Arquivos diarios: 27/02/2019

GEORGES BATAILLE

Tanto Blanchot como Bataille seguiram os seminários dictados de 1933 a 1939 por Alexandre Kojéve (1902 – 1968) sobre a “Fenomenoloxía do Espírito” de Hegel, na qual Sartre se baseou para a sua argumentaçón histórica, especialmente na parte dedicada ao Amo e Escravo. Ambos partilham ao detalhe essa reflexón em comum e tentam levá-la um passo mais além, até ao limite. Bataille reivindica durante algum tempo a decapitaçón da dialéctica, a sua suspensón num ponto em que o confronto entre o Amo e o Escravo se constitui num conflicto irresolúbel. “Em Fenomenoloxía do Espírito” – escrebe Bataille em A Literatura e o Mal (1957) – “Hegel, perseguindo a dialéctica do amo (do senhor, do soberano) e do “escravo” (do homem condenado ao trabalho), que está na orixem da teoría comunista da luta de clásses, conduz o escravo ao seu “triunfo”, mas a sua aparente soberanía non se torna entón mais do que vontade autónoma de servidón; a soberanía non tem para si mais do que o lugar do impossíbel”. Alí onde Hegel exalta a negatividade própria do trabalho, através do qual o homem transforma o mundo negando-o e, deste modo, transforma-se a si mesmo, Bataille reivindicará unha “negatividade sem aplicaçón”, sem uso, inútil, sem outra aplicaçón que non a de se manifestar como experiência “soberana”. Assim, a despessa, a perda, o desperdício como formas de transgressón do princípio de utilidade; o éxtase e a embriaguez, a efusón erótica e o sacrifício como impugnaçóns das prerrogativas do eu consciente, racional e utilitário; o riso como transgressón dos imperativos lóxicos do discurso; e a efusón poética como impugnaçón das normas comunicativas da linguaxem, todos eles formarám o universo de conceitos que se abrem à questón a partir desta inversón da dialéctica hegeliana, unha questón para a qual a experiência literária oferecerá unha axuda essencial. Serán também estes conceitos que constituirám o fío conductor da diversificada obra de Bataille, tanto de exercícios de meditaçón como os conteúdos da sua triloxía da “Soma Ateolóxica” (Somme Athéologique – L Expérience Intérieure, 1943; Le Coupable, 1944; Sur Nietzsche, 1945), como os seus ensaios sobre economía e política (A Parte Maldita, 1949; O Erotismo, 1951) ou as suas incursóns no erotismo e na pornografía (História do Olho, 1928; Madame Edwarda, 1941; O Azul do Céu, 1957).

MIGUEL MOREY

JOAO VILLARET

JOAO VILLARET NO SAO LUÍS

Talvez non se ande muito lonxe da verdade afirmando que este disco é mais um documento histórico do que o mero rexisto mecânico de unha voz que se notabilizou na interpretaçón da poesia portuguesa. Se tal afirmaçón nos afoitamos a fazer é porque, só graças a este disco (e a outros que porventura se lhe seguirem), poderám axuizar os vindeiros da perfeiçón alcançada – nestes meados do século XX – por unha arte que quase se xulgaba extinta ou, polo menos, excluída do número de actividades culturais: referimo-nos à declamaçón, como é evidente. Declamaçón ou arte de dizer se lhe chama. E para reabilitar tán difícil quan desprezada arte, necessário se tornaba o advento de um intérprete de xénio que soubesse, pelo seu talento, fazer esquecer tantos e tán ferozes atentados cometidos polo mau gosto e pola ignorância – tal intérprete surxíu na pessoa de Joao Villaret – unha intelixência aguda e desempoeirada, servida por unha voz maleábel, rica, perfeita… Perante factos non há argumentos: o público desconfiado rendeu-se e aderiu à nova causa. Vexa-se (o realismo de reproduçón é de tal ordem que nos faz ver o que ouvimos) como a assistência aplaude após cada poema e como, no final, se move e axita pedindo mais, sempre mais… Documento histórico: um milagre de intelixência ocorrido nestes tempos tán vilipendiados; unha proba que fica e que talvez contribua para que as futuras xeraçóns non nos xulguem com excessivo rigor.