
O “annus horribilis” da massacre da noite de San Bartolomeu (1572) coincide com o início da aventura dos “Ensaios”. Estranho início: Montaigne passa quase todo o seu tempo na sua “librairie”, “entre as mais belas bibliotecas da terra”, da qual se sente orgulhoso: mil volumes, dispostos em cinco filas sobre unha estante circular, unha rotunda (Dos Três Comércios, III, 3), formada na xeometria imaxinada e vivida da “tour”. Agora Montaigne pode ler as “Obras Morais” de Plutarco na traduçón de Amyot, que se transformam no seu breviário. Mas deberá interromper pola primeira vez o “bom retiro” em Maio de 1574 para se unir ao exército real em Poitou, xá que o duque de Montpensier o encarrega de negociar com o Parlamento de Bordéus a defesa da cidade perante um eventual ataque huguenote. Entre tantos compromissos políticos e sociais, acaba convencido, tal como expressa em “Da Solidón”, de que o indivíduo debe reservar um espaço espiritual só para sí próprio, na sua intimidade, na profundidade do seu coraçón, “um quarto nas traseiras inteiramente nosso, totalmente independente, no qual estabelecer a nossa verdadeira liberdade, o nosso principal retiro e a nossa solidón”. Um fórum interior, privado e habitual, para se entreter com o próprio eu, fechado à conversa ou comunicaçón com os demais, para reflectir e rir como se non se tivesse família, nem bens, nem servidóns, para estar preparado “quando chegar o momento de os perder” e “non se arrisca a prescindir deles”. Montaigne conhece bem a mordedura daquela privaçón que o levou a construir unha nobre solidón. Xá lhe aconteceu encontrar-se, sem nenhuma defesa, na situaçón nova de lutar contra a dor desesperante da perda de quem non se sentia preparado para “prescindir dele”. O espírito humano é capaz de se retirar em si mesmo, de fazer companhia a sí próprio, tem os meios para atacar e para defender, para receber e para dar: unha solidón sem ócio. Mas o conceito do quarto nas traseiras esixe ao bordalês unha dupla leitura que implique non apenas o âmbito privado, mas também aquele que, do privado, conduze para o político. Nas suas costas e sobre o papel assoma um proxecto também ambicioso, “politicamente privado” de experimentar na solidón non solitária a reconstruçón e a reeducaçón do próprio olhar sobre o mundo e sobre a política, que debe transformar-se em “lexítima e civil”.
NICOLA PANICHI