O MUNDO COMO VONTADE: A METAFÍSICA SEM CÉU (45)

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               Schopenhauer entende, imediata ou intuitivamente, que a sua essência numénica, sua em si, é o querer, o desexar, a vontade.  Latente, palpitante em todas as manifestaçóns dos fenómenos do seu ser no nível da representaçón (sexam estas acçóns ou pensamentos) está a vontade.  A sua descoberta decisiva  non se deveu a nenhum conhecimento obxectivo ou abstracto, nem a um sentimento relixioso, mas, sim, à experiência interior ou autoconsciência, que o colocou em contacto com o mais particular, individual e íntimo.  A sua metafísica non excede o âmbito da experiência, mas a experiência xá non se limita à representaçón: segundo Schopenhauer, pode ir para além dos seus limites.  Outro filósofo tinha procurado, através da introspecçón, o fundamento de todo o conhecimento no seu próprio interior.  René Descartes acreditou econtrar dentro de si unha certeza incontestável: posso duvidar de tudo menos do facto de estar a duvidar.  “penso, logo existo”, a minha essência, o meu dado e feito básico e orixinal, é pensar.  Schopenhauer opôn-se a esta abordaxem racionalista a partir da que se recebe pela experiência intuitiva interior: a essência do suxeito, sentida com honestidade na autoconsciência, non é racional, mas, sim, um querer permanente, a vontade; querer é o mais natural ao homem.  O querer, e non o pensar, é o feito fundamental, o dado básico.  A vontade actua a partir dos motivos que lhe mostra a mente, mas é prévia ao aparecimento destes na consciência.  Non há nada que possamos experimentar de mais imediato do que a vontade, non há nada que permita explicá-la (conhecê-la) além de um puro querer.  Precisamente porque o suxeito do querer se dá imediatamente na autoconsciência, non se pode definir nem descrever melhor o que é o querer; bem pelo contrário, este conhecimento é o mais imediato de todos, é, inclusivamente, o que, pelo seu imediatismo, lança a luz sobre todos os outros, que son muito mediáticos. (RS. 43)

JOAN SOLÉ

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