Arquivos diarios: 13/09/2020

VOLTAIRE (PRESO NA BASTILHA)

Luís XIV, o Rei Sol, morre em 1715, despois de reinar durante setenta e dous anos. Pouco tempo antes, tinham morrido, num curto período, o filho, o neto e o bisneto mais velho; por isso, quem herda o trono é o segundo bisneto. Como este tem apenas cinco anos, é Filipe de Orleáns, um sobrinho do monarca falecido, que assume a rexência, recebendo unhas finanças catastróficas e um povo depauperado polos impostos, um déficit abismal e com o orçamento dos próximos dous anos xá gasto. O economista escoçês John Law, inventor do papel-moeda na Europa, impóm o seu sistema para poupar milhóns na dívida ao Estado. Trata-se de substituir a moeda em dinheiro vivo por papel-moeda garantido polos bens imóveis e lucros de algunha empressa comercial. A banca xeral acabará por ser a da Companhia das Índias. Mas a febre especulativa espalha-se por todo o lado, quando meia naçón encontra a pedra filosofal naquelas montanhas de papel. Voltaire difundirá um poema a insinuar as relaçóns incestuosas do Rexente com a filha, valendo-lhe um novo desterro em Sully-sur-Loire, onde inicia unha aventura amorosa com unha xovem actriz chamada Suzanne de Livry. Dous novos poemas a difamar o governo, dos quais um nem era seu, atiram-no de novo para a Bastilha em 1717, onde permanece quase um ano. É aí que cria o seu poema épico, Henríada, sobre a subida ao trono de Henrique IV, rei de Navarra e primeiro Bourbon de França, que reinou entre 1589 e 1610, depois de se converter do protestantismo ao catolicismo. A personaxem serve-lhe para relatar a factídica noite de Sán Bartolomeu e as guerras de relixión. Diderot disse que a Henríada bem se podia comparar com a Ilíada, a Odisseia ou a Eneida, destacando que é o mais filosófico de todos os poemas épicos no seu conxunto. Hoxe, este libro é practicamente ilexível para um leitor moderno, que non sabe transitar por unha labiríntica rectórica nem está familiarizado com os subentendidos da epopeia culta. Está por descobrir o vehículo mais conveniente às suas alegaçóns relixioso-políticas: unha prosa simples e funcional, extremamente irónica. A Henríada foi mandada imprimir polo rei, para a educaçón do Delfim, exactamente em 1790, e em 1818 foi depositado um exemplar no interior do cavalo da estátua equêstre de Henrique IV, na Pont Neuf de París.

ROBERTO R. ARAMAYO

LITERATURA CLÁSSICA GREGA (ÉPICA CÍCLICA)

Homero e Hesíodo, como únicos sobreviventes da primeira idade da literatura grega, transmitírom tal impresón de unicidade que requere certo esforço recordar que em modo algúm carecerom de rivais e emitadores. A natureza formulária dos seus versos, que implica unha tradiçón poética oral comúm, a recitaçón de Femio e Demódoco na Odisseia e a ocasón da competiçón de Hesíodo em Calcis, tudo isto suxére que o século VIII foi um período de animada actividade poética. Quando na Odisseia, se afirma da boa náu Argos que foi “de interese para todos”, isto alude sem dúvida a algúm tratamento da história dos Argonautas bem conhecido; e o breve resumo da história de Edipo na Odisseia, debe recordar um tratamento mais extenso em outro lugar. Sabemos que muitos poemas épicos primitivos se conservarom desde o período arcaico ó lado das obras de Homero e Hesíodo; em algúm momento (desconhecido) estabam agrupados nunha sequência ou “ciclo” que se iniciaba no mais remoto das oríxens com unha “Teogonía” e unha “Batalha dos Titáns” e que discorría a través das lendas de Tebas e da guerra de Troia. Eran representadas por recitadores profesionais (rapsôdas) em competiçóns de festivais, e deberom de ser muito conhecidos até polo menos bem entrado o século V. Probabelmente o termo “ciclo” era usado orixinariamente para a maior parte da poesía épica narrativa, xá fora homérica ou non homérica; só despois da época de Aristóteles o “cíclico” começou a significar algo essencialmente diferente de “homérico”. De este enorme corpus poético só se conservam unhas breves citas – só uns 120 versos -, mas temos um sumário muito útil da parte troiana do ciclo (extraído de unha obra do século V d. C., a Crestomatía de Proclo). Proporciona a história completa da guerra de Troia, desde o plano inicial de Zeus de aliviar a Terra do exceso de povoaçon, até à morte de Ulisses, (e os extranhos desenlaces matrimoniais: Penélope e o filho de Ulisses, Telégono, e Circe e Telémaco). Os mitos mesmos debem ser sobre tudo muito antigos, como podemos deducir das referências alusivas a eles dentro da Ilíada e da Odisseia; Os Dióscuros; Cipríada; o Cabalo de Madeira, mas está claro que muitos dos poemas do ciclo forom composto mais tarde que os poemas épicos homéricos, probabelmente nos séculos VII e VI, e som nomeados muitos autores ademais de Homero. De acordo com Proclo, o ciclo troiano compreendia: Cipríada (11 libros); Ilíada; Etiópida (5 libros); Pequena Ilíada (4 libros); Iliou persis, “Saqueo de Troia” (2 libros); Nostoi, “Voltas a casa” (5 libros); Odisseia; Telegonía (2 libros). Um vistazo ao sumário de Proclo suxére ao instante a importância destes poemas épicos para a literatura grega posterior.

P. E. EASTERLING E B. M. W. KNOX (EDS.)