Arquivos diarios: 29/11/2019

LITERATURA CASTELÁN (3)

As mais antigas manifestaçóns conhecidas da literatura castelán correspondem à poesía épica; mais concretamente à epopeia. Os ainda mais recentes descubrimentos de pequenas formas líricas, chamadas “jarchas” (que estudaremos no capítulo seguinte) anticiparía em mais de um século os limites cronolóxicos desta literatura e esixiría comezar a sua história pola poesía lírica como mais antiga. Optamos, non obstante, por seguir a mais estendida costûme de estudar a épica em primeiro lugar: de um lado, porque as citadas jarchas mais que poesía castelán propriamente ditas som fragmentos muito breves de romance mozárabe, adheridos a composiçóns líricas arábigas e hebreias; e ademais, porque sendo escasa também a diferença cronolóxica, o valor intrínseco do “Poema de Mío Cid”, primeira obra épica conservada, excede até tal ponto as jarchas líricas, que bem merece ser o pórtico desta história literária. Digamos de passada que a prioridade de apariçón entre a épica e a lírica constituie um problema de soluçón quase impossibel. Deixando aparte o dacto concreto e real de que pertenzam a um ou outro xénero os primeiros monumentos conservados – feito que pode variar de unha a outra literatura -, é muito difícil precisar qual dos dous xéneros poéticos está mais entranhabelmente arraigado nos lontanares psicolóxicos dos povos, e qual nasce primeiro, polo tanto: se o desexo de conhecer, de informar, de comunicar os feitos de interês comúm, que están na raíz mesma da épica, ou a necessidade de exteriorizar os sentimentos próprios, estimulados pelas paixóns individuais ou pelos acontecimentos colectivos. A pergunta quase é ociosa; o mais probabel é que épica e lírica nasceram ó mesmo tempo, e que nem sequer se distinguiram nos seus começos, ó menos non na medida na que o tempo e a sua própria evoluçón as haberíam de diferenciar.

J. L. ALBORG

SÓCRATES (NA ÁGORA DE ATENAS)

Para além de exemplos de coraxem e dignidade, nas informaçóns sobre Sócrates também há lugar para aspectos mais divertidos e prosaicos da vida do grande filósofo. Estaba casado oficialmente com Xantipa, paradigma da mulher irascíbel e resmungona, se nos ativermos àquilo que dela se conta: Sócrates “dizia que conviver com unha mulher agressiva é como os cavaleiros com os cavalos impectuosos: “tal como eles”, dizia, “ao domarem os que assím són, conseguem facilmente controlar os outros, também eu, depois de ter vivido com Xantipa, consigo adaptar-me às outras pessoas”. Parece que com frequência o repreendia em público, chegando inclusive a agredir o filósofo. Nunca puidem deixar de imaxiná-la como unha corpulenta mulher da banda desenhada que, ataviada com um avental e de rolo da massa em punho, tira o marido do bar aos empurróns, gritando “lá estás tu a perder o tempo com os teus amiguinhos”, só que, em vez de ir ao bar, Xantipa ia buscar Sócrates à ágora. Na defesa da pobre mulher, cabería dizer que non devería ser fácil conviver com um marido sem ofício nem rendimento, que se dedicaba a passear-se pola ágora, conversando com o primeiro transeunte que passasse (e soltando constantemente a famosa frase “com tudo isto, quería decir o qué?), enquanto ela tratava da casa e dos três filhos (um natural e dous posteriores). Com efeito, além de Xantipa, nái de Lâmprocles, diz-nos Aristóteles que Sócrates também se casou com Mirto, de quem teve outros dous filhos, Sofronisco e Menéxeno. Parece que o aspecto físico de Sócrates non estaba à altura da sua estatura intelectual, pois era pouco agraciado, se usarmos um respeitoso eufemismo, ou claramente muito feio: baixo, com um naríz achatado e unha barriga proeminente, era “o mais feio de todos os Silenos que apareciam nos dramas satíricos”. Como se fosse pouco, fazia acompanhar os seus escassos atractivos físicos de unha indumentária afim ao seu proverbial desprezo polos bens materiais, andando sempre vestido com roupa velha e puída e com os pés descalzos, sem se importar com o frio ou com o calor. Sempre que passeava pola próspera e rica Atenas e observava a quantidade de bens e luxos que nela se vendiam, congratulava-se dizendo a si próprio: “De quantas cousas non tenho necessidade!”.

E. A. DAL MASCHIO