nalgunhas categorias xerais ou conceitos a que a filosofia dava importância. O britânico J. L. Austin era talvez o mais descriptivo de entre os filósofos da linguaxem e fazia distinçóns tán subtis nos significados e usos de expressóns do inglês que alguns até o confundiam com um filólogo. Rorty sentiu-se mais atraído por este estilo, entre outras razóns porque em Wellesley tivera como directora de departamento Virginia Onderdonk, unha estudiosa do último Wittgenstein, e também porque tinha lido a sua grande obra “Investigaçóns Filosóficas” e começava a ler as ideias de alguns representantes da análise da linguaxem ordinária. Rorty sabia que non podia voltar atrás, que a filosofia teria sempre a ver com a linguaxem, que non fazia sentido pensar em experiências ou dactos independentes dos vocabulários humanos, mas isso non era a mesma cousa que acreditar que existia outro método de análise linguística que solucionaba os problemas filosóficos. Unha cousa é a linguaxem passar para primeiro plano do foco filosófico e outra muito diferente é que a filosofia se debia fazer usando um método linguístico. A viraxem linguística tinha axudado a entender que muitos problemas da filosofia dependiam de imáxes persistentes (por exemplo, os relacionados com a ideia de representaçón), mas isso era diferente de acreditar que a filosofia tinha encontrado outro caminho seguro.

RAMÓN DEL CASTILLO

A VIDA E OPINIÓNS DE TRISTRAM SHANDY

Ao quinto dia do mês de Novembro de 1718, que, polo calendário, se aproximaba dos nove meses tanto quanto qualquer marido podia razoavelmente esperar – fum eu, Tristram Shandy, Fidalgo, traído a este nosso mesquinho e desastroso mundo. -Quem me dera ter nascido na Lua, ou em qualquer outro planeta (com excepçón de Xúpiter ou Saturno, porque nunca suportei o clima frio), pois qualquer deles dificilmente poderia ter sido pior para mim (embora nada possa afiançar acerca de Vénus) do que este vil e suxo planeta nosso, – o qual, com certeza, e digo-o respeitosamente, debe ter sido feito com os frangalhos e as aparas dos restantes; -non é que o planeta non sexa suficientemente bom, desde que um home possa nele nascer para ficar com um grande título ou com unha grande propriedade; ou consiga polo menos ser chamado a cargos públicos, ou outros empregos de poder e dignidade; -mas non é esse o meu caso; -e assim cada um diz da feira conforme o que lá vendeu; -razón pola qual afirmo e reafirmo que é um dos mais vis mundos que algunha vez se criou; -pois, desde a primeira vez que nele respirei, até agora, que xá mal consigo respirar, por causa de unha asma que me atacou quando patinava contra o vento na Flandres, -bem posso dizer que tenho sido a chacota contínua daquilo a que o mundo chama fortuna; e embora non lhe faça a inxustiça de dizer que Ela algunha vez me tenha feito sentir o fardo de qualquer grande e notório mal; -ainda assim direi, com a maior calma do mundo, que, a cada passo da minha vida, e em cada curva ou esquina onde me pôde apanhar, essa desgraçada Duquesa me arremessou tal saraivada de penossas desventuras e contrários acidentes que pequeno Herói algum xamais sofreu.

LAURENCE STERNE

MONTAIGNE (O SABOR DOS BENS E DOS MALES)

No capítulo “Como o Sabor dos Bens e dos Males Depende em Boa Parte da Opinión que Tenhamos Deles” considera a doença como precursora da morte. A sua iminente viaxem à Europa e, sobretudo, a Itália, estará repleta de pedras expulsas, que aos poucos dissolvem e esvaziam a sua própria vida. Sobre a base da filosofia cirenaica, Montaigne reformula, nos “Ensaios”, o conhecimento do eu como consciência sensíbel redefinida com as únicas sensaçóns admitidas “dor e prazer”, unha espécie de tacto interno. No seu elóxio paradoxal da calculose, o bordalês non deixará de indicar a natureza mortal e, ao mesmo tempo, saudábel da doença: castigo onde gozou muito e purificaçón do corpo das escórias contaminantes, mas, sobretrudo, aprendizaxem para a morte. A nove de maio de 1579 obtém o “privilège de roy” para a publicaçón dos “Ensaios”, que se produz a um de Março de 1580. O seu editor foi o bordalês Simon Millanges, “imprimeur du Roy”. A vintidous de Xunho, parte para o cerco de La Fère, em Picardia; no caminho, passa primeiro por París para entregar um exemplar a Henrique III. Na base da sua filosofia da vida, além de Plutarco, sempre permaneceram Epicuro (Lucrécio) e Pitágoras (Ovídio). Com Lucrécio, Montaigne pón à proba o conhecimento do mundo e descobre a dissoluçón de unha coesón ilusória, enquanto a percepçón do infinitamente pequeno o conduz à persuasón da mobilidade do mundo e do indivíduo. Lucrécio ensinou-lhe que descrever a matéria significa descreber a realidade de corpúsculos invisíveis, a concreçón da substância permanente e imutábel revela que o vazio é tán concreto como os corpos sólidos. Para exorcizar o risco do peso esmagador da matéria (e de leis mecânicas que determinam qualquer evento), Lucrécio tinha advertido sobre a necessidade de permitir aos átomos uns desvios imprevisíveis da linha recta, para garantir a liberdade à matéria e aos seres humanos. A poesía do invisíbel, dos “simulachra”, das infinitas potencialidades imprevisibeis, a poesía do nada nasce de um poeta que non alberga dúvidas sobre a fisicalidade do mundo. A pulverizaçón da realidade também se estende aos aspectos visíbeis os gráns de pó que rodopiam num raio de sol, dentro de um quarto escuro; as teias de aranha que nos rodeiam sem darmos por elas enquanto caminhamos. Mas Montaigne também sente fascínio polas “Metamorfoses” de Ovídio, para cuxa leitura, como se disse, foi treinado desde pequeno.

Nicola Panichi

AS IDADES DA TERRA

Como quase sempre que disfruto de Lisboa, também desta vez, durante a “Dictadura dos Trafulhas”, dirixo os meus reticentes passos cara às “Idades da Terra”, ou sexa ó Museo Xeolóxico. Quería fazer uns artígos da mán do meu amigo Francisco González, que prometera sacar unhas opinións heterodóxas sobre a matéria em causa. Cousa, que non cumpríu, talvés, ainda non muito confiante sobre a sua sabedoría, de todas maneiras, tem medo de caír no ridículo da opinión pública. Algo que compreendo, pois em boca cerrada non entram moscas e tampouco saem incongruêntes impropérios. Entrar no mundo da xeoloxía, non é tarefa fácil e, ademais dos cabreos e das discusóns que provoca, está tudo bem pechado e confinado, polo qual non há maneira humana de penetrar nele.

Mas, estaría realmente pechado? Quando informo o meu vecinho de Guilhade, que estivem dentro do Museo e que fum comprar uns libros à Libraría Bucholz, Um relâmpago de loucura varreu o seu olhar. ¡¡Impossíbel!! Sacou o seu telefóne-móvil e esfregou-me com el nas trômbas. Alí estavam todas as normativas gobernamentais, sobre a campânha do covi. E, segundo elas, as Librarías e os Museos, estaríam supostamente cerrados até ao dia nove de Abril! Idem. Idem. Aspas. Aspas!! Mas, xuro, que comprei seis libros, em duas librarías do centro da cidade que estabam totalmente escancaradas! Qual, quê? Isso non é possíbel, só, se tenhem material de papelaría? Ademais, xuro em arameo que, estivem dentro do Museo eu sozinho, entrei por alí a dentro, como “periquito por su casa”, e até saquei as fotografías que adxunto como proba, e inclúso um Senhor xovém amábelmente me deu o bom-dia. Nada! Tempo perdido! Ó Chico em Lisboa, ninguém logra enganá-lo, está bem documentado. Nem mesmo unha bomba vulcânica dos Açôres, de trinta quilos de peso , que está situáda à porta do segundo andar da Academia das Ciências de Lisboa, na sua cabeça, lograría fazê-lo duvidar da fiabilidade das autoridades competêntes. Mas, eu tenho probas fotográficas irrefutáveis, da veracidade incontornábel das minhas afirmaçóns. ¡¡Contra factos, non valem argumentos!!

LÉRIA CULTURAL

LOCKE (A MORAL PRÁCTICA NA AUSTERIDADE)

Em Inglaterra, as mudanças relixiosas orixinarom unha moral práctica fundamentada na austeridade, que configuraria grande parte da vida e da obra de Locke. Serve de exemplo a decência e o esmero extremo, roçando o ridículo, que emanava da correspondência amorosa que manteve com diversas mulheres ao longo da sua vida. Naquelas cartas non habia lugar para palabras fora de tom, nem indício algum de unha actitude imprópria nem passional. Manteve sempre um tom de zelosa correçón, apesar de se corresponder com mais de unha xovenzinha ao mesmo tempo. Também notámos essa prudência que o caracterizava na xestón dos textos teóricos suxeitos a unha revisón constânte e publicados tardiamente, quando a situaçón política deixou de lhe ser hostil. Apesar do seu carácter moderado, a sua convicçón e a sua aposta pela tolerância relixiosa lavaram-no a mostrar unha certa aversón pola Igrexa papal e a posicionar-se a favor do anglicanismo. Para sermos xustos, temos de reconhecer que a instituiçón católica tinha dado motivos de sobra para provocar a rexeiçón de qualquer um. As condenaçóns de Roma a cientistas como Giordano Bruno ou Galileu Galilei, por desafiarem a doutrina oficial com as suas teses científicas, ainda ressoavam nas mentes das pessoas bem formadas. Por muito que o seu poder tivesse diminuído, a Igrexa continuava a constituir unha ameaça para os que pecavam por atrevimento. Para evitar represálias, quer fosse por parte da Igrexa quer dos monárquicos absoluctistas, Locke non publicou algunhas das suas obras, até que o cenário político se acalmou com a chegada do novo rexíme parlamentarista de 1689, liderado por Guilherme de Orange.

SERGI AGUILAR

LITERATURA CLÁSSICA GREGA (MIMNERMO DE COLOFÓN)

Tirteo e (até onde sabemos) Calino eram amadores, fabricados por unha crise nacional, a utilizar o único meio de propaganda que conheciam. Somente isto é suficiente para designá-los os inventores da elexía, em contra das pretensóns do lonxevo Arquíloco. Unha xeraçón mais tarde viveu outro professional de destacada técnica, Mimnermo de Colofón. Viveu durante a última parte do século VII a. C., a data tradicional está confirmada polo conhecimento que das suas obras mostram outros autores. A sua obra compreendia ao parecer dous libros polo menos (muitos, de acordo com a Suda), que continham unha série de poemas separados, evidentemente bastante curtos, assim como unha produçón mais larga entitulada posteriormente “Nanno”, por ser o nome de unha flautista da qual o poeta estaba namorado. Mimnermo foi recordado principalmente como poeta amoroso; mas os fragmentos que se conservam de Nanno, non tenhem muito que ver com o amor. Isto pode ser meramente accidental, ademais de que vários fragmentos podíam associar-se com um contexto erótico mais âmplo. Mas é mais anigmático encontrar também atribuído a Nanno o primeiro relacto que se conserva da migraçón xonia, o estabelecimento de Colofón e Esmirna partindo de Pilos. Fala das “desexábeis flores da xuventude”, e pergunta “Que é a vida, que é a alegría sem a dourada Afrodita? Oxalá eu morra quando estas cousas xá non signifiquem nada para mím”. O poeta continua lamentando a indignidade e as privaçóns da velhice. A poesía de Mimnermo ganhou pronto unha vasta circulaçón, como podemos deducir das alusóns de outros escritores. O fundo pessimísmo com o que repetía a comparaçón homérica da vida de um home com a das folhas cuxo brotar breve acaba pronto, talvéz estimulou a um poeta posterior caminho da reflexón mais fortificante de que, posto que a comparaçón se mantém, um debe ser liberal no disfrute do bom da vida, durante o maior tempo possíbel (Simónides). Tampouco parece que a sua fama se marchitara durante os séculos posteriores. É fácil entender o entusiasmo de Calímaco: “aquí habia poesía brilhantemente vivida e, à sua maneira, sofisticada e elegante.”

P. E. EASTERLING E B. M. W. KNOX (EDS.)

VOLTAIRE (A PRIMACIA DA SUA AFIADA PLUMA)

Por essa altura, escrebe “Epístola a Urânia” (Épître à Uranie), só publicado em 1738, obra em que Voltaire faz unha primeira exposiçón das suas ideias relixiosas, as mesmas que depois orquestrarám o “Dicionário Filosófico” e o “Poema sobre a Lei Natural” (Poème sur la loi naturelle), ou sexa, unha clara primazia da moral sobre os dogmas non é incompatíbel com unha relixión natural que congregue vontades em vez de as dividir. Esta profissón deísta devia-se a unha figura que acabava de conhecer: Henry St. Johns, visconde de Bolingbroke, unha das famílias com mais linhaxem da Inglaterra, de xuventude tormentosa e libertina, familiarizará Voltaire com unha filosofia da qual os xesuítas só lhe tinham ensinado as argúcias escolásticas. Apesar de ser um homem do mundo, o visconde gostava de se retirar para o campo, o que Voltaire imitaria com os seus retiros nos castelos ou mansóns de Cirey, de Les Délices e de Ferney. Há um acontecimento que marcará para sempre Voltaire de formas muito diferêntes e que conduzirá ao seu proveitoso exílio em Inglaterra. A família de Rohan é unha das mais antigas e de maior linhaxem de França. Certa noite na ópera, um membro dessa família pergunta a Voltaire qual era o seu autêntico apelido, se Arouet ou Voltaire. Este responde-lhe que em todo o caso, ele tinha o primeiro apellido da sua própria linhaxem, enquanto o seu interlocutor parece o último elo do seu. Desafiam-se com as espadas, mas a disputa é evitada por um oportuno desmaio da actriz Lecouvreur. Dias mais tarde, quando Voltaire estaba a xantar na casa do duque de Sully, mandam-no ir até à rua, onde vários lacaios de Rohan lhe dán unha valente malheira, mentras o outro grita desde a sua carruaxem, para non lhe baterem na cabeça, non fora algunha cousa boa poder sair dela. Os seus amigos nobres recusam-se a acompanhá-lo a apresentar queixa, por solidariedade de classe. Ao saber-se que anda em aulas de esgrima para vingar ele próprio a sua honra num duelo, é desterrado a cinquenta léguas de París. Manteve este impulso vingativo durante toda a vida, embora sempre tenha utilizado a sua afiada pluma e, felizmente para ele, xamais usou outro tipo de armamento a non ser o dialéctico, no qual a sua supremacia quedaba desde logo assegurada.

ROBERTO R. ARAMAYO

A MACKNOVICHINA

Aproveitamos a situaçón actual da Ucrânia, convertida em campo de batalha para o confronto entre as potências imperialistas (é o que costûma acontecer, quando os governantes de certos países non tenhem cabeça, quem as paga é a poboaçón). Salta à palestra na actualidade, a deplorábel situaçón do país, com guerra, mortes e pérda de territórios. Ái, se Nestor Mackno, levantára a cabeça! A história volta maléficamente a repetir-se! Daquéla, quando Mackno partíra à frente do seu glorioso exército ucraniano, de perto de 10.000 homes, dos quais terminada a guerra contra o imperialismo alemán, somênte retornarom uns setecentos. Todos contribuírom grandemente para a victória sobre os invasores, com a sua guerra de guerrilhas, e golpes na retaguarda dos enemigos e nas linhas de abastecimento das tropas. Foi um estratéga formidábel, todo o contrário da revoluçón espanhola, que resultou num autêntico desástre militar e um mangonêo infernal. Chegou a combater com vários ferimentos de bala no corpo, utilizabam carromatos de cabalos, para dormir, descansar e transportar os feridos. Faciam atáques relâmpago, às vezes a mais de cem quilómetros de distância da sua suposta posiçón, onde ninguém os esperaba, semeândo o caos entre as tropas atacadas. Enfrentabam com a cabalaria, os ninhos de ametralhadoras, destrozando tudo como um vendavál de morte. Desafiabam os enemigos para combates singulares de cabalaria, sendo o exército branco, o único que se atrevia às vezes a aceitar os duelos. Talvés, a sua única mancha, fora a morte dos mensaxeiros do exército branco, que foram enviados para negociar. Também houbo um intento de negociaçón com as tropas do Atmán Grigoriev, no qual se intentou assassinar a Mackno à traiçón, durante o seu discurso aos combatentes alí reunidos. O Atmán, sacou repentinamente a espada, mas o escolta de Mackno logrou ferílo nunha perna, e seguidamente foi rematado por Mackno alí mesmo diante de todo o campo. Seguíu-se um intento de levantamento dos partidários de Grigoriev, que os anarquistas estratéxicamente situados entre a tropa derrotarom rapidamente. Racko Mackno, assim chamado pola sua baixa estatura, chegarom a fazer de unha só vez mais de 10.000 prisioneiros do exército vermelho, que depois tinham inevitábelmente que liberar, prévio adoutrinamento libertário, o qual desataba as airadas protestas do exército vermelho, que non queria que se adoutrinara os seus prisioneiros. Non cabía outra maneira, había que libertá-los, pois, non se podía massacrar a tanta xente, em certa maneira inocêntes. A consequência, era que a maioria dos soldados, voltavam de novo para as suas filas, formando unha espiral viciáda, que acabou por esgotar as forças anarquistas, esmagadas polas baixas e pola enorme desproporçón dos seus enemigos. Apesar de tudo isto, Mackno logrou escapar para París, onde xá velho e doênte, foi acolhido e protexido polos anarquistas hispânos. Fraternalmente, Ucrânia e Hispânia, as portas da Europa, estes pobos extremados, forom sem dúvida as xentes, onde a grande aventura anarquista logrou chegar mais lonxe, nos nossos tempos.

A IRMANDADE CIRCULAR

HEIDEGGER (UNHA TEORIA DA COUSA)

O que distingue a “ontoloxia fundamental”, por outro lado, consiste em reparar nessa confusón que tem lugar entre a cousa e a sua consideraçón como ente, e tornar relevante esse anterior que fica para trás, de certa forma estructuralmente irrecuperábel, mesmo que sexa apenas para sinalizá-lo como tal. A esse anterior, que constitui o fundo do qual nos podemos referir de qualquer maneira ao ser, é aquilo ao que Heidegger se referirá em “Ser e Tempo” como o “sentido do ser”. Como procura do sentido do ser, a “ontoloxia fundamental” virá, assim, interromper o curso da “ontoloxia xeral”. Mas tornar relevante o sentido non significará esixir que compareça, porque nesse caso deixaria xustamente de ser o sentido. Como pensar o sentido do ser, cuxa determinaçón está suxeita a um mal-entendido permanente, sem transformá-lo num conceito xeral (ou nunha nova forma de ser) e que, apesar de tudo, sexa compreensíbel, constitui a consecuçón filosófica alcançada no próprio início da obra fundamental de Heidegger. Em última instância, a questón do sentido é a fórmula para reiterar a questón do ser, precisamente quando esta questón se encontra tán subentendida e esquecida que é, inclusivamente, impossíbel apresentar-se como questón e aparece apenas identificada com o que há, que agora é “o ente” sem grande diferênça. Mas, em todo este assunto, non nos podemos esquecer que ao dizer-se “o sentido do ser”, o que, em suma, se deberia entender seria “o sentido da cousa”. Non se indicou xá que a cousa é o irrelevante que fica sempre para trás e non comparece expressamente? Referir-se ao sentido é fazê-lo àquele fundo que non comparece, àquilo que tem lugar antes de se poder falar de ente. Assim, a “ontoloxia fundamental”, no seu conxunto e desenvolvimento será também unha teoria da cousa.

ARTURO LEYTE

GOETHE (OS ANOS DE APRENDIZAXEM DE WILHELM MEISTER)

Assim, às duas feridas mal acabadas de sanar, Wilhelm xuntara unha terceira, fresca, que non lhe causaba poucos incómodos. Aurelie non queria admitir que ele recorresse a um médico. Ela própria vendaba, por entre estranhos discursos, cerimónias e sentênças de toda espécie, colocando-o, desse modo, nunha situaçón muito desagradábel. Contudo, non só ele, mas todas as pessoas que se encontravam na proximidade dela sofriam com a sua axitaçón e com a sua estranheza. E ninguém mais do que o pequeno Félix. Sob unha tal pressón, a buliçosa criança tornava-se extremamente impaciente, e quanto mais ela a repreendia e a metia na ordem, tanto mais se mostraba travessa. O garoto comprazia-se em certas peculiaridades, a que também se costuma chamar faltas de educaçón, e que ela non pensaba de modo algum deixar passar. Por exemplo, gostaba mais de beber pola garrafa do que polo copo e, manifestamente, sabia-lhe melhor a comida tirada da travessa que do prato. Unha tal inconveniência non passava desapercebida e, agora, até quando ele deixaba a porta aberta ou batia com ela, quando algunha cousa lhe era ordenada e ele ou non se mexia ou fuxia precipitadamente, pois tinha de ouvir unha grande liçón, sem que após isso, algunha vez denotasse qualquer melhoria. Polo contrário, a sua inclinaçón por Aurelie parecia perder-se de dia para dia, non habia ternura nenhuma na sua voz, quando el lhe chamaba nái; antes se afeiçoaba apaixonadamente à velha ama, que, é claro, lhe fazia todas as vontades.

GOETHE

DAVID HUME (DIÁLOGOS)

O tema central dos “Diálogos” é a natureza de Deus, ou melhor, a questón de saber se, como os teístas afirman, a causa do universo é um ser sumamente bom, poderoso e sábio. A propósito deste tema, Hume aborda um conxunto de problemas de grande importância para a filosofia da relixión. O “argumento do desígnio”, cuxa discussón começa na Parte II e prolonga-se até à Parte VIII, tem um lugar tán central que é frequente os “Diálogos” serem tratados como unha obra exclusivamente sobre esse problema. Mas entre os grandes temas dos “Diálogos” están também aquilo a que Hume chama “o argumento a priori” (unha versón do argumento de Samuel Clarke, acima referido), tratado na Parte IX; o problema do mal, discutido nas Partes X e XI; e as relaçóns entre a relixión e a moral, que constituem o tema da Parte XII e última dos “Diálogos”. Todos estes problemas têm hoxe um lugar de relevo na filosofia da relixión e, em alguns casos, a discussón ainda hoxe se processa em moldes muito idênticos aos dos “Diálogos”. No entanto, mais do que a relevância dessas questóns para a filosofia da relixión, o que cativa o leitor dos “Diálogos” é a sua relaçón com problemas que interessam ao home desde tempos imemoriais: O que é o mundo? É a obra de um espírito ou do turbilhón da matéria e das forças cegas da natureza? E qual o nosso lugar nele? Haberá unha finalidade para a nossa existência ou somos apenas o resultado fortuito das leis cósmicas que causarám o nosso fim com tanta indiferença quanto aquela com que nos deram orixem? Estas questóns fascinaram os pensadores da Antiguidade e inspiram grande parte da investigaçón actual em cosmoloxía. Os “Diálogos” entroncam firmemente nesta tradiçón e após séculos em que a relixión determinou totalmente o tratamento deste tipo de assuntos o leitor moderno non pode deixar de se sentir encantado por ver surxir unha obra que retoma a discussón destas questóns fundamentais com a liberdade intelectual e a profundidade dos filósofos da Antiguidade.

ÁLVARO NUNES (JULHO 2005)

A DICTADURA DOS TRAFULHAS OU LISBOA DESDE AS XANÊLAS

Lisboa desde as xanêlas, também podería ser o título deste interesante artigo, feito durante o tempo de confinamento aprobado por ordem presidêncial do cidadán Marcelo Rebêlo de Sousa (o “catavento”, segundo as malas línguas, que haber hai-las, em todas partes). Mentras o Doutor Sócrates, continua percorrendo o seu calvário xudicial, sem que se vislumbre um fím à vista. Estes golpes de Estado xudiciais, venhem sendo muito frequêntes ultimamente, dentro da órbita norte-americana. Conseguirom com isto arruinar a brilhante carreira do ex primeiro-ministro, e birlar-lhe a presidência da república, mas apesar de tudo, “as dereitas” non lograrom fazer-se com o goberno, e o Cavaco e Silva, anda para aí a ladrar inutilmente. Xesus! Xesus! ¡¡Quanta afliçao!!

Os passeios pola cidade, passarom da aventura prazenteira, para a clandestinidade mais absolucta. Ainda que, continua habendo bastante turismo, sobre tudo de raparigas xovens e atractivas (que qualquera lhe chama à atençón, sem lhe cair um acoso sexual). Necessário é esquivar as autoridades sedentas de cacau, pois nos podem cair duzentos euros de gorxeta.

Tendo em conta a tradicional tolerância dos povos ibéricos para com a estranxeiría, sobre tudo a femenina. E a educaçón em xeral dos polícias portugueses, que buscam a discreçón e molestar o menos possíbel a cidadanía viandante, a situaçón resulta bastante normal, tanto no movimento das pessoas pola cidade, como nos “passeios sanitários” (dos quais às vezes abusamos um pouco), chegando a percorrer toda a cidade a pé, sem ver qualquer autoridade, e de repente passar por diante das comissarias sem que haxa qualquer problema. Xesus! Meu Deus! ¡¡O mundo está perdido!!

Desta vez, non há restaurantes! O qual non é pérda pequena! Non obstânte, non há que desesperar, sempre se encontra algunha maneira de burlar o cerco. Pode-se ir ós melhores lugares e encomendar comida para casa.

Como poderá observar, a porta non está totalmente pechada.

Mas, se non quer meter o nariz nas portas mal pechadas, poderá comer um montón de trapalhadas, bastante saudáveis por certo.

Um cortiço do Intendente, bastante povoado por xentes orientais.

A porta do Bristol, xá perdeu toda a sua vida.

A Liberdade xá non existe, agora só nos queda a “dictadura dos médicos”.

Neste lugar, trabalhou bastânte xente de Guillade.

As árbores da cidade ván colhendo anos, e parecem agradecer este clíma benígno.

O Centro Galego de Lisboa, solitário e demasiado arrimado à hostelaría.

A natureza non para, entre a luz e as cores mornas das casas.

Os xacarandás, ainda non están em flor na rua dos antiquários.

A suáve beleza do xardim de San Pedro de Alcântara.

A beleza arquitectónica da cidade é um dos seus maiores encantos.

A fina estâmpa do Palácio Ratón.

O Liceu Passos Manuel, um soberbo edifício público.

Morra o Dantas, morra! Pín!

Unha das cousas melhores destas viáxes, é que se passa quinze dias sem tocar o televisor.

Non sei bem porque, mas sempre estive namorado desta pequena deusa exípcia, com um espântoso candeeiro eléctrico nas máns.

Adeus Lisboa, adeus “Dictadura dos Trafulhas”, é unha tristeza!

SÔBOLOS RIOS QUE VAO

ARISTÓTELES (CORPUS ARISTOTELICUM)

De acordo com o que nos diz Dióxenes Laércio em Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres, Aristóteles escrebeu quatrocentas e quarenta e cinco mil duzentas e setenta linhas, distribuídas por inúmeros tratados. No entanto, o que nos chegou é apenas unha escassa quinta parte dessa colossal obra. Entre os fragmentos que se conservaram, incluem-se amostras de quase todos os seus textos. Apesar de que actualmente também se costûma classificar por etapas cronolóxicas, para mostrar a evoluçón do seu pensamento defendida por alguns especialistas dos séculos XIX e XX, a classificaçón mais habitual divide as suas obras de acordo com os seus destinatários, o que determinava tanto o estilo como os temas. De acordo com essa classificaçón, os escritos dividem-se em dous grandes blocos: Os esotéricos ou pedagóxicos eram dirixidos aos “iniciados”, isto é, aos alunos. Eram, na sua maioria, notas de aulas e apontamentos que Aristóteles utilizaba para as suas liçóns e que foi revendo e completando com o tempo. Tratabam em profundidade os temas mais complexos e de maior interesse para quem se consagraba ao estudo, como a física, a metafísica, a lóxica, as ciências, bem como a ética ou a política, com unha abordaxem muito rigorosa. Eram libros de texto, escritos polo próprio mestre. A imensa maioria das obras que se conserva de Aristóteles é deste tipo. Os exotéricos, também chamados populares, eram, por outro lado, textos destinados à divulgaçón. O seu público-alvo, cidadáns com um certo interesse polo conhecimento, mas sem a formaçón avançada em filosofia que possuía o grupo selecto de discípulos, era muito mais vasto do que o dos textos destinados às liçóns no Liceu. Por essa razón, a linguaxem era muito mais acessíbel e os temas tinham um interesse mais xeral, como a retórica, a arte ou alguns elementos de política. Das obras “para o grande público” só se conservam alguns títulos, fragmentos e referências de outros autores que permitiram reconstruir, até certo ponto, algunhas delas. Esta classificaçón em escritos “esotéricos” e “exotéricos” debe-se ao peripatético Andronico de Rodes, que, no século I a. C., compilou e catalogou o que até esse momento era apenas unha colecçón de escritos (em rolos de papiro) sem ordem concreta algunha, para realizar o que se considera ser a primeira ediçón crítica das obras de Aristóteles. A classificaçón por matérias, a ordem dessa classificaçón e o título de muitas das obras, como a Metafísica (polo facto de aparecer “além (depois) da física”) propostos por Andronico mantiverom-se practicamente intactos até aos nossos dias. É o que se conhece como o “Corpus Aristotelicum”.

P. RUIZ TRUJILLO