Arquivos diarios: 19/04/2017

O XOSÉ DO CABO

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               José Maria Bouzó Argibay, agora que está “Jubilado”, e podia disfrutar descansando prazenteiramente dos abatares da vida.  É “presunto implicado”, num “Proxecto de Dessarollo Local”, para a sua aldeia de Guillade.  A el que gosta de decir que é um aldeano incrustado a duras penas na cidade, sempre tivo em mente a preocupacion pela sua tribu , lugar onde nasceu e passou os anos mais felizes da sua vida.  Voltou com um proxecto cooperativo,  para tentar melhorar o seu país pequeno, que se atopa num calamitoso estado de  desorganizacion.  Filho e herdeiro de famílias emigrantes em Lisboa por três xeracions consecutivas, foi capaz de levantar em Vigo um pequeno império escolar.  Nasceu em 1933, na sua casa do Cabo de Reimonde, porque ainda que os seus pais estavam em Lisboa, queriam que os seus filhos nasceram na sua terra, para o qual sua nái retornou temporalmente para o parto en Guillade.  A emigracion a Portugal vêm do tempo do seu bisavô, que deixou para o seu avô duas “carboarias”, e umas tabernas, onde se comprava o carbon para cozinhar e ó mesmo tempo se levava o vinho prás comidas, aproveitando que arrimados ó monstrador tamém se tomavam uns “copos” a modo de aperitivo.  O velho corazon da antiga Lisboa, antes cheia de “carboarias”, foi evolucionando para as “casas de pasto”, “petiscos”, “comes e bebes”, e “restaurantes”,  acabando por desenvocar na cuidada hostelaria actual.  Viviam no Largo Silva Albuquerque, ó lado da Praça da Figueira, e do Rossio, recordando ainda de neno ás sete da manhan o movimento dos carros e aquel grito cada dia de um vendedor: “Quem quer figos, quem quer almoçar?”   Mas na realidade onde passou a maior parte da sua infância foi em Guillade, com os seus avós, nunha

escola de catorze nenos, de várias idades.  Durante a Guerra Civil certas casas forom muito sacrificadas porque tiveron que contribuir ó sosten do exército, primeiro com o ouro que tinham, e depois com os bois…   mas ficaron com as suas veigas e o seu ânimo de subsistir.  A sua avó contava com um nutrido “Corpo de Bens”, que ainda que de pequenas parcelas, axudava muito á economia de autoconsumo, fortalecida pelas axudas que vinham de Lisboa.  “O meu avô, chegou a levar para Lisboa uns trinta galegos, para trabalharem com el, porque confiava mais neles para o trabalho duro, xá que estavan acostumados ás rudas xornadas das labores agrárias.  Eu estava muito bem, quando iva a Lisboa, ainda que gostava muito mais de viver em Guillade, mas chegou um momento em que dixeron que tinha que estudar, habia que decidir-se Lisboa ou Vigo, e se fora em Espanha deberia ir interno a um colégio de Vigo.”  “O maior de todos os traumas, estava por vir, porque da vida livre dos nossos campos, passei a água com patacas, ou patacas com água…  e um bolo de pan para as três comidas.   Claro, que eran tempos de postguerra, cheguei ó coléxio em 1943 e em Vigo comia-se mal;  na aldeia tinhamos, quem mais, quem menos algúm porco, algunha vaca, coelhos, galinhas…   O que nos chegava ó coléxio das casas, era a nossa esperanza.  Non vou decir o nome do coléxio, mas passei alí dez anos muito disgustado e sain com a conviccion de que nunca permitiria que ningúm dos meus filhos se fora interno a um centro educativo.  Soportei unha discíplina férrea, á base de golpes e patadas no cú, que era o que se entendia por educacion nesse momento.”   “De aviador, nada”. “Feita a “Reválida” acabei a escola, e sentin como se saíra de unha cárcel.  Quedei em Vigo, a viver no bairro de Casablanca, por onde está agora o “Corte Inglés”.  Na verdade queria ser aviador, mas isso implícava trasladarme a Madrid, e o meu pái dixo que de ningúm modo, que acabara o “Bachillerato” e despois se veria, isso de ir a Madrid.  Na casa queriam que fixera “Comercio”, porque deberia facerme cargo das cousas da avó, usufructuária de todos os negócios que deixara o avô:  um comercio de calzados e fazendas, e um “almacén de vinhos” que exportava para a América.  Tudo em Lisboa.  Sendo eu, o único neto varón…”   “Recordo os “bailes” de xuventude naquel Vigo pueblerino, “Las Cabañas”, “Jardin Park”, “El Suévia”, as verbenas, “O Grímpola”, a terraza do último piso do Hotel Moderno com bailes os sábados, onde vinham as “chicas bien” e até alguma vez o rei Juan Carlos, que estudava em Marín e tinha como amigo na escola a Pérez  Moreiras, companheiro meu tamém dessa vida.  Estava o “Club Náutico”, o Casino, “O Club de Campo,  “O Aero Club”,  etc…   Nalgunhas destas sociedades classistas dependia para entrar de que aparecera ou non unha bola negra que che vetara a entrada”.  “Foi em 1957 quando a minha avó me mandou a Lisboa para atender aqueles negócios que, ainda que estaban alí o meu pái e o meu tio, os tinham na man de apoderados e eles vivíam regaládamente das suas rendas.  Ir alá com a autoridade delegada da minha avó, com a ordem de que debian dividir e resolver, non era nada fácil, sendo eles os meus maiores.  ¿Quem és tu para pedirnos contas?, me decian.  Conseguim meter ainda um contable que foi pondo os negócios em ordem, e convencim a avó que vendera os seus numerosos pinheiros em Pontareas, para que sacara um dinheiro para ela e repartira com os filhos…  A min non me deixou nada, mas sim muito carinho e, sobre tudo, rezou muito por min.  Tanto ela como a minha tía-avó.   Em 1958 a  avó convenceu o meu pái a comprar um edifício na rua Lóriga, de cuxa compra me encarguei eu mesmo.”   “Trabalhei primeiro nos Correos em 1957 ganhando 1600 pesetas, mas isso gastava-o eu quase na pension, assim que colhin representacions de máquinas de pesar, bolsos, zapatos, hebillas, cordas, etc…”   “Como eu queria ganhar mais dinheiro, alá por 1959  entrei a trabalhar na Academia Octavio, que se tinha separado do Colégio Muro, e alí comecei a dar classes de cálculo.  Ou sexa que facia o meu horário em Correos e no tempo libre tinha as minhas representacions, e ainda dava classes.  Passei da pendonaria xuvenil, ao trabalho sem límites”.  “Nascim na aldeia, e á aldeia voltei.  Vivim todo o inmenso câmbio na Espanha desde a Guerra Civil, a solidariedade que havia com a xente daquel rural e, quando me “Jubilei” em vez de descansar, ideei um proxecto para o meu povo de Guillade.  Intento, contando com a xente d’alí, mudar a fisionomia dos montes e da natureza circundante, este ano plantamos mais de mil árbores, nogais, cereixos, castanhos e avelhanos.  Procuramos unha cooperativa com o sessenta por cento do povoado, com objecto de limpar os montes e eliminar o eucalipto, rarear as plantacions de pinheiros, etc, etc…   Em definitiva, organizar e conservar os manantiais de água, para futuras plantacions de frutais, cultivos agrícolas e abastecimento das vivendas.  Desexando que tudo vaia no sentido do “Bem Comum” de todas as nossas xentes.”

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a irmandade circular

VÉN, ENTRA CANDA MIN NA CASA VELLA,

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Entra despacio e en silencio.  Non perturbemos a cor das sombras

nin a música dos escasos volumes.

Xa sabes: levamos connosco o que non comprendemos.

E agora entra nesta estancia hai tantos anos cerrada

aos menceres, desprovista de calor humana e pes descalzos,

non de vívidos recordos.  Imos arexar o caruncho, a poeira,

as negras moedas de cobre, os anos que pasaron.

Imos oír a voz límpida da Terra, imos amar a palabra

até que sangre purísimo silencio.

Os anos que leva cerrada aquela fiestra, precisamente aquela:

(mira como a hedra se encarama, como a acosa a figueira).

Aínda se presinte un rostro belo e pensativo apoiado no peitoril,

un rostro ás veces excesivo, fumando lentamente, uns labios

que emitían historias mentres chovía a noite moura

dos longos invernos.

Soaran nesta casa escuras guitarras de lonxanos portos,

contos de abismos e ausencias, inolvidábeis palabras de amor…

 

Ás veces penso que esta casa estivo solitaria no medio do bosque,

que durante séculos recibiu aos camiñantes, xente

perdida que vagaba, estranxeiros, estraviados…

Hoxe que esta casa está a carón doutras eu podería

escribir unha traxicomedia, algo que fora producto

da social humanidade…

pero eu amo demasiado este silencio.

Falar desta casa é falar tamén dunha cousa

que escribín precisamente aquí.

(De pouco serve a Historia se chove arreo e tanto, ¿non si?)

 

Qué ledas ou tristes cartas gardarán as chineiras, qué rostros,

qué retratos atentos ou descoidados.

Mira, vouche contar un segredo.  Onte entrei aquí manseliño

e puxénme a escribir. Non é nada importante, pero foi escrito

nesta casa amarelada polo tempo. E amarelado

se tornará neste cuarto este manuscrito que non xurdirá

en libro.  Quedará aquí nesta casa xunto ao forno de arxila,

xunto á zafra enferruxada, os martelos, as tenaces…

Vouche ler o texto a condición de que quede entre nós

a historia.  É breve e conta esta cousa:

 

Chámanme Xacinto.  Teño nome de flor pero son, parece, unha ra (“xa son metamorfose, xa son caos”).  E digo “chámanme” e non “chámome” porque en verdade son os outros os que me nomean, os que chaman por min, os que saben cómo me chamo.  É verdade que ás veces non digo,  por exemplo: “agora vou ducharme“, senón que me digo a min mesmo “Xacinto, agora vai ducharte!”.  Pero cando falo así é de broma e tamén porque lle oio aos outros chamárenme Xacinto.  Ademáis non sei cantos anos teño.  É unha vergoña non o saber, pero é verdade.  As outras ras soen vivir meses, creo.  Eu xa teño anos, e moitos anos,  Isto non quere dicir que non me vaia un día.  Quere dicir soamente que son unha  excepzón en lonxevidade.  !E se vos digo de onde veño non mo credes!  A dicir verdade mentinvos.  Se fixera ben as contas sabería a miña idade, mais ou menos.  Pero, claro, xa teño tantos anos de vida que me despreocupei de toda esa historia de contar o tempo.  E xa non penso niso  ¿Para qué? “A vida é demasiado corta por muito que dure”.  Onte o señor Edmundo Raiz recordoume a miña orixe cando colleu a Biblia e comezou a ler aquilo que se conta baixo o título de “Segunda Praga – As ras.” (Éxodo, Ex.7).   Díxome que eu ainda era unha sobrevivinte daquela catástrofe.  Que eu era das que me quedara no río.  Eu, cando el rematou a miña historia, conteille un segredo, conteille que nese río había un pozo moi curioso, segundo me contara a ra máis vella do lugar.  A certa altura do leito, subindo cara á nacente,  xurdía no momento máis inesperado un precipicio non moi ancho, máis ben estreito, dunha fondura considerábel, poi non se acadaba a ver o fondo, un buraco inmenso con paredes rodeadas de espellos xusto até ao mesmo fondo onde xa só hai limo cenagoso e espíritos de ras finadas.  Cada ra que caía nel non volvía (anque segundo conta a lenda algunha volveu… para contalo).  As ras agora xa toman coidado pois hai unha pequena pista que lles indica o lugar:  hai uns centímetros de capa especular antes de chegar á boca do pozo mesmo.  Cair por el é algo incontábel.  Antes de tocar fondo pasa polos espellos toda a túa vida na auga e na terra.  Pasa todo en tan pouco tempo que parece que non da tempo a vela.  Pero en realidade da tempo a ver a túa vida toda.  As ras máis noviñas están avisadas de tal perigo, pero elas non teñen medo…

 

Estas liñas escribín nesta antiga estancia

visitada polo tempo e as lembranzas máis antergas,

tempo e lembranzas quizais relucentes de lareiras, quizais, meu amigo.

 

francisco candeira