Arquivos mensuais: Outubro 2020

ESCRITORES HISPÂNOS (JOSÉ SIXTO ÁLVAREZ)

Álvarez, José Sixto (Gualeguaychú, 1858 -1903). Escritor arxentino autor de contos costumbristas e libros de viáxes. Utilizou o pseudónimo de “Fray Mocho”. Estudou no Paraná e estabeleceu-se como xornalista em Buenos Aires por perto de 1879. Colaborou no “El Nacional”, “La Pampa”, “La Patria Argentina” e “La Nación”, sendo fundador da revista “Caras y Caretas”, que despois publicou alguns contos de Güiraldes. Em 1906 publicou em forma de libro “Cuentos de Fray Mocho”, onde recolhia algunhas narraçóns publicadas na sua revista. A maioria das suas obras forom circunstanciais, mas todavia se lem: “Un viaje al país de los matreros” (1897), sobre a província de Entre Rios; “Memórias de um vijilante” (1897), baixo o pseudónimo de “Fabio Carrizo”, e “Vida de los ladrones célebres y sus maneras de robar” (1887) que, como as “Memórias”, escrebeu a partir das suas experiências como oficial da polícia.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (HERNANDO DE ALVARADO TEZOZOMOC)

Alvarado Tezozomoc, Hernando de (México, c. 1520-d 1598). Tezozomoc foi filho do penúltimo emperador azteca, Cuitláhuac. Escrebeu em fala castelán unha “Crónica mexicana” que probabelmente debía comprehender duas partes: unha que descrebia a história dos povos indígenas até à chegada de Hernán Cortês, e unha segunda que narraria a conquista. Esta probabelmente nunca chegou a ser escríta. A primeira parte foi publicada por lord Kingsboroug em 1848 em “Antiquities of Mexico” e foi traducida ao françês e publicada em 1853. A obra é a miúdo obscura e está escrita em castelán bastante rudimentário. Como Alva Ixtlilxóchitl, Tezozomoc carecía de um sentido histórico da cronoloxía, pois a ambos lhes resultaba difícil acordar o antigo calendário indígena com o gregoriano. Segundo Orozco y Berra, “a Crónica de Tezozomoc apresenta a lenda na sua prístina sinxéleza; tem o sabor dessas relaçóns conservadas desde tempos remotos polos povos selvaxens, transmitidas de xeraçón em xeraçón… pinta as façanhas e as costûmes dos heróis – narra as causas que motivarom as guerras e os resultados destas… os diálogos som naturais, o estilo é duro, descuidado, próprio dos povos aos quais pertence…”. A fonte na qual se basou Alvarado Tezozomoc foi, como no caso da “História de las Indias” de Durán, a “Relación del origen de los indios que habitam esta Nueva España según sus histórias” de um historiador anónimo que foi seguramente um indígena seglar.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (HUBERTO ALVARADO)

Alvarado, Huberto (1925). Poeta guatemalteco que escrebeu no seu primeiro libro, “Sombras de sal” (1947), um sincero homenaxe ao home como centro do universo. Também publicou ensaios literarios e políticos e foi fundador do grupo “Saker Ti”, que continuou, de maneira mais radical que o grupo “Acento”, a renovaçón artística em Guatemala.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (FERNANDO DE ALVA IXTLILXÓCHITL)





Alva Ixtlilxóchitl, Fernando de (Teotihuacán, México, 1568 – 1648). Historiador e descendente do rei de Texcoco e do imperador de México. Estudou no coléxio de nobres indíxenas de Santiago de Tlatelolco. Escrebeu a “História chichimeca”, também conhecida como”História general de la Nueva España” (México, 1891-1892). Os seus materiais forom os antigos códices dos seus maiores e a informaçón oral que recabou entre os anciáns que tinham sido testemunhas da história. Também é o autor da “Relación de pobladores”. Ambas obras forom escritas em fala mexicana. De el afirmou García Icazbalceta: “oxalá houbera escríto menos, com mais detenimento e atençón à cronoloxia, porque resulta quase impossíbel seguí-lo no labirinto das suas relaçóns”. A visón que ofrece Ixtlilxóchitl da história é a texcuucana, polo que para conhecer minimamente a verdade, haxa que comparar a sua obra com a mexicana escrita por Alvarado Tezozomoc.

OXFORD

BERGSON (DO LICEU CONDORCET À ÉCOLE NORMALE)

Como adolescente, foi um proeminente alumno do Liceu Condorcet, um dos mais antigos e prestixiados da capital francesa. Aí beneficiou de unha formaçón integral, igualmente esixente em ciências e letras, na exactidón e na composiçón, o que xerou unha certa tensón entre os seus professores quando o aconselharam sobre a sua escolha posterior. Aos 18 anos, non por acaso, foi escolhido para ingressar na École Normale Superieure, instituiçón criada após a Revoluçón e potenciada por Napoleón, que ainda hoxe se encarrega de selecionar os melhores alumnos para os transformar na vanguarda docente da França. Quando se decidiu polas letras, o seu professor de matemática entoou um célebre e profético lamento: “você teria sido um matemático; agora non será mais que um filósofo”. Bergson ganhara, meses antes, o prémio nacional do importante Concurso Geral de Matemática ao apresentar a soluçón para um problema de Pascal sobre círculos tanxentes. Esta foi, ironicamente, a primeira publicaçón de um autor chamado a pôr a descoberto os abusos da ciência do seu tempo. Xá na École Normale, fez parte de unha turma histórica que incluía o sociólogo Émile Durkheim, o psicólogo Pierre Janet e o político socialista Jean Jaurès, com quem manteve unha tensa rivalidade polas melhores notas e polo reconhecimento dos seus companheiros. Em certa ocasión, um dos seus professores teve a divertida ideia de que se enfrentassem em público: Jaurès reconstruiria um discurso perdido de Cícero, e Bergson teria de refutá-lo. O choque foi um espectáculo que evidenciou a diferença de temperamentos. Se Jean deslumbrou os seus camaradas pola sua cordialidade e eloquência, fazendo com que eles explodissem em sonoros aplausos, a réplica de Henri foi proferida com tal destreza argumentativa que quando terminou fixo-se um silêncio de assombro: o edificio do seu rival tinha sido meticulosamente e totalmente demolido. Embora o político tivesse sido sempre mais carismático durante os estudos, o filósofo impôs-se no final da licenciatura. Durante estes anos, o xovem permaneceu fiel “sem reservas” à filosofia evolucionista de Spencer. Essa doutrina encarnava o orgulho dos cientistas perante a anacrónica modéstia dos seguidores de Kant e o ecletismo vago de certos espiritualistas franceses, concentrados à volta do influente burocrata Victor Cousin, que Bergson detestaba. Entre tanto conformismo, à sua ambiçón faltava-lhe ar. Para uns, de facto, Kant tinha deixado tudo tán bem feito, que à filosofía xá non lhe restava qualquer marxem de inovaçón. Tudo o que fosse questionar a relactividade do nosso conhecimento era cair novamente em velhos delírios. Para outros, em consonância, filosofar era entoar esgotados discursos que sintetizavam “ad nauseam” as ideias existentes e cantavam as virtudes da relixión histórica. Um pobre consolo para a derrota.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

A LÍRICA GALEGO-PROVENÇAL

Na península producem-se dous importantes núcleos de poesía lírica: o galego e o catalán, âmbos tidos por filhos da poesía provençal, tradicionalmente admitida como a primeira manifestaçón lírica da Europa medieval e mêstra, portanto, de toda a lírica em fala romance. O seu priviléxiado empraçamento em terras férteis de clima suave, e o seu alonxamento de perigosas zonas de guerra, com a riqueza conseguinte e a vida fácil que de tudo isto se deriba, fixerom da Provença um lugar ideal para o cultivo da poesía. Neste ambiente floreceu a partir do século XII unha brilhante escola de trovadores cortesáns, cuxo influxo e maxistério se estendeu por todas as naçóns da Europa. Guilhermo de Poitíers, duque de Aquitania, que vivíu de 1086 a 1127, é o primeiro trovador de nome conhecido, e as suas composiçóns – segundo as palabras do famoso investigador provenzalista Alfredo Jeanroy -, som as mais antigas da poesía lírica nunha fala moderna. Caracterizabam esta poesía o seu refinamento e artificiosidade, a idealizaçón da mulher, a complicaçón e variedade da sua métrica e o rebuscamento na expresón; tudo o qual facía dela um xogo elegante e culto de manifesto estilo cortesán. Como xéneros principais criou a “cançón”, de asunto amoroso; o “serventesio”, de intençón satírica; e a “tensó”, “disputa” ou “partiment”, onde o enxenho dos poetas se esgrimía em torneios verbais sobre os mais variados temas. Esta poesía provençal influiu directamente sobre a poesía catalán, que viria a ser como unha prolongaçón artística e xeográfica daquela (desde os estudos de Milá e Fontanals, a vinculaçón da lírica catalana à provençal constituia um capítulo concluso e seguro da nossa história literária). À Galiza, em câmbio, chega o influxo da Provença através do caminho de Santiago; a afluênça de peregrinos de todos os países que acudíam a visitar a tumba do Apóstolo, atraíu à Galiza grande quantidade de trovadores provençais em busca de público ouvinte para os seus cantos; o seu exemplo, favorecido polo temperám desarolho da fala galega, a especial disposiçón dos seus habitantes e a riqueza e paz daquela esquina igualmente priviléxiada, suscitou a apariçón de unha grande corrente trovadoresca com rasgos muito peculiares, mas substancialmente imitados da lírica provençal. O conxénito sentimentalismo do povo galego e a doçura da sua fala infundirón naquela lírica importada a sensibilidade característica do país; bem entendido que non quedaba ésta limitada ao chán galego, senon que se extendeu a terras portuguesas para formar com esta unha naçón poética. Estas duas terras líricas peninsulares conservam textos bem conhecidos: na catalán, a obra dos seus trovadores; na galega, os três famosos cancioneiros: D’Ajuda; Da Vaticana e de Colocci Brancutti, recopilados no século XIII, contenhem unha esplêndida colecçón da lírica da época. Aquela e esta som manifestaçóns de unha lírica cortesán e aristocrática, composta segundo as régras da “gaya ciência” provençal. Três principais clásses de cançóns, som as que se encontram nos citados Cancioneiros galego-portugueses: As “cantigas de amor”, em que os cabaleiros se lamentam do desdém da amada ou dos rigores da sua ausência; as “cantigas de amigo”, postas em boca da xovem namorada que chora também a ausência do amado, fazendo confidências à sua nái ou amigas, ou dialogando com as aves ou as árbores; e “cantigas de escárnio ou de maldicer”, equivalentes aos “serventesios” provençais – “crónica escandalosa ou burlesca da corte” – , sátiras contra pessoas principais, poetas rivais, damas casadas ou doncelas. A métrica destas composiçóns é muito variada (nela tem especial interés o endecasílabo chamado “de gaita galega”, cuxo ritmo era apropriado para o canto e a dança) e os seus asuntos desarrolham-se, polo comum, nunha forma artificiosa, de grande habilidade técnica; a miúdo o estilo, “mais que lírico é razoador e trabalhado por frequentes conxunçóns”, segundo afirma Menéndez Pidal. A ausência de raízes populares e autóctonas nesta poesía daba-se num princípio por descontada; pesse ao qual, o próprio Menéndez y Pidal advertíu xá logo a presença de elementos populares “de rara inxenuidade e beleza”, que non parecíam chegados do sul da França. Menéndez Pidal nos seus primeiros estudos sobre as oríxes da nossa lírica ampliou e aprofundou sobre estas conclusóns. Os poetas galego-portugueses – afirma – esquecem às vezes as regras da poesía provençal, “abandonan a estrofa âmpla e complicada e cantan nunha estrofa curta ou em pareado apoiado por um estribilho. Entón a expresón poética toma grande soltura lírica e vivifica-se por um sentimento que, descuidado xá de todo artifício, fluie sincero, fresco, candoroso, cheio de verdadeira emoçóm”. Este fenómeno produce-se especialmente nas “cantigas de amigo”, que tomam entón a forma típica do paralelismo: “o lirismo desborda em repetiçóns; éstas agrupam entre sí dous pareados iguais na ideia, iguais quase nas palabras, salvo com rima diversa, formando así um acorde musical de duas frases paralelas; a estes pareados xemelos seguem outros dous, que repetem a metade dos anteriores, e nestas reiteraçóns insistentes o efeito da alma dilata-se, remansa-se, repousa. A repetiçón paralelística adquire na lírica galaico-portuguesa um predomínio muito característico; non obstante, com menos desarrolho é também conhecida em muitas literaturas, pois é muito humano que a linguaxe simples dos grandes efeitos non se sacie de repetir a sua sinxéla expresón emotiva”. (Logo quedará de manifesto a importancia de tais palpitaçóns da lírica popular que se auscultam no meio da habitual artificiosidade dos cancioneiros galego-portugueses mencionados; elas demostram a existência de unha primitiva lírica, popularmente espontânea, anterior aos influxos provençais.) Polo que atanhe à lírica castelán deu-se muito tempo por concluso o capital influxo que a lírica galega tinha tido nas suas orixens. Até finais do século XIV ou começos do XV os poetas de Castela tinham recorrido ao uso do galego para expresar os seus sentimentos líricos. Alfonso o Sábio, autêntico criador da prosa castelán, tinha escrito em galego as suas “Cantigas a la Virgen”, e os mais antígos poetas do Cancioneiro de Baena cultivabam todavía o galego ou o alternabam com os seus primeiros tanteos em castelán, sendo necessário chegar aos mais modernos da colecçón para encontrar-nos com exclusivos cultivadores dessa fala. Em consequência, a lírica castelán tinha recebido da galega, com o impulso de quem a orixinaba, non só o seu espírito senón todas as regras da sua arte, os xéneros líricos, a variedade das suas cançóns e as combinaçóns métricas.

J. L. ALBORG

¡QUE NADA SE SABE! (39)

Xá ouviste a opinión dos filósofos. Mas sabes que, segundo a fé, o contrário é totalmente verdadeiro: que o mundo non só foi criado, senón que hade ter também fím, ao menos segundo as qualidades que agora tem. Porque non será aniquilado, conforme aquilo do profecta real: “E os cambiarás como se muda unha manta, e serán cambiados, etc…”. Isto, na verdade, sabe-se por revelaçón, non por razoamento humano, pois isto último nem sequer é possíbel. De ahí que o divino lexislador Moisés, inspirado polo sopro divino, começe divinamente a sua divina história pola criaçón do mundo, totalmente ao contrário de como o fixo Plinio. Por isto, algunha disculpa tem a opinión dos filósofos, mas non a obstinaçón em non acreditar e a contumácia contra a fé. Mas, voltando ao nosso tema. Há também outra causa da nossa ignorancia: a entidade de algunhas cousas é tán grande que em modo algum pode ser percibida por nós; a este xénero pertencem o infinito dos filósofos – se é que isso sexa algo – e o nosso Deus, do qual non cabe medida algunha, nem limíte, nem, em consequência, comprehensón algunha por parte da nossa mente. E non sem motivo, porque debe existir unha proporçón certa entre quem compreende e o comprehendido, de tal maneira que o que comprehende é maior que o comprehendido ou sequer igual (ainda que isto, a saber, que o igual compreenda a outra cousa igual, parece que dificilmente pode acontecer, como veremos no tratado “De loco”; mas, concedámo-lo agora). Agora bem: non há proporçón algunha entre nós e Deus, ó igual que non a há entre o finito e o infinito, nem entre o corruptíbel e o eterno; ao fím de contas, em comparaçóm com el, somos mais bem nada que algo. Por esta mesma razón. El conhece-o todo, posto que é maior, superior e mais alto que todas as cousas, ou, melhor dito, non vai parecer que o comparo com as criaturas, el é o máximo, o supremo, o altíssimo. As cousas que están mais perto deste supremo artífice som também, pola mesma razón, desconhecidas para nós.

FRANCISCO SÁNCHEZ

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (107)

DA SANGRÍA

Quatro cousas há que observar (segundo Avicena) a respeito da sangría. A saber: o tempo, a idade, a costûme, a fortaleza do suxeito paciente. Mais adiante afirma o próprio Avicena, que se terám em conta duas horas para a sangría: A hora da eleiçón e a hora da necessidade. A hora da eleiçón, conveniente para sangrar, tem de ser unha hora quente, que vem a ser despois de bem saído o sol, xá com a dixestón feita e acabada e despois de expedidas as superfluidades. Para esta hora electiva, som boas e necesárias as advertências dos doutores e sábios astrólogos. Em quanto à hora da necessidade, vem dictada pola urxência, e pode ser: por unha fêbre muito aguda; unha esquinência; um frenesí; unha apoplexía; ou outras doênças semelhantes, as quais non admitem prórrogas nem consideraçóns astronómicas, porque estas enfermedades podem acabar com a vida dos homes num instânte. Tendo em conta a hora da eleiçón, e de acordo com as regras dos peritos médicos no tocante à idade e tempo, afirmamos com Ptolomeu (in conviloquio, verbo 20), que é cousa perigosa e temerária sangrar estando a Lua no signo predominante. Para os coléricos é de muito proveito a sangría que se faga estando a Lua em signos àqueos como som: Carangexo, Piscis, e Scorpio durante os últimos quince gráus. Para os flemáticos, será de grande utilidade a sangría feita estando a Lua em signos cálidos (excepto Leo) como som Aries e Saxitário. Aos melancólicos combém sangrar quando a Lua estiver baixo signos àqueos (excepto Xéminis) como som Libra e Aquário. E finalmente os sanguíneos, que se podem sangrar em qualquer signo em que estexa a Lua, guardadas as regras da medicina e advertências astronómicas. As ventosas, podem ser aplicadas baixo qualquer signo no que estexa a Lua (excepto em Tauro) a causa disto vem a ser, por passar parte deste signo por certas estrelas que som da natureza da morte.

MANUEL CALVIÑO SOUTO

ROUSSEAU (QUANDO E ONDE)

Também non deixa de ser fundamental, non xá “quando”, mas “onde” nasceu Rousseau, posto que aconteceu em Genebra; de facto, gostaba de assinar as suas obras como “o cidadán de Genebra”. As paisaxens idílicas daquelas terras deixar-lhe-ian unha marca tán indelébel como o orgulho de se sentir cidadán. Genebra tinha (ia dizer que ainda tem, dada a sua proverbial neutralidade nas duas guerras mundiais e o seu indiscutíbel poderio financeiro) um significado simbólico em termos políticos que excedia, em muito, a sua dimensón e peso económico real. D’Alembert, no artigo “Genebra” da Enciclopédia, que data de 1758, escrebe cousas como estas: “É assaz singular que unha cidade com apenas 24.000 almas e cuxo território é muito pouco extenso non deixe de ser um Estado soberano e unha das cidades mais florescentes da Europa. Rica pola sua liberdade e comércio, os acontecimentos que axitam a Europa som para ela somente um espectáculo que contempla sem se imiscuir. Genebra oferece um quadro tán interessante como a história dos grandes impérios”. Claro que Genebra era um ilhéu republicano e protestante no meio de unha Europa monárquica e intransixentemente católica. Genebra tinha alcançado nessa época um dinamismo excepcional, tal como antes o tinham feito outras pequenas cidades-estado, como Atenas, Veneza ou Florença. Além de outros refinamentos artesanais, os seus relóxios xá eram famosos e muito apreciados em todo o mundo. Mas também foi um esplêndido laboratório de ciência política. Ao longo da sua história, a cidade fora dotada de organismos distintos, como o Conselho Xeral, que anualmente elexía os administradores responsábeis pola xestón perante a comunidade, ou o Conselho dos Duzentos, encarregue de nomear os membros do Pequeno Conselho, que non só exercia o autêntico poder, como, por sua vez, cooptaba os integrantes do Conselho dos Duzentos. O povo era nominalmente soberano, mas apenas os cidadáns podiam aceder ao Pequeno Conselho e às maxistracturas; excluídos ficavam os meros burgueses que tinham comprado os seus direitos, à marxem de serem habitantes ou nativos. No entanto, num texto datado de 1734, intitulado “Representaçón dos Cidadáns e Burgueses de Genebra”, eram postulados alguns princípios que encontram um certo eco em “O Contracto Social” de Rousseau: “O povo de Genebra é libre e soberano, mercê da revoluçón que se seguiu à introduçón da Reforma nesta cidade. Nascemos libres e soberanos, toda a autoridade de que goza o nosso maxistrado é recebida do Conselho Xeral e debe ver-se limitada polas leis que este prescrebe, às quais non lhe está permitido esquivar-se”. Desde que abandona Genebra, em 1728, e chega a París em 1742, Rosseau vive a maior parte do tempo em Saboia, o que o fez converter-se durante um tempo ao catolicismo, fazendo-o perder a sua cidadania orixinal. A escolha de Saboia, onde conheceu dous abades que inspirariam “A Profissón de Fé do Vigário Saboiano”, implicaba unha autêntica transformaçón relixiosa e cultural, graças à qual Rousseau realizou um duplo traxecto relixioso e social que, além disso, foi de ida e volta, dado que voltou a subscreber o protestantismo.

ROBERTO R. ARAMAYO

O FADO (A MORTE DE AMÁLIA)

A cinco de Outubro de 1999, Amália Rodrigues morre e Portugal fica de luto durante três dias. Centenas de milhares de admiradores comparecem no seu funeral para um último adeus à maior artista de sempre da história da música portuguesa e unha das grandes figuras que marcaram a cultura do século XX. Amália Rodrigues é trasladada dous anos depois para o Panteón Nacional, sendo a primeira mulher a merecer tais honras. O legado de Amália prevalece, non há fadista que non a cante. É a grande musa de todas as xeraçóns vindouras, muito a ela se fica a dever o reconhecimento do fado e da cultura e fala portuguesa no mundo. Este ano ficaria também marcado polos primeiros rexistos discográficos de Hélder Moutinho e Mafalda Arnauth. Hélder Moutinho estreia-se com o disco Sete Fados e Alguns Cantos, defendendo o fado como música portuária em constante evoluçón. Hélder Moutinho tem acrescentado alguns novos ingredientes quer por via da instrumentaçón, composiçón ou com convidados de outras áreas musicais. Vindo de unha família com tradiçón fadista, é de salientar os seus irmáns Camané e Pedro Moutinho, apesar de terem estilos diferentes todos congregam no fado o seu denominativo comum. Conta somente com três discos gravados, talvez pola sua capacidade de se desdobrar em várias actividades distintas como o canto, a escrita ou a produçón, xerindo também ele a carreira de alguns fadistas conhecidos. Um percurso versátil mas interessante, com alguns prémios polo caminho. Nestes anos, o fado fervilhaba e captaba em crescendo o interesse das editoras multinacionais, a EMI editaba entón o disco de estreia de Mafalda Arnauth, obtendo imediato sucesso vindo a marcar a carreira da fadista compositora, valendo-lhe alguns prémios e nomeaçóns que viria a ter nos anos seguintes. Surxiria também como compositora no seu terceiro disco, Encantamento, faceta que continua nos discos seguintes perfazendo até à data sete. Com um traxecto regular do ponto de vista editorial e de espectáculos ao vivo quer em Portugal quer no estranxeiro, verifica-se em 2009 a sua primeira incursón fora do fado no proxecto Rua da Saudade cantando poemas de Ary dos Santos. Nos anos noventa, aparecem vários artistas que solidificam as suas carreiras, atinxém um sucesso notábel à escala global, e todos eles practicamente internacionalizaram-se. O fado recupera a sua vitalidade do marasmo dos anos setenta e oitenta e assume protagonismo perante outras músicas. No seu todo artístico, conquistou os palcos do mundo e ganhou públicos mais xovens. Este novo fado representa unha metamorfose do passado para o futuro, indo abrir novos caminhos neste novo milénio.

FADO PORTUGAL

PLOTINO (CRIMES, VIOLÊNCIA E MISÉRIA)

Como para Plotino, ao contrário de Aristóteles (que tinha definido o ser humano como “o animal político”), a actividade política xá non era algo em que se pudesse realizar (pois essa acçón na “polis” tinha ficado impossibilitada e degradada pola corrupçón, pola violência e pola distância dos lugares onde se tomabam as decisóns importantes), non lhe restou melhor opçón do que refuxiar-se na contemplaçón (théoria), à qual atribuiu unha componente evasiva. Esta contemplaçón versaba sobre as realidades divinas e eternas, que desde o platonismo eram representadas non somente polos astros do céu, como polos seres intelixíveis: as “Formas” ou “Ideias”, que som captadas xá non por um acto que tenha lugar no espaço e no tempo, como ocorre na “práxis” (tocar um instrumento, dançar, interpretar um papel teatral, argumentar perante um tribunal…), mas, polo contrário, unha intuiçón instantânea, puramente intelectual que suprime o espaço e o tempo, afastando-se assim, de passaxem, do encadeamento de crimes, violência e miséria que aos olhos de Plotino tem lugar nesse funesto cenário. Começamos a aperceber-nos, portanto, de que para ele, a acçón (práxis) só pode ser unha “contemplaçón degradada ou empobrecida”

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

AGRARISMO E OBREIRISMO NO CONDADO

As finalidades agraristas concretábam-se em 1930 nunhas aspiraçóns agropecuárias (melhoras de maquinária; abonos para os asociados; seguros mútuos; axudas municipais; revisón de frêtes; destilaçón libre de bagazos; luta contra as adulteraçóns; fomento de vías…). E unhas aspiraçóns educativas (ensino obrigatório; construçón de escolas; clásses nas escolas relacionadas com a agricultura; escolas especializadas; destinar à Galiza os mêstres que conheçam o idioma galego). A estas ideias xerais estabam adscríptos, quanto menos, as sociedades agrárias e sindicatos agrícolas de: Padróns, Pias, Cristinhade, Areas, Arcos, Fontenla, Pontareas, Guláns, Ribadetea, Moreira, Casteláns, Frades, Lira, Gargamala, Fornêlos, Pesqueiras, Mondariz e Salvaterra. Estas integrábam-se na chamada Federaçón Agrária de Pontareas, que se rexía por uns estatutos que, reformados no 1930, marcabam claras pretensóns políticas eleitorais, regulando o sistema interno de designaçón de candidatos para presentar a “concegales” ou diputados. Da Federaçón emanaba um Comité Político-Administrativo que entendia de questóns eleitorais, composto por “tantos delegados como porçóns de cinquenta ou fraçóns que componham as asociaçóns federadas…” (ponto 1). E “unha vez proclamados candidatos, estes estaram suxeitos à acçón cidadán a que lhes obrígue o Comité, até ao dia mesmo da eleiçón, e se resultaram triunfantes, deberam soster e defender com preferência nos municípios, províncias e cortes, o programa mínimo das asociaçóns afectas ao Comité” (Ponto 13). Tudo isto era o resultado das experiências dum asociacionismo que tivera que loitar a cotío, primeiro sem êxito e depois com el, contra a infiltraçón de elementos conservadores, num intento de desvirtuar os autênticos nûcleos agraristas, a través do confusionismo. Os métodos mais empregados consistiram em contrarrestar o agrarismo “organizando também sociedades (copiando inclúso os regulamentos) ou infiltrando-se nelas para utilizar as suas forzas. Podendo-se así dar o caso de que sociedades e sindicatos criádos para redimir aos agricultores, chegaram a ser instrumentos dos próprios elementos que tanto os tinham combatido”.

PUBLICADO EM A PENEIRA (ANO I – 1984)

ESPINOSA (PARADOXO DO DETERMINISMO E DA LIBERDADE)

Paradoxo do determinismo e da liberdade: Espinosa é um pensador determinista, segundo o qual tudo o que acontece é necessariamente causado e non poderia ser de outra forma. Mas, ao mesmo tempo, como filósofo moral, Espinosa afirma a liberdade. É claro que non é a liberdade tal como a conhecemos hoxe em dia. Paradoxo das influências contrárias: os marxistas adoptarom-no como precursor do materialismo histórico; os hegelianos, como precursor do idealismo absolucto. Paradoxo do estudioso da Bíblia: nega que existissem milagres e que um Deus transcendente se rebelasse contra a Humanidade, que o povo xudeu fosse o escolhido e que a Bíblia fosse inspirada pola divindade, ao mesmo tempo que denuncia o potencial da relixión oficial para orixinar conflictos e desestabilizar o Estado. Dedicou longos anos da sua breve vida à interpretaçón da Bíblia e ao estudo da história do povo xudeu.

JOAN SOLÉ

LITERATURA CLÁSSICA LATINA (12)

A pesar do elevado número de versos que ficarom (ao redor de sessenta, mas ningúm fragmento excede dos três versos), resulta difícil captar o sentido real do “Bellum Poenicum” de Nevio. Isto debe-se em grande medida à ausencia de fontes de axuda como a que a poesía homérica da à apreciaçón da Odyssia. Mas Nevio, escrebendo nos seus últimos anos, aportou um rasgo que dominaria a poesia romana e que haberia sido explorado polos dramaturgos romanos: foi a fusón de materiais gregos e romanos nunha unidade o que formou um mundo de ideias que non era grego nem romano, mas que ofertou unha liberdade, desconhecida até entón, ao xogo da imaxinaçón poética. Estilisticamente Nevio dependia muito de Livio, ainda que foi muito mais lonxe que el na imitaçón directa dos compostos homéricos. Mas xá que os fragmentos som em grande medida históricos em quanto ao tema, causa unha impresón mais forte de prosaísmo em Nevio. Non obstante isto non deberia malentender-se: em contraste com a épica histórica grega, representa o ênfase que o poeta romano pôn na exactitude dos feitos ao narrar unha guerra na qual el mesmo tomou parte ( e assim o afirma no poema). A história contemporânea e a mitoloxia grega, principalmente a base mítica e prehistórica de Roma e Cartago, estabam unidas por primeira vez e de unha forma exemplar no “Bellum Poenicum”. Isto logrou-se, probabelmente (seguindo até certo ponto os modelos homéricos), mediante series de digresóns apropriadas respeito à narrativa histórica. Esta técnica foi usada frequentemente por Virxilio, em quem esta obra tivo unha profunda influênça – influencia que pode comprobar-se da maneira mais interessante incluso no testemunho dos escasos fragmentos que ficarom. O inconveniente fundamental com que Livio e Nevio trabalharom debeu ser o verso saturnio, com a sua desigual combinaçón de ritmos yámbicos e trocaicos que dividia cada verso em metades previssíbeis; non habia comparaçón com o fácil fluir do hexámetro. A eleiçón deste metro para a épica debeu ver-se forzada polas condiçóns romanas, feito que se xunta ao testemunho da existência de um tipo de cantos épicos na antiga Roma.

E. J. KENNEY E W. V. CLAUSEN (EDS.)

LEIBNIZ (CONSILIUM AEGIPTIACUM)

A demora da Corte de Mogúncia na sua execuçón contribuiu, sem dúvida, para o fracasso da missón diplomática de Leibniz. Desde o início de 1671 que o eleitor de Mogúncia tinha entrado em negociaçóns com a França, mas os obstáculos para que Boineburg e Leibniz fossem a França iam-se sucedendo: a morte do ministro dos Negócios Estranxeiros gaulês obrigou-os a adiar a viaxem até que Simon Arnauld de Pomponne ocupou o seu cargo em Xaneiro de 1672; mas, entón, a visita diplomática do barón xá era supérflua, pois Luís XIV tinha enviado em Decembro de 1671 um embaixador a Mainz para comunicar a sua intençón de atacar a Holanda e de pedir autorizaçón ao eleitor para que os barcos pudessem circular libremente polo Reno, bem como a sua influência sobre o imperador e os príncipes dos estados alemáns para non interferirem na disputa. Apesar de tudo, Boineburg decidiu que Leibniz apresentasse secretamente o proxecto na Corte francesa, ao mesmo tempo que se asseguraba do pagamento das rendas e da pensón que lhe eram devidas. Com este obxectivo Leibniz enviou unha breve nota ao rei, a vinte de Xaneiro de 1672, expondo-lhe as vantaxens que poderia obter de “unha certa empresa” que o autor do proxecto gostaria de poder discutir pessoalmente com um representante nomeado polo rei. Este plano de expediçón ao Exípto, que representou a primeira encomenda – e fracasso – diplomática de Leibniz, debe ter tido muita importância para o nosso autor, pois, apesar da situaçón adversa, non abandonou a causa, centrando-se entón na salvaçón da Alemanha na disputa através de unha resoluçón de paz com a Holanda, e, em Outubro de 1672, elaborou um documento mais detalhado, que intitulou “Consilium aegiptiacum”, com o obxectivo de que Boineburg o discutisse com o eleitor de Mogúncia.

CONCHA ROLDÁN