Arquivos mensuais: Agosto 2017

OS PASTÉIS DE BACALHAU

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               Os pastéis de bacalhau do “galeguinho alquimista”, o qual trabalhava nas antigas tabernas da nossa Lisboa, acompanhado de garfo longo e frixideira de negro ferro fundido. E que sempre respondia ás perguntas dos clientes com alegre picardia.  ¿Entao Senhor Secundino, há pastéis, ou nao há pastéis?  ¡¡Se non hai, fai-se!!  ¡¡Xá vai!!  ¡¡xá vai!!  ¡¡están quase a sair!!  ¡¡É sempre áviar!!  ¡¡Duas bandexas prá messa do canto!!  ¡¡Sei disso!!  Douscentos gramos de patacas cozidas coa casca, descascam-se e reduzem-se a puré.  Cozer dous centos e cinquenta gramos de bacalhau, escorre-los e limpa-los de peles e espinhas.  Depois esfrega-se muito bem num pano limpo e resistente, até ficar completamente desfeito em fios.  Numa tixela, xuntam-se o puré de patacas e o bacalhau fiado, a cebola e a salsa picadas finamente, mais um cálice de vinho do Porto, e tempera-se com sal, pimenta e noz-moscada.  Incorporando á massa três ou quatro ovos enteiros, um a um, ligando intimamente tudo até que apresente unha consistência ideal.  Seguidamente moldam-se os pastéis, axudados por duas colheres sopeiras, logo fritem-se em óleo abundante e bem quente.

 

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EM NOME DE GUILLADE (IX)

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               4ª O rio Huma pasa por um confin da parroquia e deixa ó outro lado o lugar do Terendo que non se incomunica com a Igrexa por haber unha ponte que nunca se cubre.

               5ª Há unha capela própria da parroquia chamada de San Gregório sem renda algunha, e na que pola sua proximidade á Igrexa parroquial, nunca se celebra funçón ningunha, nem têm mais uso que andar as procesions ao seu redor.

               6ª Non há capellania nem obra pía algunha;  somente quarenta e cinco misas de tabla que se aplican pelos seus fundadores.

               7ª Non há cofradia algunha, somente quatro irmandades sem mais renda que as limosnas que se xuntan.  Unha é do Santíssimo que se celebra a funzón do Sacramento.  Outra de Nossa Senhora das Angustias que fai anualmente o seu aniversário pelos irmáns  difuntos.  Outra do Patrón San Miguel que fai a sua festa e outro aniversário pelos seus irmáns difuntos  A quarta é a das Ánimas que fai a sua funzón e aplica unha misa semanária polos seus irmáns difuntos: e todas elas subministram cera para a administrazón dos doentes, enterros e demais necesário.

               8ª Os dereitos de estola desta parroquia son, por bautismo e presentazón da mulher unha galinha:  por cada proclama três reais:  polo casamento um carneiro ou vinte reais, e polos velatórios com misa dez reais: por enterro de um párbulo com misa once reais, e se é cantada quince reais:  por enterro de um adulto um real por cada sacerdote e vixilias vinte reais de ofrenda maior; polo responso dominical cinquenta reais:  ó Parroco pola sua asistência ó enterro e três vixilias vinte e um reais com cargo de três misas, e ademais quatro pans e um xarro de vinho:  por cada certificazón quatro reais:  por cada misa cantada um real;  e por cada funzón votiva ou fúnebre sete reais com cargo de misa e sem ela três:  pola bendizón de casas na páscua quatorze quartos cada casa. Son do Párroco todos eles.

               9ª Este beneficio ademais da casa reitoral e Iglesário polas que aplica unha misa semanária,  têm renda foral de vinte e cinco ferrados de trigo, trinta e quatro de centeio e um carneiro, mas non se cobra toda por estar obscurecida perto da metade, e non obstante isso, a Administrazón Diocesana toma-a toda em conta no momento de repartir a sua asignazón. A Fábrica da Igrexa non têm renda algunha.

               10ª Non há sacerdote algum, só está asignado a esta Igrexa Don Benito Fernandez patrimonista de San Pedro de Batallans que non asiste por que passa de setenta anos e non confesa.

               11ª Este beneficio é de provisón ordinária, e toda a sua asignazón a percive o Parroco, com o desconto da renda, da Administrazón Diocesana, igual que o culto da Igrexa.

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DOS MONSTROS ARTIFICIAIS (E DA VIDA EM SOCIEDADE) XVIII

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               No capítulo anterior, por um lado, vimos que o direito natural de cada um a proteger a sua vida equivale colectivamente á guerra catastrófica, e, por outro, que as leis naturais, essas instruzóns para a paz, non se bastam a sí mesmas no propósito de se fazerem respeitar por todos os seres humanos. Neste ponto, o bom senso apoia o pensamento de Hobbes.  A boa vontade individual non parece suficiente para organizar unha sociedade ordenada, harmónica e que mantenha sob controlo os seus elementos mais rebeldes.  Nas páginas que se seguem, vamos completar este quadro, demonstrando que, segundo a teoría política que o inglês apresenta, também é possível “deduzir” a sociedade pelo seu método científico.  Vamos ver como a partir de um conjunto de indivíduos com interesses divergentes por natureza.  Hobbes infere a criazón de um poder que funda o Estado e une a sociedade, assegurando, assim, uma estabilidade suficiente para fazer progredir a indústria e o comércio.  Neste último ponto, Hobbes antecipa posizóns do chamado utilitarismo, pois o governo é preferível á natureza também em termos da felicidade do maior número de indivíduos.  As ideias que apresentaremos de seguida representam, deste modo, o ponto culminante da sua filosofia (embora fossem publicados antes do resto, estas ideias configuram a terceira parte do seu sistema filosófico, precisamente aquela que o autor considerava mais original e com a qual mais repercusón esperava ter sobre os acontecimentos do seu tempo).  A sua “ciência” do poder soberano, como non podia deixar de ser tratando-se de Hobbes, tem a mesma aspirazón geométrica que as duas anteriores.  O seu objectivo principal é justificar de forma lógica a necessidade do poder, non um qualquer,  mas o absoluto.  Aspira a convencer-nos sobre as vantagens de a ele nos submetermos.  Nem mais, nem menos.  Segundo este raciocínio, o principal motivo para obedecer ao soberano é o facto de o seu poder garantir a segurança, o que permite, eliminar a desconfiança natural.  É a nossa própria razón que nos leva a estabelecer um pacto de non agresón, um acordo de cada um com o resto dos cidadans.  Mas para que este compromisso se cumpra, em primeiro lugar, temos de delegar a nossa liberdade de usar a violência num “Leviatan” que concentre esse monopólio e se torne, por isso, temível.  A soberania baseia-se, entón, nesta transferência que parte do medo e só é efectiva se for igualmente temível pelas penas que conseguir impor.  Ora bem, sob o império do “Leviatan” cumprem-se as normas e os convénios. Nas próximas partes, vamos tratar básicamente quatro temas: em primeiro lugar, o “contracto social”; em segundo, o Estado, esse corpo político que nos protege e tem grandes similitudes com o nosso próprio organismo;  em terceiro lugar, os direitos do soberano, que son practicamente totais, conquanto a soberania só o possa ser se for suprema e independente; e, por fim, a liberdade dos súbditos, tal como Hobbes a redefine a partir da verificazón de que fazemos parte do Estado e, por esse motivo, somos também responsáveis por todas as accóns empreendidas. Chegou, pois, o momento de vermos como nasce este poder central, a autoridade absoluta, que Hobbes representa por um “monstro marinho” saído da Bíblia: o grande “Leviatan”.

 

ignacio iturralde blanco

5OO ARTIGOS DO POMAR

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                                      APOTHEÔSIS.

               ¡¡Nunca digas, desta áuga non beberei!!   ¡¡A áuga, corre com perigo!! ¡¡As consequências podem ser catastróficas!!   ¡¡A xente non queria saber nada!!   ¡¡Preferia permanecer na  mais absolucta ignorância!!   ¡¡Ah!!  ¡¡Mas é, que a cousa mudou!!  ¡¡Agora, há que pagar unha abultada quantia de euros!!   Xá sei, que auto-organizar-se, non lhes gusta nada!  Ademais, está muito mal visto!   É unha tarefa árdua, cheia de espinhos!   Custa inmenso vencer a inércia inicial!  A resistência ao movimento é atróz, titânica!   Mas, necessário é, fazer um esforço, há que tentar.   O papel das Assembleias, é o quid da questón.   Como mecanismos para a posta em marcha das colectividades rurais, e venhem a substituir o abandono por parte do Estado liberal das suas obrigazóns sociais.   O prestíxio do auto-goberno, que seguramente irá em aumento nos tempos futuros, preparará as irmandades vecinhais para o confronto com os intereses dum capitalismo moderno, bárbaro e sedento de botin.   Perante a morte dos velhos cacíques, as xentes do comum, terán a oportunidade de resolver por sí mesmas muitos dos problemas arcaicos e outros que forzosamente irán surxindo.   E será nas xuntas vecinhais, que teremos de lutar lado a lado contra os ogros particulares e empressariais, lesivos para a comunidade.   Teremos de defender o que é nosso, se é que acaso existam capacidades suficientes para evitar o empobrecimento xeral das nossas xentes.

a irmandade circular

CALDO DE CASTANHAS PILADAS

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               Esta sopa comia-se entre outros, no dia de San Bartolomeu, em que o diabo anda á solta e portanto non se pode sair ás hortas, porque o diabo bufa-lhe e os piolhos invadem todo o campo.  Por conseguinte é conveniente afinar a “artilharia”, com aquelas castanhas piladas, que secavam em caniças po’rriba do fume das lareiras, servindo de alimento para passar os crús invernos d’antano.   De véspera ponhem-se as castanhas de molho em áuga fria, fai-se o mesmo com os cagabichos. Aproveitando a áuga do demolho, leva-se ó lume.  Quando ferver, deitam-se os feixons e as castanhas.  Á parte aloura-se no azeite a cebola cortada em rodelas finas, xuntando depois ao conteúdo da panela. Quando os feixons estiverem abertos deita-se-lhe cinquenta gramos de arroz e depois de estar tudo bem cozido, tempera-se com sal.

 

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EM NOME DE GUILLADE (VIII)

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               3ª Guillade consta de unha porzón de casas ilhadas, que ainda que cada unha tenha o seu nome particular non podem chamar-se lugares ou bairros.  Os sitios da Portela, que só têm unha alma e o do Cabo que têm trece distan da Igrexa três quartos de hora de caminho.  Os lugares da Cabadinha, Costa, e Castromil que entre os três tenhem setenta almas, estan distântes três quartos de hora:  Moscaido com dezoito almas dista quarenta minutos: Carreira d’arriba e Carreira d’abaixo tenhem vinticinco almas e a casa mais lonxana está a trinta e cinco minutos:  Surreira d’arriba e Surreira d’abaixo están compostas de quinze almas, e a maior distância é de trinta minutos:  á mesma distância están os lugares de Castro e Vilar que tenhem trinta almas: Eirado e Viñó abrazan cinquenta e três almas a meia hora de distância: Encostada têm quarenta almas, e dista quarenta minutos; os mesmos que Campo da Bouza que têm quatro almas: a Comba e Carbalheda tenhem dezasete almas, e están distantes meia hora: Rañó têm vintinove almas, á distância de vinticinco minutos; e os mesmos dista A Saborida que têm três almas: O Pinheiro têm setenta e duas almas:  Pazo da Fonte quarenta e oito almas; o de Mourigade setenta e unha almas, e cada um destes lugares dista da Igrexa vinte minutos: Lama têm trinta e cinco almas e dista quinze minutos:  Bál têm nove almas distantes dez minutos:  os três lugares de Pontegil, Forquélos, e Arrigueira componhem-se de quarenta e quatro almas, e o mais distante está a vinticinco minutos:  A Portelinha têm treze almas, e dista vinte minutos, os de Reimunde e Rillón componhem quarenta e sete almas e distan doze minutos:  Pazos têm cinquenta e unha almas á distância de dez minutos:  Terendo com dezasete almas dista vinte minutos: e por último A Igrexa têm quatro almas e dista três minutos. Entre todos fan o referido numero de setecentos e vintinove almas.  Todos estes lugares están mais proximos da sua Igrexa do que o Terendo que fica ó lado da de Vilacoba.

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DO DIREITO NATURAL ÁS LEIS NATURAIS (XVII)

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                    Algumas paixons levam-nos a preferir a paz.  Também a razón nos impele na mesma direzón. Todos os homens concordam com isso.  Inclusive as virtudes morais. segundo as define Hobbes, son os traços de carácter necessários para uma vida pacífica, sociável e próspera.  Acontece que a paz, non é o estado natural, mas uma excepzón que, se non for suficientemente protegida, dexenera em guerra.  E como é isso possível? , pergunta Hoobes, “Todos os homens estan por natureza provistos de notáveis lentes de aumento (as suas paixóns e o seu egoísmo), e através delas qualquer pequena contribuizón aparece como um grande fardo; estan, por outro lado, desprovistos daquelas lentes prospectivas (a moral e a ciência civil) para ver as misérias que pendem sobre eles e que non podem ser evitadas sem tais pagamentos” (Leviatan, XVIII).  A sua resposta tem a ver, portanto, com a dificuldade de conseguir que todos os indivíduos se comportem da mesma maneira, contra a nossa natureza primitiva, e assim possam desfrutar dos benefícios da vida em sociedade.  Como terá adivinhado, o trânsito da motivazón indivídual para o comportamento colectivo é o quid deste capítulo.  A primeira das razóns que nos impelem na direzón oposta á guerra, o facto mais fundamental no qual estamos todos de acordo, independentemente das crenças, culturas e ideologias, é que non queremos morrer.  Este é o núcleo central da “ciência” político-moral de Hobbes.  Todos procuramos conservar a vida.  O nosso instinto mais primordial é, sem dúvida, o de sobrevivência, que também se relaciona com um temor muito racional a unha morte prematura e non desejada.  Como assegura Hobbes, uma das chaves da natureza humana é que “qualquer homem está desejoso de obter o que é bom para ele e de rejeitar o que é mau, e quer sobretudo evitar o mais grave de todos os males naturais, a morte” (De Cive, I).  E relacionado com o anterior, define:  “O direito de natureza, a que os escritores chaman “Jus naturale”, é a liberdade que qualquer homem tem de usar o seu próprio poder como quiser, para a conservazón da sua própria natureza, isto é, da sua própria vida;  por conseguinte, para fazer tudo aquilo que o seu próprio xuízo e razón considere os meios mais adequados para obter esse fim” (Leviatan, XIV).  Como seres humanos racionais, concordamos que se deve evitar o indómito estado de natureza, por ser perigoso e porque non garante o bem-estar.  Hobbes enuncia o respeito a este bem tan preciado que é a vida, e que nos pertence por natureza, com a mesma linguagem jusnaturalista que o jurista Grotius, embora evitando a origem divina que este último atribui ao direito natural”.  No capítulo I de Elementos do Direito Natural e Político, o nosso filósofo afirma que “non se apón á razón que um homem faça tudo o que estiver nas suas mans para conservar o seu próprio corpo e os seus membros tanto da morte como da dor”.  E  o que non se opôn á razón é aquela liberdade, “livre de culpa”, segundo o seu próprio qualificativo, para usar todo o nosso poder e habilidades naturais na consecuzón de dito fim (o direito natural),  como o enunciámos no parágrafo anterior.  Este autoriza-nos a usar tudo o que for necessário para preservar a própria vida.

 

ignacio iturralde blanco

CALDO VERDE Á MINHOTA

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               Este caldo, é o pior enemigo da fame, nestas verdes terras nas que nos tocou nascer.  É orgulhosa xente do “Comum”, ninguêm fala del, permanece afastado do mundanal ruído. Talvez por ser de condizón humilde, ou para defender-se daqueles economistas que o querem borrar do mapa.  Para quatro pessoas:  esprugar seiscentos gramos de patacas, mais douscentos gramos de berzas cortadas em xuliana finíssima. As patacas, a cebola e os dous dentes de alho, levam-se a cozer em litro e meio de áuga temperada com sal mais um decelitro de azeite.  Quando estiverem cozidas, esmaga-se tudo com um garfo e, dez minutos antes de servir, quando o caldo ferver a cachón, xuntam-se as berzas migadas bem escorridas.  Deixar cozer com a panela destapada, até deixarem de saber a crú.  Rectificar de tempero e adicionar um chorro de azeite crú po’rriba, colocar rodelas de salpicón e chouriço de carne em cada prato (para enfeitar, por dentro e por fora), e unha fatía de broa dentro da cunca de barro.

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EM NOME DE GUILLADE (VII)

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               Nos arranxos parroquiais do bispado de Tui a meados do século XIX, com o objectivo de conhecer as distâncias dos lugares e núcleos das parroquias com respeito á sua igrexa, se nos oferta unha interesante descripzón:  “Guillade – 1ª Têm esta Parroquia setecentas vintinove almas, e o lugar mais lonxano dista três quartos de hora da Igrexa.  2ª Têm um anexo que se chama San Pedro de Batallans confinante com a matriz, e alberga trescentas vinte e unha almas comprendidas em doce lugares estando o mais distante a vinte minutos da sua Igrexa. non passa por el ningum rio, nem têm capela, nim santuário algum, mais que a Igrexa.  Tampouco há nel capelhania, mas no lugar dito da Lousada existe unha obra pía com carga de unha misa semanária que pagan os vecinhos que alí tenhem bens, e ademais há no anexo trinta e duas misas de tabla que se aplicam segundo a vontade dos fundadores.  Existe nel unha Irmandade que se chama de San Pedro sem renda algunha e sostida polos vecinhos com objecto de fazer funzón ó seu Patrón e ter cera para os enterros dos difuntos.  Non têm casa nim Iglesário nim renda algunha como tampouco a sua Igrexa.  Os dereitos de estola deste anexo som os mismos que os da matriz que som Insolidum do cura que o é D. Manuel Fernández Candosa, o qual percive toda  a sua asignazón assim como o culto da Igrexa da Administrazón Diocesana.

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HOMENS QUE SON LOBOS (XVI)

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               Francisco Victoria deixou escrito:  “Non enim homini homo lupus est, ut ait Ovidius, sed homo.”  Isto é, ” o homem non é o lobo do homem, como diz Ovídio, mas é o próprio homem.”  Este jurista espanhol do Renascimento, muito lido por Grotius e decerto por Hobbes, refere-se á obra mais universal de Ovídio, Metamorfoses (onde, por sinal, non aparece a famosa passagem de hobbes que vamos comentar seguidamente).  Lá se relata aquela que é considerada a primeira transformazón de um homem em lobo, na carne de Licáon: “Aterrado ele foge e alcançando os silêncios do campo/  uiva e em van falar tenta; de si mesmo/ obtém a sua boca a raiva, e o desejo da sua acostumada matança/  usa contra o gado, e agora também do sangre desfruta./  Em pelos se transformam as suas roupas, em patas os seus braços:/  faz-se lobo e conserva os vestígios da sua velha forma./ A carnície a mesma é, a mesma a violência do seu rostro,/  os mesmos olhos luzem, a própria imagem da ferocidade ele é”.   É obrigatório falar de lobos ao apresentar o pensamento de Thomas Hobbes.  Mais concretamente, há que comentar a passagem de De Cive pela qual muitas pessoas o recordam.  Referimo-nos ao já mencionado “homo homini lupus est”:  “O homem é o lobo do homem”. Antes de mais, uma advertência a todos os que van repetir esta frase celebérrima.  Convém sermos prudentes.  Na verdade, o que Hobbes pretende quando a usa é contrapor duas máximas da antiga Roma:  “Para falar imparcialmente, estes dois preceitos son muito verdadeiros: que o homem é uma espécie de deus para o homem e que o homem é um autêntico lobo para o homem.  O primeiro é verdade se comparamos uns cidadans com outros, e o segundo se comparamos cidades” (De Cive, dedicatória).  Além disso, o autor deste aforismo pessimista é, na verdade, o romano Plauto (254 a.C.- 184 a. C.), que, na sua Comédia dos Burros, assegura pela boca de uma das personagens que aqueles que non conhecemos son para nós mais parecidos com lobos que com pessoas.  E o bom senso parece corroborá-lo, como testemunham as inúmeras advertências diariamente repetidas aos mais pequenos: “os desconhecidos podem ser perigosos.  Non, é prudente confiar neles, e muito menos aceitar os seus caramelos, sobretudo se forem grátis”.

 

ignacio iturralde blanco

ÁUGA D’UNTO

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               O unto afumado, dá um caldo mais sabroso.  Antâno, no tempo das muitas guerras, quando o azucar costumaba faltar, para nosso maior castigo.  Era esta água que substituia o café-com-leite dos pequenos-almorços.  Levar ó lume um litro e meio de água com cinquenta gramos de unto, mais duas colheres sopeiras de azeite.  Unha cebola cortada em rodelas muito finas. Temperar com sal, e aparte, bater tres ovos que se xuntam á sopa, só no momento de comer, contudo deixar cozer os ovos.  Servir bem quente, acompanhada de pan de broa ou de mistura milho-centeio (migado ou non).

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EM NOME DE GUILLADE (VI)

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              “Santa Leocadia de Guillade foi por moito tempo anexo de San Miguel de Guillade, e era-o no ano de 1523 como consta num litíxio que entón se ventilou sobre a presentazón do Benefício curado da sua matriz, pois disse nel que esta tinha nesse tempo por  anexo a San Pedro de Batallans e a Santa Leocadia de Guillade.  Nas Sinodais do Obispado que fixo o Senhor Obispo Avellaneda no ano de 1528.  Comenta-se que a Igrexa de Santa Leocadia de Guillade pagaba á Dignidade epíscopal de Tui meia libra de cera.  Hoxe em dia non existe esta parroquia, nem existia xá em tempos do Senhor Obispo Sandoval, nem ainda antes em 26 de Febreiro de 1557.  Onde se agregou a metade dos diezmos frutos e rendas de San Miguel de Guillade e o seu anexo San Pedro de Batalhans ó Deanato de Tui, pois na escritura desta unión xá non se expresa o anexo de Santa Leocadia de Guillade.  Está incorporada de todo á matriz, e desapareceu até a mesma Igrexa.  Segundo informes que tomei o seu territorio tinha-o na meia parroquia que chaman de arriba, e se conserva ainda em Guillade a tradizón de que naquela parte houvo antigamente pia bautismal, e existen uns terrenos titulados de Santa Leocadia, que sem dúvida son os do sítio onde estivo a Igrexa.”

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POSSIBILIDADE DE UM ESTADO DE GUERRA GENERALIZADA (XV)

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             Assim, por exemplo, se dois galans pretendem a mesma dama, ambos procuraram por todos os meios civilizados, incluindo certas manigâncias para derrotar o adversário.  Mas se estes mesmos contendentes non temerem o castigo que lhes possa ser imposto por transgredirem a lei, quer porque non exista tal norma quer por o Estado non ter capacidade para a fazer cumprir, é mais que provavél que cheguem a vías de facto e recorram á violência, inclusive homicida, para obterem o cobiçado fim.  Agora, por um momento, pensémos nesta mesma situazón multiplicada por um dez, ou por cem milhons.  Aterrador, non é?  O próprio Hobbes descreveu esta possibilidade como um estado de guerra generalizada: “O estado dos homens sem sociedade civil, estado que com legitimidade podemos chamar estado de natureza, non é outra coisa senon uma guerra de todos contra todos; e nessa guerra todos os homens têm o mesmo direito a todas as coisas” (De Cive, prefácio).  Neste cenário pré-social, non existe, portanto uma distinzón clara entre o que é meu e o que é teu.  Simplesmente as coisas arrebatam-se, isto é, tomam-se pela força.  Onde non há lei, non pode haver propriedade privada, nem nozón do bem e do mal, nem mesmo justiza.  Nesta situazón, proliferam livremente “os dois filhos da guerra: o engano e a violência, ou, dito em termos mais claros, uma brutal rapacidade” (De Cive, dedicatória).  É enton que o homem mostra mais claramente que é um predador impiedoso.  Perante a imagem cristan dos cordeiros e dos rebanhos, Hobbes escolhe o animal que é a sua maior ameaça, o lobo, e que, como tal, está carregado de grande força simbólica.  Daí se infere que, fora da sociedade, o homem representa um grave perigo para o próprio homem.  Sem um poder superior, que contenha os nossos desejos incessantes, entabula-se uma luta generalizada na qual só se impôe a lei do mais forte, embora Hobbes nunca tenha usado esta expressao.  Deste modo as pessoas armam-se para se defenderem dos seus vizinhos, pois só podem confiar nos seus próprios meios para o fazer. Nestas circunstâncias, a ansiedade é constante, porque non podemos saber quando seremos atacados, quer por um indivíduo quer por uma coligazón deles.  “Son tantos os perigos que ameaçam toda a gente como consequência da cobiça e dos apetites de cada homem, que o facto de todos termos de nos proteger e de cuidar de nós mesmos está tan longe de ser encarado como uma brincadeira, que ninguém pode nem quer fazer outra coisa” (De Cive, I).  O efeito desta desconfiança generalizada sobre o desenvolvimento e a prosperidade é devastador.  Hobbes enumera as consequências deste conflicto em grande escala:  “Numa situazón semelhante non existe oportunidade para a indústria, já que o seu fruto é incerto:  por conseguinte, non há cultivo da terra, nem navegazón, nem uso dos artigos que possam ser importados por mar, nem construzóns confortáveis, nem instrumentos para mover e remover as coisas que requerem muita força, nem conhecimento da face da terra, nem cômputo do tempo, nem artes, nem letras, nem sociedade” (Leviatan, XIII).

 

IGNACIO ITURRALDE BLANCO

POLVO GUISADO Á MANEIRA DE SAN MIGUEL (AÇORES)

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               O “Polvo á feira é a melhor maneira!  Mas há outro modo de come-lo, que pervive apesar dos tempos gravado nas minhas neuronas, desde pequeno.  Quando a minha santa Nái, que tinha unha paciência infinita comigo, mo facia, para ver se eu comia algo, pois era um neno tremendo, tan difícil que incluso pensaron em comprar-me um prato que levava água quente dentro, e a rolha tinha um encantador passarinho de porcelana, para que o “Enfant Terríble” se maravilhara com el e comera algo.  Bom, o assunto é que era de chupar os dedos.   É melhor que os polvos sexam pequenos, despois de lavados e arranxados, cortam-se em pedazos e ponhem-se a escorrer.  Seguidamente fazemos um refogado com cebola, dous dentes de alho picados, azeite e óleo vexetal.  Ó estar a cebola translúcida, introducir o polvo no refogado, até largar a água toda.  Quando o líquido se tenha evaporado, pouco a pouco ir xuntando o vinho, a ponta de unha malagueta picante, sal e cinco grans de pimenta.  Quando estiver tenro, xuntam-se as patacas aos quadrados pequenos para que se cozan.  Pois resultou estár bastante bom, este petisco, com o seu sabor arcáico excelente.

 

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EM NOME DE GUILLADE (V)

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          O historiador tudense Avila y La Cueva tamén aportará unha información valiosa sobre a parroquia na súa obra:

            “Guillade. Antigamente chamou-se a presente parróquia Viliati como consta por unha escritura do mes de Maio do ano 1074, na que Dª Hermesenda Mendez deu esta Igrexa com o expresado nome á de Tui:  em Decembro do 1156,  xá se chamaba San Miguel de Juliadi:  e mais adiante vem-se a chamar Guillade, nome que hoxe reten.  Reconhece por Patrón tutelar ó Arcanxo San Miguel, sendo aquí a sua festa o dia 20 de Setembro quando é celebrado o santo.  Habitada por 170 vecinhos, que correspondem polo contêncioso político e gobernativo á xustiza de Salvaterra.  Valen os seus diezmos incluso os do anexo de San Pedro de Batallans 33.500. reais anuais, dos quais leva o Reverendo Obispo de Tui 3.500, que lhe correspondem por razón da quarta parte dos diezmos com todas as primicias da matriz e anexo, os que partem pola mitade o Abade de Guillade, e o Dean da Catedral de Tui,  levantando cada um por esse motivo 15.000. reais:  como tamém entre ambos dividem ó meio a renda foral.  A metade da que goza o último foi unida e agregada á sua Dignidade polo Cabildo Catedral da própria Igrexa em 26 de Febreiro de 1557, cuxa escritura de union colocaremos adiante no Apendice do tomo 5º.  numº….  O Párroco da matriz disfruta de casa reitoral  e ingresário de 12 ferrados de pan em semente:  ademais percibe de renda anual 30 ferrados de trigo e 21 de centeio.  A Fábrica da Igrexa non cobra nem têm cousa alguma.  Segúndo as Sinodais do Obispado do Senhor Avellanda do ano 1528, pagou San Miguel de Guillade á Mesa Episcopal de Tui 10 soldos leoneses, 1 libra de cera e 12 maravedis velhos.  É o presente Benefício de presentazón Real e Ordinária.  Dista da Capital três léguas e meia.

 

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