Arquivo por autores: fontedopazo

LOURENÇO “O MAGNÍFICO” (UM MECENAS MÁNS-LARGAS)

No entanto, o principal obxectivo do Magnífico foi promover o desenvolvimento das artes e reviver o passado clássico. Por isso, é recordado com todo o mérito como um mecenas máns-largas e um poeta de dotes notáveis. Até as relaçóns diplomáticas ele cultivou através dos artistas e do prestíxio que estes lhe proporcionaram. E entre os seus maiores feitos, além de manter um delicado equilíbrio com o resto dos principados italianos – um verdadeiro diplomata com xogo de cintura – , há que referir a descoberta de um xovem Michelangelo Buonarroti a quem encomendou trabalhos com a tenra idade de 15 anos. Este artista inesquecível manteve, tal como Machiavelli, unha relaçón de amor-ódio com esta família de ricos banqueiros. Dos filhos de Lourenço, há que mencionar especialmente dous: Pedro e Xoán. O primeiro herdou o poder com a morte do seu pai, mas só o soube manter durante uns escassos anos. A sua política externa foi desastrosa, especialmente face à primeira invasón francesa de Itália, o que fez com que a família Medici fosse expulsa de Florença e só conseguisse regressar duas décadas depois. Por seu lado, Xoán, que se tornaria mais tarde em León X, o primeiro papa Medici, é importante nesta história por dous motivos: primeiro, por ter decretado unha amnistia pouco depois de ter sido nomeado e, segundo, por ter convencido o seu antecessor, o belixerante Xúlio II, de que tinha pactuado com Espanha o regresso dos Medici, assim que as tropas de Fernando, o Católico, tomassem Florença para a Liga Santa.

IGNACIO ITURRALDE BLANCO

ROBERTO MERA COVAS (HOMENAXEM A ALEJANDRO VIANA) (9)

Alejandro Viana e Luciano Vidán logran ao fin entrar en Francia e dirixirse cara a Burdeos onde Celina San Martín se une a eles. Nos seus primeiros días de exilio alóxanse no Hotel des Pyrinnées de Burdeos. Tamén atravesa a fronteira a maior parte do seu grupo de amizades: Osorio Tafall, Pastor Candeira, Isabel Napal, Alejandro Otero, Mercedes Orgaz, José Antonio Fernández Vega, Pedro Díaz, José Echeverría e José Pardo Gayoso. Peor sorte corre Juan Romero Montesinos, o home de Isabel Napal, que é detido, xulgado e condenado en Valencia a cadea perpetua. A súa dona é internada durante varios meses nun refuxio en Bougeat (Correze), mentres Mercedes Orgaz vive acollida por unha familia na vila francesa de Romilly-sur-Seine. Pola súa banda, Gerardo, o sobriño de Alejandro, continúa combatendo no exército republicano até a fin da guerra. Ao seu remate conseguirá fuxir a Portugal, dende onde se dirixirá a México en decembro de 1939. Nesa mesma data unirase a el a súa irmá Herminia procedente de Vigo. Dende Burdeos, e no medio da traxedia, Alejandro non esquece as familias dos seus amigos e envíalle unha carta ao nacionalista vasco Manuel de Irujo, que se atopa en París. O dirixente do Partido Nacionalista Vasco é o responsábel dos intercambios de prisioneiros a través dunha comisión de árbitros ingleses. Viana interésase polo fillo de Telmo Bernárdez Santomé, un vello amigo e correlixionario asasinado en Galicia.

ROBERTO MERA COVAS

BERGSON (O ABANDONO DOS INSTINTOS)

Embora Bergson nunca renegue o texto, ver-se-á tán desgastado polo “tsunami” de reaçóns que desencadeia, incluindo críticas e elóxios pouco reflexivos, que xá no final da sua vida o matizará com duas mais pensadas “Introduçóns” (à Introduçón) quando o inclui no volume “O Pensamento e o Movente” (1934), que xunta os seus escritos breves relativos ao método do filósofo. E, finalmente, “A Evoluçón Criadora” (1907), opus magnum em que trabalhou dez anos e onde oferece o esperado “suplemento metafísico” à teoria de Darwin. Depois de apresentar a vida como o vínculo real entre todos os corpos vivos, franxa “endosmótica” de encontro entre a consciência e a matéria, Bergson refere as limitaçóns do mecanicismo e do finalismo quando explica a sua evoluçón. Para isso, passa revista aos dados mais relevantes fornecidos pola ciência, o que dá ao libro unha dimensón considerábel (370 páxinas na sua primeira ediçón). Esta série de discussóns leva-o à hipótese de um impulso orixinal finito, unidade primitiva de toda a vida que estaríamos obrigados a pressupor no começo da evoluçón e que, ao infiltrar-se na matéria que encontra perante si, iria dando lugar, por bifurcaçóns sucessivas (embora non igualmente bem-sucedidas), a todas as espécies conhecidas. Neste enquadramento surxe a diferênça entre instinto e intelixência, entendidos como soluçóns diverxentes, igualmente elegantes, para o problema da acçón sobre a matéria. Isso dá razón à concepçón do ser humano, apoxeu da intelixência, como “homo faber”, fabricante de utensílios por excelência (tarefa na qual é assistido pola linguaxem), o seu abandono dos instintos indica-lhe um limite no momento de conhecer a vida a partir de dentro. Por sorte, algo do instinto sobrevive, em estado “virtual”, xuntamente com a intelixência: a intuiçón capaz de captar a essência temporária da vida e que a filosofia tem como tarefa elevar a método de conhecimento. Deste modo, fixam-se as bases para unha superaçón efectiva da condiçón humana: a “intelixência” faz perguntas a que non consegue responder; o “instinto” poderia dar respostas, mas non faz perguntas. É só a “intuiçón” que pergunta e responde, abrindo assim a metafísica a todo um horizonte de descobertas. Non sendo da fácil leitura, o libro constitui um êxito mundial (ia na 52ª ediçón quando o autor morreu) e a sua filosofia difunde-se rapidamente entre todo o tipo de leitores, especialmente na América do Norte, onde além da amizade de William James encontra a simpatia de um público familiarizado com a corrente pragmatísta, com a qual partilha característias próximas. No âmbito académico, por outro lado, desta vez o êxito é visto com desconfiança. Os biólogos mostram-se cépticos perante tanta metafísica. Em filosofia, as posturas polarizam-se rapidamente, o que xerará divisóns inclusive no seio das mesmas correntes. Encontramos um exemplo em Bertrand Russel e Alfred North Whitehead, líderes da escola analítica britânica. Se o primeiro acusa Bergson de substituir o raciocínio pola imaxinaçón e de “querer fazer-nos voltar ao estado de abelhas ou formigas”, o segundo desenvolverá unha “filosofia do processo”, que em mais de um sentido constitui um prolongamento do bergsonismo: conforme lemos em “O Conceito de Natureza” (1920), as cousas constituem passaxens da natureza, e som acontecimentos enquanto este passar “durar”.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

LITERATURA CASTELÁN (MILÁGROS DE NUESTRA SEÑORA)

Os “Milágros de Nuestra Señora” constituie a mais importante e extensa obra de Berceo, e están compostos por vinticinco narraçóns precedidas de unha introduçón alegórica. Trata-se de outros tantos milágres que efectua a Virxem em favor de dos seus devotos, para salvar as suas almas ou protexé-los de algum mal. Um ladrón devoto da Virxem vai ser aforcado, mas a Virxem coloca as suas máns entre o corpo e a corda e salva-o da morte; um monxe afogase nunha torrente ao regressar de unha aventura pecaminosa, mas a Virxem resuscita-o, para que poida fazer penitência e salvar a sua alma; um clérigo ignorante é acusado ante o bispo de non saber outra misa que a da Virxem e som-lhe retiradas as licênças, el acude em demanda de conselho a María, que lhe aparece – indignada – ao bispo e ordena-lhe que permita ao clérigo celebrar a sua misa como tinha por hábito; Teófilo, espécie de Fausto medieval, vende a sua alma ao diábo movido pola cobiça, mas arrepende-se logo e a Virxem resgata o documento de venda; num assunto de dinheiro o “Niño Jesús”, que a Virxem sostém nos seus brazos, fala na defesa do acreedor que a tinha posto como testemunha do seu préstamo; um crégo e um lego tratam de roubar unha igrexa, mas ao intentar o clérigo despoxar a Virxem do seu manto, quedam-lhe as máns pegadas a el, e xa non as pôde despegar, prodixio que lhe vale o perdón da xustiça – ao ser apresado -, pois nele se reconhece a protecçón que a Virxem quería dispensar ao pecador, etc…, etc… Sobre todos estes milágres e lendas piadosas, existía em todos os países da Europa medieval unha abundantíssima literatura latina, da qual som modelos típicos e mais populares o “Speculum Historiale”, de Vicente de Beauvais, a “Leyenda Áurea”, de Jacobo de Vorágine e – em romance francés – “Les Miracles de la Sainte Vierge”, de Gautier de Coincy. O erudícto francés Puymaigre supuso que Berceo tinha tomado os seus temas deste último, mas xá Menéndez y Pelayo fixo notar a improbabilidade, de que o poeta rioxáno houvéra podido conhecer a obra do francés. Parecía mais verossímil que ambos se houbessem inspirado em modelos comúns – de aquí a razón das suas coincidências -. Richard Becker encontrou, efectivamente, na Biblioteca de Copenhague um manuscrípto latino no qual se guardam 24 dos 25 “milágres” relatados por Berceo. Este suprime quatro dos milágres do manuscrípto e xunta pola sua parte o 25 – o último dos que resumímos -, ademais da Introduçón. E logo, segue fielmente incluso a ordem dos que utiliza. Tudo, pois, fai pensar que Berceo se servíu -como Gautier de Coincy- de algum texto latino similar ao de Copenhague, de grande circulaçón por toda a Europa daquel tempo.

J. L. ALBORG

ROUSSEAU (A TEORIA DOS SENTIMENTOS MORAIS)

Rousseau non se singulariza por satisfazer a nossa vertente sentimental no meio do culto iluminista à razón. A escola escocesa xá o tinha feito e Adam Smith escreveu unha obra intitulada “A Teoria dos Sentimentos Morais”. Os enciclopedistas franceses também non menosprezaram por completo o papel das paixóns, nomeadamente os pensadores materialistas de quem nos fala Philipp Blom no seu libro “Gente Perigosa. O radicalismo esquecido do Iluminismo Europeu” (A Wicked Company: The Forgotten Radicalism of the European Enlightenment). Diderot, sem ir mais lonxe, abre assim os seus “Pensamentos Filosóficos”: “Vilipendiam unha e outra vez as paixóns; acusam-nas de todos os males do home, esquecendo que também som a fonte de todos os seus prazeres. E mais, só as paixóns, as maiores, podem elevar a alma até às cousas mais sublimes”. O próprio Kant non deixará de se referir ao entusiasmo, apesar de sublinhar o seu carácter ambivalente e os seus perigos, ao considerar a Revoluçón Francesa como um marco histórico memorábel. Estava no ar. A razón seria divinizada como Ser Supremo por Robespierre, mas nenhum iluminista europeu podia desdenhar o sentimento nem as paixóns ou as tendências, mesmo sendo para tentar pôr entraves a estas últimas, apelidando-as de “patolóxicas”. Os iluminista escoceses, franceses e alemáns deram um bom testemunho a esse respeito. O que caracterizou Rousseau foi converter sentimentos como o “amor” de si ou a “piedade” em eixos da sua doutrina política, mas o que sobretudo o singulariza, especialmente no que aqui abordamos, é o empenho por imprimir unha “viraxem afectiva” a todos e cada um dos seus textos, independentemente do conteúdo e de se tratar de um texto com que concorre a um prémio académico, um romance, unhas cartas, um tratado sobre política ou um ensaio pedagóxico. De alguma maneira, estava consciente de que as alteraçóns profundas e radicais que a humanidade vivencia partem de um estímulo sentimental. Nada mudará, por exemplo, a respeito das causas responsáveis pela desigualdade humana, se esta for percebida como unha questón de facto perante a qual non resta outra opçón senón aceitá-la com resignaçón. Rousseau estava muito consciente da importância do estilo, de unha retórica que soubesse activar com eficácia os afectos do destinatário. De facto, nos seus “Fragmentos Autobiográficos” assegura, como xá sabemos: “O meu estilo fará ele próprio parte da minha história”.

ROBERTO R. ARAMAYO

O FADO (MARIA DA FÉ)

Maria da Fé (Maria da Conceiçao Costa Marques Gordo) nasceu a 25 de Maio, no Porto, na década de quarenta, e cedo revelou aptidón para o canto, em especial para o fado. Aos nove anos xá actuava em festas particulares e participa em concursos de onde sai muitas vezes vencedora. O início da sua carreira profissional aconteceu no Teatro Vale Formoso, no Porto, a que se seguem espectáculos, interpretaçóns em teatro revista e, como fadista, faz diversas digressóns polo pais com Amália Rodrigues. Aos 18 anos decide viver em Lisboa e actua, logo como primeira figura, na Adega Machado. Em 1959 grava o primeiro “single” e, quatro anos depois, o controverso “Pop Fado” que lhe dá ainda mais notoriedade. Com a carreira em ascensón, grava em 1967 o seu primeiro grande êxito com o fado “Valeu a Pena”, logo seguido de “Primeiro Amor (20 Anos)”. Em 1968 ganha o “Prémio Revelaçao na categoria Fado”, atribuído pola Casa da Imprensa. Em 1969 participa no VI Grande Prémio TV da Cançao onde interpreta a cançón “Vento do Norte”. É a primeira fadista a participar num festival RTP da Cançao. A partir da década de 70 é a consagraçón da fadista com espectáculos em Portugal de lés-a-lés e disgressóns por todo o mundo. onde actua nas mais importantes salas de espectáculo. Maria da Fé tem visto reconhecida a sua carreira com vários prémios e galardóns. A discografia de Maria da Fé ao longo de cinquenta anos de carreira é vasta, tendo gravado perto de meio milhar de cançóns. Entre os seus maiores êxitos destacam “Cantarei Até Que a Voz Me Doa”, “Valeu a Pena”, “Primeiro Amor”, “Divino Fado”, “Fado Errado”, “É Mentira”, “Obrigado”, entre muitos outros.

A COZINHA DOS FAMOSOS

ESPINOSA (AMESTERDAM 1632 – 1660)

Baruch de Espinosa nasceu, por conseguinte, em Amesterdam, a 24 de Novembro de 1632, no seio de unha família comerciante xudaica pertencente à comunidade sefardita. Unha família de unha certa complexidade: o pai de Baruch, Miguel, casou três vezes e enterrou as suas três esposas antes de morrer. Com a primeira, Rachel, teve um primeiro filho Isaac. Com a segunda, Hanna D’Évora, teve três filhos: Baruch, Miriam e Gabriel. Com a terceira, Ester, teve unha filha, Rebeca. Miguel era um comerciante abastado, embora non fosse rico, e um respeitado membro da comunidade xudaica de Amesterdam, eleito várias vezes como membro de um conselho encarregado de tratar e resolver assuntos públicos. A família Espinosa viveu nunha das principais alamedas do bairro xudeu de Amesterdam, chamado Vlooienburg. A fala materna de Baruch era o português (em casa chamavam-lhe Bento, que vem a ser Benito), embora o idioma oficial entre os convertidos sefarditas fosse o castelán. Claro que o pequeno Baruch aprendeu um pouco, ou muito de holandês a brincar na rua. Na infância, a sua educaçón correspondeu à de um menino xudeu do seu tempo, mas foi especialmente esmerada: aprendizaxem do hebraico, a fala do Antigo Testamento, e estudo da Lei Sagrada (Tora) e do Talmude num centro de estudos especializado, a “yeshivá”. Baruch abandonou esta formaçón por volta dos 14 anos, e entrou precocemente no negócio paterno de importaçón de fruta desidratada e de frutos secos. Com a morte do pai, em 1654, a lóxa passou para as máns de Baruch e do irmán, baixo o nome de “Bento e Gabriel de Espinosa”. Dous anos depois, Baruch deixou de pagar uns impostos estipulados como contribuiçón para a sua comunidade, sem que se saiba se foi unha falência do negócio ou a um distanciamento e ruptura com o xudaísmo ortodoxo. Os dados disponíbeis indicam que Baruch non foi um comerciante hábil e que o negócio, xá muito afectado polas dívidas que o pai tinha deixado, acabou por se afundar sob a sua xestón. O escasso interesse de Baruch polos negócios e polas cousas materiais, bem como o desexo de se dedicar ao conhecimento, som visíbeis num precoce texto seu que encabeça o “Tratado da Reforma do Entendimento”.

JOAN SOLÉ

Learn more

O VINHO (11)

A VIDEIRA CABERNET-FRANC

Ésta cepa é prima da “Cabernet-sauvignon”. Cultiva-se em Burdeos para elaborar vinhos tintos, mas ainda é minoritária nas misturas com Cabernet sauvignon e com Merlot. A excepçón é confirmada pelos “Saint Émilion”, alguns de cuxos “Grands crus” (como por exemplo o “Cheval-Blanc” e o “Ausone”) contenhem um cinquenta por cento ou mais de Cabernet-Franc. Menos presente nos “Premières-côtes-de-Bordeaux” e ainda menos nas misturas de “Crus Classés” do Médoc ou de Graves. Ésta videira tinta é non obstânte dominante em certas rexións do Loira: alguns vinhos como o “Saumur”, o “Bourgueil” e o “Chinon” procedem esencialmente, por non dizer exclusivamente, de Cabernet-Franc. A sua fama está fundamentada na participaçón nas misturas clássicas bordelesas. Fora da França é popular, sobre tudo, no noreste de Itália, em Veneza e na zona de “Friul-Venecia Julia”.

Ausone, poucas das videiras da rexión de Burdeos, gozam de unha reputaçón tán brilhante. Situado num espolón de pedra caliza com vistas à cidade de Saint Emilion, Ausone tomou o seu nome do poeta romano Ausonius. Todavía sobrevivem garrafas da década de 1840, e os afortunados que as probarom, confirmam a sua qualidade e o seu aguante. Alain Vauthier assumíu o mando de toda a propriedade baixo a sua direcçón. Em 2003, Ausone elaborou um vinho brilhante. Os cháns de pedra caliza, impédem que as videiras sufram por falta de àgua, e a alta proporçón de Cabernet-Franc deu um perfume e complexidade pouco habituais em 2003, mas muito características de Ausone. Os vinhos som muito potentes e de sabores regularmente concentrados, elaborados a partir de videiras com unha média de cinquenta anos de idade. Apesar de tudo isto os vinhos também tenhem frescura, e unha extructura que garantiza unha larga vida por diante. Consumir durante, 2010 – 2030.

Clive Coates MW define “Cheval Blanc” como “o único grande vinho do mundo elaborado predominantemente à base de “Cabernet-Franc”.” Non obstânte, o “encépagement” de 1998 contem mais “Merlot”. Unha colheita temperán, fixo que a “Merlot” se recolhera antes das fortes chuvias do 27 de Septembro. Em xeral a colheita foi muito escása, com produçóns baixas. Como cabe esperar de um vinho tán explêndido, ainda permanece relativamente pechado. Non obstânte, xá suxére unha complexidade picante de madeira de cedro com o peculiar carácter de baias do “Cheval Blanc”. Apesar de ser só dous anos anterior ao de 2000, o de 1998 xá está muito mais avançádo e complexo. O paladar deliciosamente cautivador também oferece compostura e elegância. Carece da extrema concentraçón que alberga o de 2000, mas os taninos mais finos, combinam-se com textura de fruta aveludada, com unha extensón simplesmente maravilhosa. O “Cheval-Blanc” de 1998, como ocurre com os de 2001 e 2000, possee um excessivo alcohol do 13%. Um “Cheval Blanc” excepcional, que alcanzará a categoría de lexendário, xunto com o de 1947 e o de 1921 à medida que evolucione. Consumir: 2010 – 2030.

LÉRIA CULTURAL

HUME (DIÁLOGOS SOBRE A RELIXIÓN NATURAL)

A HIPÓTESE NEO-EPICURISTA OU MATERIALISTA

Para explicar a orixem do universo, todas as hipóteses, mesmo as mais absurdas, desde que consistentes com a experiência, parecem probábeis. É esse, por exemplo, o caso da hipótese epicurista, desde que sofra algunhas alteraçóns. Segundo esta hipótese, que Hume afirma ser considerada com razón a mais absurda algunha vez proposta, a matéria e o tempo som infinitos e tudo o que existe tem orixem em causas estrictamente mecânicas. Mas, se em vez de se considerar a matéria infinita, como fez Epicuro, se supuser que é finita – de modo a que nunha duraçón eterna a mesma ordem e organizaçón das partículas que a componhem possa ocorrer várias vezes – e dotada de movimento próprio, esta hipótese torna-se credível, porque explica igualmente bem a ordem do mundo e o aparente axustamento dos meios aos fins, mesmo nos seres vivos, sem fazer intervir qualquer forma de desígnio. Nos “Diálogos” esta hipótese é usada por Fílon apenas para mostrar a fraqueza do argumento do desígnio e para xustificar a sua suspensón do xuízo, unha vez que, como diz, é tán probábel quanto a hipótese teísta. Mas, com Darwin, as cousas mudam de figura. Logo veremos porquê.

DAVID HUME

LITERATURA CLÁSSICA LATINA (CATÓN E FLAMININO)

Catón alcançou o consulado no 195 a. C., à idade de trinta e nove anos, um logro notábel naquela época para um “nouus homo”, mas este foi só o começo para um período pleno de acontecimentos, ao qual pertence a sua carreira literária. Como cónsul lutou em Hispania; no 191 a. C. foi enviado nunha importante misón diplomática a Atenas, onde falou em latim, e destacou no exército nas Termópilas baixo as órdens de M. Acilio Glabrión, ao que depois, levou ante os tribunais. Em 189 a. C. competíu sem êxito pola censura, triunfando os aristócratas liberais e filohelenos T. Quinctio Flaminino e Marcelo: o irmán de Flaminino foi também obxecto de denuncia por parte do implacábel Catón. Flaminino, uns seis anos mais novo que Catón, tinha em comúm com el unha vehemente ambiçón, mas era muito diferente na maioria dos aspectos referentes a educaçón e temperamento. A sua carreira anterior tinha-o posto em estreito contacto com a cultura grega de Tarento e graças à habilidade militar e diplomática, assim como as suas excelentes relaçóns, alcanzou o consulado três anos antes que Catón e foi encargado da guerra contra Filipo de Macedonia, que ganhou em 197 a. C. O espírito da sua censura e da de Marcelo foi optimista e liberal. As guerras estabam acabando, e ao menos existía a expectativa de unha paz duradoura. Os exércitos e as armadas voltavam com um vasto botín e novos gostos. Roma era agora o foco diplomático da “oecumene”. Cinco anos mais tarde, non obstânte, a situaçón tinha mudado totalmente. Os Escipións tinham caído em desgraça, nunha série de xuízos que o próprio Catón había promovido. O escândalo do asunto das Bacanais, tinha sacudido a confiânça interior e um exército consular tinha-se perdido em Liguria. Catón foi elexído censor para o 184/3 a. C., num momento no que parecía que todas as facetas da vida romana, estabam suxeitas a forzas momentâneas e incontroladas que, em opinión de Catón, ameaçabam com destruir o carácter das instituiçóns romanas. A sua censura, nunca mais se esqueceu, pola sua severidade.

E. J. KENNEY E W. V. CLAUSEN (EDS.)

PLOTINO (PORFÍRIO E A ESCOLA)

Porfírio chega a Roma em 263 e disfruta daqueles que som provavelmente os cinco melhores anos de Plotino como mestre, embora também ele contribua para aguçar o intelecto do seu mentor. O encontro non foi simples nem a simpatia imediata. Porfírio vinha de Atenas, onde recebera unha formaçón filosófica impecábel, embora “fora de moda” aos olhos do seu novo professor. Por sua vez, a primeira impressón que o novo estudante teve de Plotino foi que este divagava excessivamente, que carecia de formaçón técnica e se deixava arrebatar demasiado para poder alcançar o rigor necessário. Porfírio pôs em causa especialmente a tese de que os intelixíveis (isto é, as “Formas”) som imanentes à “Intelixência do demiurgo”, e non modelos separados e independentes, tal como Platón tinha referido no Timeu. Com o passar das semanas, no entanto (e esta é unha impressón comum a muitos ouvintes de Plotino), Porfírio foi sendo cautivado pela profundidade da doutrina, na qual começou a vislumbrar a culminaçón de todo o platonismo, que ali era levado a equacionar os problemas verdadeiramente importantes e, mais ainda, a responder-lhes de um modo orixinal e profundo. Era como se, de repente, toda a formaçón adquirida ganhasse vida própria e revelasse o seu sentido, tornando-se, além de unha forma de mobilar o intelecto, unha maneira de alcançar a paz e a serenidade. Após a referida discussón sobre os intelixíveis com Amélio (o aluno que actuava como “cán de caça” de Plotino), Porfírio acabou por claudicar e reconhecer a superioridade da tese plotiniana: deu o dito por non dito e foi autorizado a receber os textos do mestre, algo que até entón lhe tinha sido negado. A escola era um lugar activo. As aulas eram participativas e non seguiam um padrón fixo, o que no início desagradou a Porfírio. Habia comentário de textos clássicos e contemporâneos, bem como discussóns entre alunos ou com o mestre. Quanto às explicaçóns (lecionadas em grego, como a filosofia era ensinada habitualmente no Império), a sua maneira de proceder era abordando problemas soltos, non unha exposiçón ordenada do sistema. Os temas eram impostos polas circunstâncias ou a pedido dos próprios estudantes. Porfírio eloxía o entusiasmo e a eloquência característicos do seu mestre, a quem se lhe iluminava o rostro e se tornava ainda mais belo do que xá era. O novo estudante realça ainda os problemas de dicçón do filósofo (trocava sílabas de lugar), que o levavam a pronunciar erradamente alguns termos (talvez pelo seu sotaque exípcio), assim como o seu costume de nón evidenciar a sucessón lóxica dos seus argumentos, o que era compensado por um estilo simples, contrário ao pedantismo dos retóricos, e pola sua honestidade e proximidade nas respostas.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

BREVE HISTÓRIA DE QUASE TUDO (13)

A analoxia normalmente utilizada para explicar a curvatura do espaço é tentar imaxinar alguém de um universo com superfícies planas, que nunca tivesse visto unha esfera, a ser trazido para a Terra. Por mais que calcorreasse a superfície do planeta, nunca encontraria unha ponta. Poderia eventualmente voltar ao ponto de partida, caso em que ficaria extraordinariamente confuso se tentasse explicar o sucedido. Bem, estamos mais ou menos na mesma situaçón que o nosso amigo do planeta plano, só que completamente perplexos perante unha dimensón mais elevada. Assim, tal como non há lugar onde encontrar a ponta do universo, também non há lugar onde encontrar o seu centro, de forma a podermos dizer: “Foi aqui que tudo começóu. Este é o verdadeiro núcleo de tudo.” “Todos nós” estamos no centro de tudo. Na verdade, non podemos ter essa certeza, pois non podemos prová-lo matematicamente. Os cientistas partem simplesmente do princípio de que non podemos ser o centro do universo – imaxinem o que isso implicaria -, mas que o fenómeno debe ser o mesmo para qualquer observador em qualquer lugar. Mas, mesmo assim, non sabemos. Para nós, o universo só chega até onde a luz tem viaxado nos bilións de anos decorridos desde a sua formaçón. O universo visíbel – aquele que conhecemos e de que podemos falar – tem um milhón e meio de milhón de milhón de milhón de quilómetros de dimensón total. Mas, segundo a maior parte das teorias, o universo no sentido lato – o “Meta-universo”, como lhe chamam por vezes – é muito mais espaçoso. Segundo Rees, o número de anos-luz até à ponta deste maior e invisíbel universo seria escrito “non com dez zeros, nem com cem zeros, mas com milhóns de zeros”. Resumindo, xá há mais espaço do que se consegue imaxinar, polo que non vale a pena ter o trabalhón de tentar visualizar mais um espaço adicional para além dele. Durante muito tempo, a teoria do “Big Bang” teve unha falha enorme que preocupaba muita xente – nomeadamente, non conseguia explicar como tinhamos chegado até aqui. Apesar de 98 por cento de toda a matéria que existe ter sido criada com o “Big Bang”, essa era apenas constituída por gases leves: hélio, hidroxénio e lítio, como xá atrás mencionámos. Nem unha única de todas as outras partículas pesadas de matéria vitais para o nosso ser, como o carbono, o azoto, o oxigénio e todos os outros, surxiu do grande caldo gasoso da criaçón. Mas – e isto é que é inquietante – para forxar estes elementos é necessário o tipo de calor e enerxia xerados por um “Big Bang”. Contudo, só hoube um “Big Bang”, e esse non os produziu. Portanto, de onde vinherom eles?

BILL BRYSON

HUSSERL (A REALIDADE QUE NON SOMOS)

É surprehendente que muitas pessoas demorem a descobrir o facto, por assim dizer demasiado próximo, que é a sua própria consciência. Pensam nas realidades e em si mesmos, mas non se apercebem que as realidades lhes entram polos olhos do corpo e da intelixência adentro em modos de ser que lhes pertencem a eles e que, por isso mesmo, som susceptíbeis de falsidade (e non só de verdade). Non se trata unicamente de as cousas no espaço terem perspectivas infinitas e as pessoas terem caras múltiplas, mas de que a nossa experiência de tudo possui unha riqueza imensa de matizes e de ângulos, que lhe som próprios e non das coisas nem das outras pessoas. Cada ângulo destes é, para seguir com a terminoloxía anterior, um “fenómeno” meu próprio, por muito que capte talvez bem, ou mal, o real que nem é meu nem me é próprio. Brentano explicava como a consciência, desfiada em cada um dos seus presentes ou agoras, é muito exactamente consciência: um presumíbel saber sobre algum outro como tal, ao mesmo tempo que um saber (nada presumíbel, mas certíssimo) sobre esse saber. Usando as úteis, mas sempre perigosas, metáforas da visón, de frente vemos com a consciência as cousas diferentes de nós mesmos; com o “canto do olho” vemos que estamos a olhar para elas. E, entón, apercebemo-nos que este “conhecimento concomitante” ou que “acompanha” o presumíbel conhecimento frontal de outras cousas nunca pode (na opinión de Brentano) faltar quando nos diriximos à realidade que non somos. Nón podemos deixar de notar que notamos o outro. E notamos que somos nós mesmos em cada caso notando o outro de nós mesmos. O facto de “notar” ou de “mentar” tem esta dupla propriedade: dirixe-se imaterialmente ao outro de maneira directa, mas também se dirixe a si mesmo, non menos imaterialmente, non menos directamente, mas sem que ele mesmo sexa o seu tema, porque o seu tema som as outras cousas.

MIGUEL GARCÍA-BARÓ

NOVÍSSIMOS DA POESIA GALEGA

POEMA FELINO

Nun papel alegre,

meu líquido gato

camiñaba felino,

negras pegadas deixando.

.

Ao alto dunha árbore

con énfase gabeaba,

metáforas miañando

que nos bigotes medraban.

.

Nun hipérbato valente,

dun hiperbólico salto,

o gato fixo un poema

coas gadoupas rabuñando.

.

BREIXO VIDAL SALGUEIRO

LEIBNIZ (DA NECESSIDADE UNHA VIRTUDE: BIBLIOTECÁRIO E HISTORIADOR)

Leibniz chegará a Hanôver em Dezembro de 1676 e, salvo algunhas excepçóns, aí permanecerá durante os quarenta anos que lhe restam de vida. Nesta cidade começa a sua nova actividade como bibliotecário do palácio, expondo ao duque a seu plano de trabalho, que consistia em aumentar o número de adquisicóns com o obxectivo de transformar os 3310 volumes e 158 manuscríptos existentes, nunha colecçón inigualábel que abranxêsse os campos de conhecimento mais importantes, obtidos através da troca de correspondência com os estudiosos de Itália, França, Inglaterra, Holanda e Alemanha que conhecia. Além disso, Leibniz tinha o proxecto de elaborar um novo tipo de índices e catálogos que permitisse unha procura mais rápida das referências. Ainda assim, a sua etapa ao serviço do duque Xoan Frederico até final de 1679 permitiu-lhe compatibilizar o seu trabalho com as suas investigaçóns, bem como ampliar a sua rede de correspondentes. Assim, nestes três anos dedicou-se a sistematizar e desenvolver as ideias e os proxectos que foi acumulando durante a sua etapa de viaxante autodidacta e interdisciplinar, embora os grandes escríptos que o tornarom famoso sexam posteriores a 1684. Quando xá estava há um mês ao serviço do duque, Leibniz lembra-lhe a sua elevada qualificaçón e experiência – recordemos a sua nomeaçón como xuíz do Alto Tribunal de Apelaçón de Mainz – , e pede-lhe para ser nomeado conselheiro privado, cargo que se oficializa no final de 1677, e é contratado Johst Dietrich Brandshagen como axudante de câmara e secretário; nas respectivas cartas do início de 1678 a Gallois e Conring, Leibniz mostra a sua satisfaçón por estar ao serviço do duque, polo seu cargo e polo aumento salarial que recebeu. Esta também é unha época de encontros impulsionados polas negociaçóns irenistas para promover a paz, sob cuxo signo conheceu Gerhard W. Molanus ou o bispo Cristóbal de Rojas y Spínola, mas também relacionados com a filosofia e a matemática cartesianas (como Arnold Eckhart, que conhece através de Molanus), com a química e a alquimia (como a visita de Johann Daniel Craft) ou com a teoloxia (como a discussón mantida com o dinamarquês Nicolaus Steno sobre o tema da liberdade humana, à qual Leibniz dará forma literária no “Dialogue entre Poliandre et Théophile”, onde Teófilo, que representa Leibniz, convence Poliandro de que a existência das cousas é determinada pola escolha que Deus faz do melhor de todos os mundos). Durante esta época também fará o seu primeiro estudo puramente histórico, que consistia nunha investigaçón xenealóxica (sobre os antepassados dos condes de Löwenstein) para Henri Justel, secretário do rei de França.

CONCHA ROLDÁN