AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (12)

INOCENCIO M

               Recordaçón de Ponte. Carpinteiro.  O dia nove de Agosto de 1905 (quarta feira) principiei a trabalhar de carpinteiro em Ponte co meu mestre D. Ricardo, meu padrinho, que me tinha sacado algunha ferramenta a fiado na Casa de Romero, sendo as primeiras nocións de carpintaría, ganhando 5,10 reais. O día vinte e vintium de Agosto de 1905, neste dia celebrou-se a festa de San Roque no bairro da Ponte (Ponte) eu assistín a ela e os meus companheiros, tendo eu um convite ad conxugalema.  Spírito malo, por los días 18, 20, 23, 26 de Agosto de 1905, vem-me inquietar.  O dia 27 andei no trabalho doente, parecia que todo o corpo me estremecia, e até os mesmos ossos, ó deitar-me aliviou-se-me algo, de noite vem o Spírito inmundo inquietarme, nos momentos que me deixaba chamei duas veces em alta voz, mama, mama!  E ó momento me recordou que estava solinho e em terra extranha, e logo caín no sono, acabei perdendo um quarto de día, e para mais, tivo que chamar a pousadeira por mim.  Pelexa.  Acometeu-a comigo um companheiro meu e chegamos a andar a zocos até que o mestre começou a berregar.  Á noite de incomodado rasguei um libro de Cirurxía e demais obxectos.  Ó outro día, ó vir pola casa encontrei minha nái com unha bróa, unhas poucas peras, e unha camisa que vestín no meio daqueles montes.  Houvo um grande eclípse de Sol, e trabalhei meio día.  O día 24 de Agosto de 1905, polas doze da noite, fún molestado polo Spírito malo.

manuel calviño souto

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