.
A obra escrita de Freud é, sem dúvida, muito considerável. Há que salientar que a sua produçao científica e filosófica, traduzida para castelhano, abarca um total de vintitrês grossos volumes. Além disso, teriamos de acrescentar a sua importante e muito significativa actividade epistolar. Sem dúvida que Freud foi um escritor consciencioso e muito prolífico… Contudo, é habitual classificar tematicamente a obra escrita de Freud em quatro grandes blocos. Um primeiro grupo corresponderia ás obras em que Freud estabelece as bases do seu modelo psicanalítico; a célebre “A Interpretaçao dos Sonhos” (1900) ou “Psicopatologia da Vida Quotidiana” (1901) serian as mais significativas. Um segundo grupo incídiria nos contributos de Freud em relaçao á importante teoria da sexualidade humana e da líbido; neste sentido, merecem ser citados os polémicos “Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade” (1905). Os textos a partir dos quais se estabelece a segunda tópica, isto é, o último modelo teórico da psique humana com o qual Freud trabalhou, ocupariam um terceiro bloco; nele destacaria “Para Além do Princípio do Prazer” (1920) e “O Eu e o Id” (1923). Finalmente, Freud consagrou grandes esforços a reflectir sobre a sociedade e a cultura; neste grupo inclui-se “Totem e Tabu” (1913) ou o impressionante “O Mal-Estar na Civilizaçao” (1930). Apesar da necessária distância crítica e objectiva que Freud queria manter, os seus textos denotan, pelo menos, três aspectos muito pessoais a destacar. O primeiro é a sua honestidade científica, isto é, a sua retidao e honestidade intelectual; o segundo, a sua grande erudiçao, e, finalmente, o seu olhar crítico sobre os factos e a própria obra, uma actitude que fez dele um pensador sempre em construçao, em processo… Além disso – é importante destacá-lo – Freud nunca se amedrontou perante o possíbilidade de as suas escandalosas teorias lhe pesarem a nível social ou profissional. Temos um bom indício desta actitude noutro dos fragmentos de “O Futuro de uma Ilusao”…
MARC PEPIOL MARTÍ
