Arquivos diarios: 16/10/2018

ARÍSTOCLES (PLATÓN)

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               O contexto histórico que coube em sorte a Platón (e que de inúmeras maneiras influenciou o seu pensamento) corresponde ao início da decadência da hexemonía grega no Mediterrâneo oriental, pois o nascimento do filósofo coincidiu aproximadamente com a morte de Péricles (artífice e ícone do explendor ateniense no século V a. C.) e a sua morte deu-se poucos anos antes da conquista das pólis gregas por um bárbaro reino do norte: a Macedónia.  No decurso dos oitenta anos que separam ambos os extremos da sua vida, a civilizaçón grega assistiu à crise da até entón todo-poderosa Atenas, à posterior supremacía espartana, resultado da victória na Guerra do Peloponeso, e à substituiçón desta última em benefício da hexemonia de Tebas, que derrotou Esparta na batalha de Leuctra (371 a. C.).  Se na esfera política os anos nos quais decorreu a vida de Platón representam o início da decadência da pólis, em termos culturais coincidem com um período de invulgar explendor no qual a humanidade atinxirá quotas de desenvolvimento artístico e filosófico sem equivalente durante centenas de anos: a Idade Clássica.  Embora à primeira vista possa parecer, non há nenhum erro no título desta secçón, pois de acordo com algunhas fontes antigas Platón non era Platón, Platón era Arístocles.  Este último sería o seu nome real (poderíamos dizer “de baptismo”, se a expressón non fosse particularmente anacrónica), sendo o primeiro a alcunha com que ficou conhecido e passou à história.  Dióxenes Laércio, na sua divertida e pintoresca “Vida e Doutrinas dos Filósofos Ilustres, proporciona-nos até três possíveis orixens para o mesmo: conforme a versón mais “conceituada”, o qualificativo proviría de “platos”, “amplo”, devido à constituiçón robusta do filósofo na xuventude, embora segundo outras versóns pudera dever-se à amplitude do seu estilo ou à da sua testa.  Em qualquer caso, non deixaría de ser unha ironía do destino que o filósofo que tanto insistiu na diferença entre “aparência” e “realidade” acabasse por passar à história com um nome aparente e non real.  Sexa como for, Platón ou Arístocles nasceu em Atenas (ou em Egina, segundo Dióxenes Laércio) ao séptimo día do mês Targélion (Maio) de 428-427 a. C., no mesmo día em que, segundo os Délios, tería nascido Apolo.  Provinha de unha família aristocrática com unha longa linhaxem: o pai, Aristón, descendia dunha ilustre estirpe cuxas orixens remontabam ao mesmíssimo Codro (último e lendário rei de Atenas), ao passo que a família da nái, Perictíone, podía gabar-se de ter xerado vários arcontes e da bastante mais discutível honra de contar com dous  do governo oligárquico dos Trinta Tiranos (um tío – Cármides – e um tío segundo – Crítias – de Platón).  O pai, Aristón, morreu sendo Platón ainda criança, tendo a nái casado em segundas núpcias com Perilampes, amigo e colaborador de Péricles. Non admira que com semelhante parentela certo autor tenha definido a família de Platón como “unha espécie de família Kennedy do século V a. C.”, com a ressalva das escassas simpatias democráticas no caso do ateniense.                 

e. a. dal maschio

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (69)

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               Pois, remontando-nos mais lonxe todavía, atopamos a maxía nos seus princípios constituindo apenas o conhecimento de alguns segredos da natureza, que despois de vulgarizados se tornaron Sciencias de suprema utilidade, como a medicina, a astronomía e outras.  Entre povos antigos, como o xudáico, a história conservou as profecias, como verdadeiros documentos de certos homes…   com os Spíritos superiores,  e entes invissíveis, com quem falabam na intimidade.  Os mesmos lexisladores non recusaron recorrer a este processo, para estabelecer as léis polas que os homes habíam de rexir-se.  Como por exemplo Moisés, que para dar ó povo hebreu o decálogo, os convenceu de que as tábuas onde estaba escrito, habiam sido enviadas polo Deus dos exércitos entre raios e trevoadas no monte Sinaí.  Nessas remotas épocas, o auxílio do maravilhoso e do prodíxio eram indispensábeis para dominar e fazer aceitar ós povos, tudo quanto o estudo demostraba ser indispensábel ou necessário. Por isso, os que se dedicam ó tratamento das enfermedades se cercabam de mistérios, para elaborar os seus feitiços.  Por isso a maxía foi a primeira forma que revestíu o Spírito Scientífico da humanidade, e magos se chamarom os sacerdotes das várias relixións, cuxas doutrinas e mistérios, hoxe están quase totalmente desaparecidos da face da terra.  A confiança na Sciência, e o simples saber do home, cresce e avança. 

manuel calviño souto