Categorías
Arquivo
- Agricultura Alimentación Anonymous Arquitectura Astronomía Blogs para curiosear Bos desexos Cerebro Cine Darío e Breixo Economía Educación Frutais Futuro Historia Humor Indignados Libros Lingua Literatura Medios de comunicación Monte Comunal Natureza Poesía Política Procomún Publicidade Sidra Socioloxía Software libre Tradicións Viaxes Xadrez
Arquivos mensuais: Outubro 2018
NIETZSCHE (A MÁSCARA DE ZARATUSTRA)
No início de 1883, Nietzsche termina a primeira parte de “Assim Falava Zaratustra”, após ter passado um dos momentos mais críticos da sua vida. Entón confessa: “O salvador da minha vida chama-se Zaratustra, o meu filho Zaratustra”. O protagonista de “Assim Falava Zaratustra” toma o seu nome a partir de unha misteriosa personaxem persa que fundou o “zoroastrismo”. Esta antiga relixión, que influenciaría decisivamente o islán e a tradiçón xudaico-cristán, acredita que o motor do mundo é a luta entre o Bem e o Mal. O zoroastrismo inaugura assim “o erro mais fatal de todos”: transformar a moral num princípio metafísico. Para emendar esse erro, Nietzsche cría o excêntrico profecta Zaratustra, um antagonista filosófico do Zaratustra orixinal que baptiza com o mesmo nome. O Zaratustra nietzschiano é unha pessoaxem literária na qual se cristaliza a necessidade de deixar para trás todas as ideias que esgotam a força vital. Nietzsche tenta abrazar a vida e apagar qualquer resto da intoxicaçón metafísica que tinha sofrido depois de se alimentar durante anos das obras de Wagner e Schopenhauer. Tenta forxar um pensamento próprio, ao mesmo tempo que combate os sintomas de decadência que observa na cultura do seu tempo e em si mesmo. O combate, xá antigo, e que se estenderá durante o resto da sua vida, encontra nos discursos de Zaratustra a sua expressón mais completa. No seu último més de lucidez, Nietzsche reconhece que ele próprio é filho do seu tempo e é portanto “décadent”. Non obstânte, ao compreendê-lo, defendeu-se contra essa decadência: “O filósofo que há em mim opón-se a isso”. Zaratustra é o nome do filósofo que habita em Nietzsche.
toni llácer
Publicado en Uncategorized
GÓNGORA (CASA DE CONVERSAÇÓN)
Pola abundância déstas variedades de xogo, e polo que levamos xá escrito, podemos dar-nos conta da importância que tivo na vida social espanhola o xogo. Em 1540 um informe do flamengo Eckloo, facía constar que o xogo dos naipes era mais xeral na Espanha, que em ningúm outro sítio da Europa. Dí, que nas vendas pobríssimas, onde às vezes nem sequer se daba pan e vinho, non faltaba nunca a baralha. Rodríguez Marín, no seu monumental comentário ó “Rinconete y Cortadilho” de Cervantes (1920), explica que había mais de trescentos garitos em Sevilha e só em Osuna, que era o povo natal de Rodríguez Marín, com três mil vecinhos, se gastabam ó ano quinhentas docenas de baralhas. Segundo um “Memorial” elevado ó rei, em 1658, viviam em Madrid uns “trescentos setenta e oito cabaleiros tahures, perdidos polo xogo. As “casas de conversaçón”, também eran ás vezes causa de escândalo, porque se facíam trampas e xogava-se ó desbarato. Mas na casa que tinha Góngora na “Calle del Niño”, hoxe “Calle de Quevedo”, perdeu o “racionero” cordobés bons dinheiros. Joaquim de Entrambas-águas, afirma: isto é um disimulado garito, aínda que el non o afirme claramente. Heis aquí a verdade, o xogo, “o xogo do home” que estivo a pique de que o poeta deixara de sê-lo na sua xuventude, pola paixón com que o dominou de retonho em Madrid, e el nos explicará sem dúvida muitos dos problemas económicos de Don Luís, que se prantexaron apenas se instalou na Corte”. Digamos de passo que esta casa em que vivía na “Calle del Niño” – do “Santo Niño da Guarda” – comprou-a Quevedo, mentras era inquilino nela. E dela o desauciou o seu eterno enemigo, o grande poeta, o implacábel e sinístro Quevedo. Recordemos os versos duríssimos que escrebeu a razón deste desaloxo e também aquel epitáfio satírico no que acusa a Góngora de xogador:
Vivió en la ley del juego
y murió en la del naipe, loco y ciego
y porque su talento conociesen
en lugar de mandar que se dijesen
por él misas rezadas
mandó que le dijesen las trocadas.
Y si estuviera en penas, imagino,
de su tahur infame desatino,
si se lo preguntaran
qué deseara más que le sacaran
cargado de tizones y cadenas,
del naipe, que de penas.
Fuese con Satanás, culto y pelado;
¡Mirad si Satanás es desdichado!
ramón fernández pickford
Publicado en Uncategorized
JOHN RAWLS (UNHA VIDA COM SORTE)
John Rawls teve unha vida feliz em muitos sentidos, o que lhe permitiu desenvolver o seu talento e a vocaçón para a filosofía, mas também motivou unha profunda reflexón moral no filósofo, que acabou por impregnar todas as dimensóns da sua obra. A boa ou má sorte que alguém tem na vida acabará por ser um aspecto fundamental da sua teoría ética e política, como veremos mais à frente. Em “John Rawls: His Life and Theory of Justice”, de Thomas Pogge e Michelle Kosch, relata-se que John (Jack) Bordley Rawls nasceu a 21 de Febreiro de 1921 em Baltimore, unha cidade portuária fundada no início do século XVIII, a meio caminho entre Nova Iorque e Washington. A cidade sempre concentrou unha grande populaçón afro-americana, sendo, naquela altura e agora, epicentro de fortes tensóns raciais. Rawls nasceu nunha família abastada. O seu pai dedicou-se ao direito e chegou a ser um prestixiado advogado. A nái foi unha mulher intelixente, com vocaçón artística e interesse na política, que contribuiu para fundar a League of Womem Voters, à qual presidiu em determinada altura. Rawls, segundo explicam os seus discípulos convertidos em biógrafos Pogge e Kosh, costumava descrever o pai como um homem frío e distante para com a família. O filósofo sentia-se mais proximo da nái e, desde muito xovem, herdou dela a preocupaçón e unha sensibilidade especial em relaçón às questóns da xustiça. Teve quatro irmáns. Perdeu dois deles por doença. Essa traxédia familiar marcou profundamente a sua vida porque foi ele quem contaxiou os irmáns com as doenças que lhes causaram a morte. Aos sete anos, John teve diftéria. Apesar de a família ter tentado impedir que os irmáns tivessem contacto directo com ele durante a convalescença, Bobby, um irmán quase dous anos mais velho e de carácter aberto, desobedeceu aos pais e foi algunhas vezes ao quarto de John para lhe fazer companhia. Bobby ficou logo doente e non conseguiu ultrapassar a infecçón. Este acontecimento traumatizou John, que rapidamente desenvolveu unha gaguez que, embora fosse diminuindo ao longo da vida, sempre foi um problema para ele. John recuperou da diftéria, mas no inverno seguinte teve unha grave pneumonia que transmitiu ao irmán Tommy. A traxédia do ano anterior repetiu-se, e o irmán mais novo morreu pouco tempo depois de ficar doente enquanto John recuperava lentamente. Non é fácil saber até que ponto estes factos marcaram a vida e o pensamento filósofo. Mas a verdade é que o principal argumento da sua teoría da xustiça, o que está por detrás do princípio de diferença, defende que os indivíduos non son responsáveis pela boa ou mala sorte que têm na vida e, portanto, non merecem, num sentido moral forte, os sucessos e os fracassos sociais associados ao caso. A xustiça consiste em os mais afortunados poderem melhorar a sua condiçón apenas se os menos afortunados também o conseguirem. Numa sociedade democrática, os indivíduos livres e iguais devem “partilhar o destino comum”, afirma Rawls. Independentemente de cada pessoa ter o direito de definir a sua própria ideia de bem e de viver de acordo com ela, há unha obrigaçón anterior e moralmente mais importante, que é a de partilhar com os outros a boa sorte. A xustiça vem antes do bem. O dever de partilhar com os outros tem primazia sobre o desexo de vivermos como quisermos.
ángel Puyol
Publicado en Uncategorized
DO ANACOLUTO E DISCORDANCIAS VÁRIAS
A sintaxe era primordial; as concordâncias sobre tudo, ou sexa, a correlaçón de tempos nos largos períodos de oraçóns subordinadas que nos obrigavam a construir. Non sei de onde lhes vinha aquela obsesón polas concordâncias. Había um professor que a tinha tomado com o anacoluto. Cometer anacoluto era pior que cometer pecado de sodomía. Había enteira liberdade para escreber sobre o que quixéramos; desde os milagres de algúm santo ou algunha virxem, até à descripçón das vacas apacentando nos prados. Daba igual o bucólico que o relixioso. Nisto, os curas eram “de puta madre”, expresón que unha vez me acarreou um suspenso quádruple: em Disciplina, por saltar as normas; em Urbanidade, por mal falado; em Piedade, por irreverência; e em Aplicaçón, por tela dito em tempo dedicado ó estudo. Só faltou que me suspenderam em Língua, por concordar puta com madre, que a todas luces, é unha irregularidade, non só moral, senón gramatical: anacoluto perverso. Decía pois que, nisto, os curas eram “puta madre”, pois o mesmo lhes dava “Os milagros de Nossa Senhora” de Berceo, que “As Florinhas”, de San Francisco de Asís, o Irmán Lobo, a Irmán Vaca, ou outras irmandades. Ás vezes había um “Totum Revolutum”, de padre e senhor meu, é dicer, que se confundíam os cús com as têmporas. Têmpora é unha palabra que o professor de Latim usaba como armadilha para cazar incautos nos exámes. Têmpora é plural de “Tempus-Temporis”, um substântivo neutro da terceira declinaçón que significa tempo. O normal, quando o muito ladino soltaba a palabra, era traducí-la por tempos. Mas, em plural, também significa tésta. E o malandro tinha preparada a encerrona, trazendo antes a colaçón unha cita que decía “oh têmpora oh mores” (oh tempos aqueles, oh costumes). Había que andar com mil olhos para averiguar o contexto, se o “têmpora” de marras, era tempos ou parietais. Quando na composiçón de castelán, tocaba poesía também era muito divertido. O tema era libre e a modalidade obrigada. Tocaba quase sempre soneto ou românce, e, às vezes, “oitava real”, ou “silva”, ou “coplas de pé quebrado”, como as de Jorge Manrique que, por “güevos”, tinha que aprender-se de memória. O de “por güevos”, também me custou outro desgosto parecido ó “de puta madre”. Sem vir ó conto, chegaba um día o professor de Literatura e soltaba, a ver, fulano, ¿Sabes as coplas de Jorge Manrique? Um desses días que suspeitabas iban saír as famosas “Coplas”, mentras empezaba a classe, perguntarom-me algúns companheiros se eu as sabía. E respondín: “que remédio, por güevos”. Com tán mala sorte que xusto nesse momento passava ó meu lado o cura, e quedou-se com a copla. Sacou-me ó estrado, e começou dicendo: “Recuerde el alma dormida, avive el seso y despierte” e invitou-me a continuar. Dixe-nas de “carrerilha”, e de um tirón. Todos quedaron boquiabertos e caribobos. O professor non me puxo um cero em Urbanidade e Conducta; mas tampouco me deu um dez em Literatura. Ou sexa, que algo me descontou polo taco. Non há dereito, consolaban-me os meus melhores amigos, com o bem que o fixéches. Aflorabam xá importantes, pequenas rebeldías; e insubmisóns, por outro lado, também significativas. No 4º e 5º, algúns comezaróm a sacar os pés dos estribos e a disentir de muitas cousas. Entre 5º e 6º parecía haber desbandada. A criba era criminal: iba decir que “non passaba nem Deus”, em parte pola dureza dos exámes e em parte pola tibieza relixiosa. Mas isso non sería exacto. A verdade é que os cursos de Filosofía seguiam nutridos, em boa medida, ademais dos alunos de Pallantia, com elementos procedentes de outros seminários, e polo que chamamos as vocaçóns tardías. O que mais temíamos das composiçóns literárias era o soneto. E o que menos, o românce que, com o seu sonsonete de rimas asonantes e o soniquete de octosílabos, estaba tirado. Nos sonetos había quém non passaba do primeiro quartecto e outros que de sonetos non tinham nada. O endecasílabo era verso mais punheteiro que o octosílabo. E non polas once sílabas e as rimas consoantes, senón polos acentos que determinam o seu ritmo e a sua estructura interna.
javier villán e david ouro
Publicado en Uncategorized
UM “RAIO” CHAMADO PASCAL
A experiência de vida dos filósofos non costuma ficar à marxém do seu pensamento, mas há alguns casos em que esta afirmaçón se acentua com especial intensidade. Pascal é, sem dúvida, um deles, xá que tanto a sua obra como a procura intelectual están íntima e radicalmente ligadas aos acontecimentos que marcaram e definiram a sua vida. Este filósofo desenvolveu o seu pensamento a partir das suas circunstâncias, às quais pretendia dar unha resposta, e, o que é mais importante, pretendia viver de acordo com as suas conclusóns e descobertas. Por este motivo, para começar a compreender a sua obra, primeiro teremos de nos aproximar de quem, segundo Baudelaire, tinha um abismo que se movia com ele. A 19 de Xulho de 1623, nunha vila do centro de França chamada Clermont-Ferrand, nasceu Blaise Pascal. Era filho do nobre Étienne Pascal, presidente da Cour des Aides de Clermont, e de Antoinette Begon, filha de um abastado comerciante. O casal xá tinha unha menina de três anos chamada Gilberte. Mas as boas notícias do nascimento viram-se de repente obscurecidas, xá que, com apenas um ano de idade, Blaise Pascal começou a ter problemas de saúde e, após meses de consultas médicas, diagnosticaram-lhe unha doença rara sobre a qual pouco se sabe. Aí começou a relaçón do filósofo com a dor, unha relaçón que durou toda a vida e que, sem dúvida. condicionou substancialmente a sua forma de pensar e de viver. Como bem destacou Nietzsche, o corpo é unha grande razón. No meio das más notícias sobre a saúde do pequeno Blaise, nasceu a sua irmán Jacqueline, com a qual mais à frente o filósofo tería unha relaçón marcada pela intimidade e a cumplicidade. Durante estes primeiros anos de vida, segundo relata a sobrinha de Pascal na biografía que sobre ele escreveu. Blaise comportava-se com frequência de unha forma estranha: gritava sempre que os seus pais se aproximavam um do outro e tinha um medo terrível da água. O mais curioso destes episódios, tal como refere esta biografía, é que a família atribuiu o comportamento da criança ao sortiléxio de unha feiticeira. Para o libertar desta maldiçón, os pais envolveram-se no mundo da maxía e chegaram até a participar num ritual com gatos, com o qual se pretendia pôr fim ao estranho comportamento de Blaise. Este episódio é um bom exemplo da mentalidade da época, o Barroco, em que o avanço da ciência e da razón non era incompatível com as crenças relixiosas nem com as superstiçóns. Neste período, o racional, o relixioso e o máxico cohabitavam entre sí.
gonzalo muñoz barallobre
Publicado en Uncategorized
AS COLUMNAS MACIÁ E URIBARRY
Nón existiu a tal “Columna Maciá”, senón a “Columna Maciá-Companys”, organizada por Esquerra Republicana de Catalunya e por Estat Catalá. Nón sem oposiçón dos Anarco-Sindicalistas – que dominabam o Comité Central de Milícias -, pois, non lhes agradaba a criaçón de unha forza militar por parte de uns partidos, que non eram precisamente revolucionários. A Columna – mal armada – partíu para a frente a primeiros de Septembro de 1936, e ocupou o sector mais meridional da frente, guarnecida por forzas catalanas – concretamente a do rio Martin e Utrillas, com o quartel xeral em Montalbán. Inicialmente estaba formada por mil douscentos homes, “armados com fusiles e quatro ametralhadoras. Para todas estas armas existíam unicamente dez caixas de muniçón. Este era todo o material bélico que o partido maioritário de Catalunha, ó que pertencía o presidente da Generalitat, tinha conseguido reunir entre o imenso armamento que existía na zona. Debido a esta escassez de armas, non puido ser organizada unha columna muito mais numerosa, pois había homes suficientes para isso.” O entrecomilhado pertence ó libro titulado “Guerra en España” (México, 1947) do coronel – Jesús Pérez Salas, xefe da Columna. Outros oficiais professionais da mesma eram o comandante Iglesias e os capitáns Sierra, Pascual, Invernón e Gómez Descalzo. Actuaba como delegado político do partido organizador Enrique Canturri, ex-alcaide da Seo de Urgel. Posteriormente esta Columna foi convertida na Divisón Maciá-Companys e seguidamente na 30ª Divisón.
.
A Columna Uribarry, formou-se em Valencia nos primeiros días da guerra. Levaba o nome do seu xefe, o capitán da Guardia Civil, Manuel Uribarry Barutell. Participou na conquista de Ibiza xuntamente com as forzas cataláns do capitán Bayo. Por discrepânçias entre Bayo e Uribarry, este com a sua Columna, regressou a Valencia e de aí transladou-se para a frente Centro, onde operou em terras extremenhas. A finais do vrán de 1936 estaba em Toledo e contaba com uns efectivos de 2.600 homes (com trescentas cabezas de gando, detalhe pintoresco, que fala bastante acerca da maneira de guerrear em terras de Castela, por aquelas épocas). O 31 de Decembro esta Columna foi convertida na 46ª Brigada Mixta, adscrípta à Novena Divisón (frente Tajo-Jarama). O nome da “Columna Fantasma”, ou foi atribuído a sí mesma – había por aquela época muitos “fantasmas”: patrulhas, autos, etcétera – ou o recebeu polo feito de estar presente em várias frentes de combate. Ningunha destas Columnas tinha unha indumentária própria, que eu saiba. Em xeral, as milícias republicanas adptarón o “Mono” azul dos mecânicos e dos trabalhadores da industria, sobradamente incómodo para lutar em campo aberto. Ó chegar o inverno, o “Mono” desapareceu e cedeu o lugar ás necessárias prendas de abrigo: peles, chaquetóns de pano, ou de couro, simples casacos, calzas “bombachos”, ou com bandas… Talvez a prenda mais característica desta fase da guerra, fora o passamontanhas. A Columna Maciá-Companys, polos seus orixens políticos, foi unha das Columnas catalanas que mostrou menos entusiasmo polo “mono”, inclinando-se por unha indumentária entre militar e desportiva, análoga à dos excursionistas.
história y vida (e. v.)
Publicado en Uncategorized
BERGSON (SABER O QUE O “DEPOIS” ACRESCENTA AO “ANTES”
Talvez sexa possível sintectizar do seguinte modo a filosofía da duraçón, “nada surxe do nada” (caso contrário, qualquer cousa sería possível e perderíamos todo o rigor explicativo), “mas o “depois” acrescenta algo ao “antes” que non estava contido nele”. Como é isso possível? Devido à natureza cumulativa e criadora do tempo, que non se pode assimilar a unha deduçón lóxica (se A, entón B; A, logo B) nem a unha suma linear (2 + 2 = 4). O tempo real aumenta ou diminui na sua produçón de novidade, mas non se conserva idêntico a sí próprio como o espaço: “é invençón ou non é absoluctamente nada”. Non é um leque que mostra o mesmo bordado independentemente da velocidade a que o abrimos; é unha orquesta cuxo tempo influi profundamente na peça que produz. E, tal como o esforço que luta por tirar de si mais do que tinha antes. é irreversível. Bergson parte de unha definiçón “psicolóxica” do tempo baseada, portanto, no modo que temos de o experimentar interiormente. Mas non permanece fechado nessa definiçón, estendendo-a, por analoxía, à totalidade do universo. Há unha boa razón para isso. Na sua opinión, é possível passar gradualmente de um tempo psicolóxico a um tempo físico, mas xamais conseguiremos fazê-lo ao contário. Daí que sexa preferível partir do mais complexo: se non se tiver em conta a consciência no início, non a encontraremos mais tarde, ficando assim por explicar unha série de fenómenos relevantes. Como veremos, isto non tem importância se pretendermos conhecer o mundo cientificamente. mas tem, e muita, se pretendermos fazê-lo através da filosofía, que se torna, entón, metafísica. A “metafísica é a experiência total”. O imprevisível, portanto, non procede de unha limitaçón do nosso entendimento que um Deus ou demónio omnisciente pudesse corrigir, mas da indeterminaçón tomada como princípio verdadeiro do real. Mais especificamente, procede de unha das duas tendências que o habitam: a que caracteriza o vivente (o consciente, pois a consciência é coextensiva à vida) face ao inerte.
antonio dopazo gallego
Publicado en Uncategorized
AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (67)
Há unha grande diferença entre maxía e feitizaría. A maxía pode ser inspirada por Spiritos bondadosos e amantes da humanidade; a feitizaria nón, é fructo das relaçóns e evocaçón dos malos espíritos, e por isso só serve para fazer Sortiléxios dos quais resultam malefícios. Chama-se demonoloxía ou arte de tratar e evocar os demónios. Ademais disso, nas Sciências Sobrenaturais, a maxía ocupou sempre o primeiro lugar, por isso que nón era a feitizaría quem relacionaba as criaturas que a professabam, com os Spíritos superiores, habitantes das rexións Ethéreas ou Celestiais, senón que mandaba nos Spíritos inferiores, demónios e feiticeiros, que os podía obrigar a desfazer muitos encantamentos, sortiléxios e feitiços. Ordináriamente a maxía divide-se em branca e negra. Maxía branca é ainda hoxe a arte de produzir certos efeitos maravilhosos na apariência, mas na realidade debidos a causas naturais. Maxía negra ou maxía propriamente dita, polo contrário, produze efeitos sobrenaturais pola intervençón dos Spíritos, e dos anxos maus sobre tudo, sendo polo tanto a “Mater” dos feiticeiros e das bruxas e, de todos os que profesam qualquer arte oculta, ou Sciência que produce efeitos sorprendentes, e inacessíbeis à compreensón vulgar e ó critério de cada um, como: Quiromância, Buena Ventura, a arte de ler na disposiçón da Baralha de cartas. Acesório indispensábel ó mais rudimentar operador de prodíxios, xá que se atribuie a Satanás a invençón do xogo, e polo tanto também será o seu mais ventaxoso instrumento.
manuel calviño souto
Publicado en Uncategorized
JOHANNA ARENDT (VIDA E CONTEXTO)
Johanna Arendt nasceu em Hannover a 14 de Outubro de 1906 e morreu na cidade de Nova Iorque em 1975. Tinha sempre três fotografias em cima da mesa de trabalho: a da nái, Martha Cohn, a do segundo marido, Heinrich Blücher, e a do filósofo Martín Heidegger, as três figuras mais influentes da sua vida. Os pais, Paul e Martha, eram oriundos de Königsberg (a cidade natal de Kant, actual Kaliningrado, em território russo) e tinham-se mudado para Hannover devido ao trabalho de Paul como enxenheiro. Os dois pertenciam a famílias xudaicas liberais. Perante as posiçóns tradicionalistas-ortodoxas, os Arendt-Cohn integravam-se no círculo de profissionais liberais, partidários das ideias reformistas do Iluminismo, transmitidas pelo filósofo xudeu alemán Moisés Mendelssohn no século XVIII, e que se centravam na procura da emancipaçón social e política dos xudeus e na sua plena integraçón na cidadania alemán. Königsberg, pela sua situaçón xeopolítica como porto importante do Báltico, era unha cidade cosmopilita, com grande tráfego comercial, unha cidade iluminista, sede da Universidade Albertina, que contava com um grande número de habitantes xudeus, muitos deles vindos da rússia, de onde fuxíam devido aos “pogroms”. A família de Arendt dedicava-se aos negócios de importaçón e ao comércio. O avô paterno, Max Arendt, converteu-se no líder da comunidade xudaica da cidade e defendeu a integraçón dos xudeus como cidadáns alemans, contra as posiçóns sionistas. Nesse contexto liberal, iluminista e multicultural, Hannah non teve unha educaçón xudaica tradicional: non estudou hebraico, como era habitual em muitas famílias, mas grego e latim, e a sua passagem pela sinagoga foi breve e teve a ver apenas com as actividades sociais partilhadas da vida comunitária. Ela própria, numa entrevista concedida em 1964, esclarecia o seguinte em relaçón às sua raízes: “No que diz respeito às minhas recordaçóns pessoais, non soube pela minha família que era xudía. A minha nái era completamente arrelixiosa. (…). A palabra “xudeu” nunca se ouviu na nossa família durante a minha infância. Dei de caras com ela pela primeira vez, pelos comentários antissemitas das outras crianças na rua. (…) A minha nái, ou o meu lar familiar, chamemos-lhe assim, era um pouco diferente dos habituais. Tinha muitas cousas especiais, também em comparaçón com os dos outros meninos xudeus e até com os da minha própria família”. Entre essas cousas especiais estaba a biblioteca do pai, com as obras dos filósofos Kant, Jaspers ou Kierkegaard, que Arendt lería precocemente, aos 14 anos, tal como outras orixinais em grego dos poetas clássicos, pelos quais tinha um interesse especial. A doença do pai, unha sífilis contraída na xuventude, fez a família regressar de Hannover a Königsberg, e Hannah – filha única – ficou ao cuidado da nái, das tías e das amigas da família. Martha, a nái, era unha mulher avançada para a época, educada em París, admiradora da revolucionária Rosa de Luxemburgo, com ideias claras e avançadas em relaçón à educaçón das mulheres. Proporcionou à xovem Hannah unha formaçón sem preconceitos, incentivando o seu gosto pela filosofía para estimular a excelente memória que xá revelava. Quando o pai morreu, em 1913, Hannah tinha sete anos. Depois da Primeira Guerra Mundial, a nái voltou a casar com um abastado homem de negócios de Königsberg, que lhes proporcionou algúm desafogo económico após as convulsóns e a penúria da guerra. Non deve ter sido fácil assimilar tantas mudanças em tán pouco tempo.
cristina sánchez
Publicado en Uncategorized
A LITERATURA RUSA DO SÉCULO XIX
A Literatura rusa do século XIX, constitúi pelo seu alto nível um dos fenómenos mais espectaculares da moderna cultura europeia. Dostoievski non foi um xénio ailhado, senón o membro mais destacado de unha poderosa xeraçón de escritores realistas, entre os que cabe destacar com nome próprio a Turguéniev, Chernyshevski, Goncharov e Saltykóv-Shchedrín. Algúns dos grandes temas dostoievskianos forón dessarrolhados préviamente ou ó mesmo tempo na obra destes escritores; e son estas correspondências as que permitem falar de unha “Xeraçón Dostoievskiana”, na que há que incluir também ó dramaturgo Ostrovski e ó poeta Nekrásov.
.
Iván Turguéniev, o mais importante dos contemporâneos de Dostoievski.
.
San Petersburgo, a cidade que se converteu na fonte de inspiraçón de quase todos os escritores rusos do século XIX.
.
Iván Goncharov, comparte com Turguéniev um lugar destacado entre os româncistas comtemporâneos de Dostoievski.
.
Ilustraçón para unha ediçón francesa de “Ninho de Nobres”, românce de Turguéniev publicado orixinalmente em 1859, na revista Sovremennik.
.
A Revoluçón Industrial, intensifica-se na Rusia entre 1855 e 1880, graças ó desarrolho das vías férreas. As costûmes da velha cultura aristocrática, comezarón entón a mudar e os escritores rexistram éstas mudanças, descrebendo o “home supérfluo” e, analizando o fenómeno do “oblomovismo”. A Rusia contemporânea de Dostoievski, Turguéniev e Goncharov, tivo um grande peso na Europa. Foi unha das grandes potências, e a sua expansón dirixiu-se para a zona dos Estreitos.
.
Portada de unha ediçón francesa de “Tarás Bulba”, românce de Nikolái Gógol, pai do realismo ruso.
Um grupo de campesinos rusos, na época em que aínda estavam suxeitos á servidume da gleba, ilustraçón da “Tempestade”, a obra principal do dramaturgo Aleksandr Ostrovski.
.
O realismo da narrativa rusa decimonónica puxo de manifesto a miséria e a sordidez na que vivíam as capas populares da Rusia zarista e neste sentido forxou unha literatura social, crítica com a ordem estabelecida..
Frontispicio do volume III dunha ediçón rusa de 1891 das obras completas de Iván Turguéniev.
.
Retirada das tropas napoleónicas, que habían invadido a Rusia em 1812, um feito que fortalecía a consciência nacional de todos os escritores rusos do século XIX.
R. B. A. EDITORES, S. A. – BARCELONA
Publicado en Uncategorized






















