Arquivos diarios: 06/04/2017

TOCCATA E FUGA

 

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I

Tódalas palabras que solicitan ser ave teñen o meu amor:

só o silencio do voo pode falar da cobizada Eternidade

e penetrar no íntimo coma un libro ou unha mulher amada.

 

II

Abrirlle as portas ó sono coa chave chuventa do silencio

deixarse durmir coma un príncipe desleixado ou un aedo feliz

e soñar, cada noite que arde soñar un soño improbable.

 

III

Vivir e amar nunha casa de pedra, beirada de musgos e nogueiras

vivir así (recolleito): sen auto, sen televexo, sen canción urbana

e estar namorado do silencio, en homenaxe, ata o derradeiro intre

 

FRANCISCO XOSÉ CANDEIRA

 

SIGMUND FREUD (OS ESCRITOS)

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               A obra escrita de Freud é, sem dúvida, muito considerável.  Há que salientar que a sua produçao científica e filosófica, traduzida para castelhano, abarca um total de vintitrês grossos volumes.  Além disso, teriamos de acrescentar a sua importante e muito significativa actividade epistolar.  Sem dúvida que Freud foi um escritor consciencioso e muito prolífico…  Contudo, é habitual classificar tematicamente a obra escrita de Freud em quatro grandes blocos.  Um primeiro grupo corresponderia ás obras em que Freud estabelece as bases do seu modelo psicanalítico;  a célebre “A Interpretaçao dos Sonhos” (1900) ou “Psicopatologia da Vida Quotidiana” (1901) serian as mais significativas.  Um segundo grupo incídiria nos contributos de Freud em relaçao á importante teoria da sexualidade humana e da líbido;  neste sentido, merecem ser citados os polémicos “Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade” (1905).  Os textos a partir dos quais se estabelece a segunda tópica, isto é, o último modelo teórico da psique humana com o qual Freud trabalhou, ocupariam um terceiro bloco; nele destacaria “Para Além do Princípio do Prazer” (1920) e “O Eu e o Id” (1923).  Finalmente, Freud consagrou grandes esforços a reflectir sobre a sociedade e a cultura; neste grupo inclui-se “Totem e Tabu” (1913) ou o impressionante “O Mal-Estar na Civilizaçao” (1930).  Apesar da necessária distância crítica e objectiva que Freud queria manter, os seus textos denotan, pelo menos, três aspectos muito pessoais a destacar.  O primeiro é a sua honestidade científica, isto é, a sua retidao e honestidade intelectual; o segundo, a sua grande erudiçao, e, finalmente, o seu olhar crítico sobre os factos e a própria obra, uma actitude que fez dele um pensador sempre em construçao, em processo…  Além disso – é importante destacá-lo – Freud nunca se amedrontou perante o possíbilidade de as suas escandalosas teorias lhe pesarem a nível social ou profissional.  Temos um bom indício desta actitude noutro dos fragmentos de  “O Futuro de uma Ilusao”…

 

MARC PEPIOL MARTÍ