QUE NADA SE SABE (9)
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Vas decir: imponhamos novas denominaçóns. De acordo. Saberemos, pois, entón que esta palabra significa isto. Falso: non sabes que é “palabra”, non sabes que é “isto”, non sabes que é “significar”; logo non sabes que esta palabra significa isto. Probo a consequência: em efeito, ignoradas as partes, se ignora o todo. Mas tú – como eu – ignoras as partes, e também o todo: logo nada sabemos. ¿Porque entón tú, sendo um ignorante, nos abrumas a tí e a mím – que tamém o son – com a supina ignorância das palabras, que tú, sem embargo, chamas ciência subtíl, e com um obscuro fárrago, que é todavía ignorância maior? Dirás: para aparentar que sei! Mas sucede o contrário, pois mentras cacareas falsidades e ridiculeces, proclamando, com tudo, que sabes muito, eu suspeito que és absoluctamente ignorante, ó non saber que non sabes nada. Porque, se tal souberas, suspeitaria que és enganador e embusteiro, ó manifestar que sabes muito. Esta é a única cousa que sempre recabei de alguém – e así o fago agora – por cima de tudo: que se diga de verdade se sabe algo bem? Sem embargo, nunca o encontrei, a non ser aquel sábio e íntegro varón que foi Sócrates ( ainda que os chamados pirrónicos, académicos e escépticos afirmassem também o mesmo xuntamente com Favorino ), que “só sabía isto: que non sabía nada”. Somente por este dito o considero eu doutíssimo, ainda que todavía non se tenha satisfeito de todo a minha mente, posto que el ignorava também isso, igual que as outras cousas. Mas sucede que, para aseverar mais firmemente que non sabía nada, dixo que só sabía aquilo. Por isso, como nada sabía, nada quixo escreber para nós. Frequentemente sinto eu a tentaçón de fazer o mesmo.
francisco sánchez
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