MATERIALISMO, IDEALISMO, KANT (38)

.

               Na sua teoría do conhecimento son apresentadas duas linhas que nunha primeira abordaxem, podem parecer heteroxéneas e até incompatíveis: o realismo e o idealismo.  Por um lado, Schopenhauer é – em comparaçon com os “idealistas” alemáns e os teólogos – um acérrimo “realista”: o que experimentamos é o que existe e o que existe é o que devemos observar.  O que torna especial o grande filósofo é a intensidade do seu olhar, da sua percepçón do real, mas non vê cousas diferentes das que aparecen ás restantes pessoas, non vê outros mundos, non é um vidente nem um místico.  Seguindo o admirado Kant, Schopenhauer afirma que o único conhecimento verdadeiro é o que se verifica na experiência possível e esta experiência é a que os sentidos nos proporcionam e em cuxa informaçón qualquer pessoa sensata confia.  Admite a materialidade do mundo como algo irrefutável:  existe a matéria e todo o tanxível e perceptível a intuiçón mostra-nos as coisas que se tocam e se veem.  Ao mesmo tempo, tudo o que percebemos é, pela sua própria definiçón, percepçón, representaçón (Vorstellung).  A primeira frase de “O Mundo” é precisamente “O mundo é a minha representaçón”.  A matéria sólida e forte é, enquanto percepçón minha, nada mais do que unha representaçón ou ideia minha, conteúdo da minha consciência: “nenhum obxecto sem suxeito”, como reza o aforismo.  O suxeito cognoscente (tanto o ser humano como todos os animais dotados de capacidade perceptiva) fundamenta a realidade do obxecto conhecido na sua representaçón ou percepçón.  Qualquer ser, obxecto ou facto que se rexista na minha consciência é a minha representaçón.  A gnosioloxía de Schopenhauer é idealista e estende a linha reflexiva do irlandês George Berkeley e de Immanuel Kant.  Mas é preciso ter algum cuidado com a atribuiçón de etiquetas a Schopenhauer, unha vez que a índole peculiar da sua filosofia non admite descripçóns fáceis.  Para começar, non xustifica o suxeito a partir do obxecto, nem o inverso, mas observa-os a ambos a partir dos dados fundamentais da percepçón.  Este é o facto orixinal e pressupón tanto o obxecto percibido (a realidade material) como o suxeito perceptor (a consciência que rexista os dados dos sentidos).  Ambos son correlatos um do outro, complicam-se ou pressuponhem-se:  non pode haver um sem o outro, nem percepçón sem qualquer um dos dous.

joan solé

Deixar un comentario