
Rousseau constacta, também no Emílio, que “aquele que, na “ordem civil”, quer preservar a primazia dos sentimentos, non sabe o que quer. Sempre em contradiçón consigo próprio, sempre a oscilar entre as suas inclinaçóns e os seus deberes, nunca será nem homem nem cidadán; non será bom nem para si nem para os outros”. A hipótese metodolóxica do “estado de natureza” permite-nos imaxinar outra situaçón diferente, onde prevaleça o “amor de si” e ainda non entrou em cena o “amor-próprio”. Este último é um sentimento relativo e artificial nascido no seio da “sociedade” que, paradoxalmente, nos afasta dos demais e nos encerra dentro de nós mesmos. “O amor-próprio, ao comparar, nunca está feliz nem sabería estar, porque este sentimento, que nos faz preferir-nos aos demais, esíxe também que os outros nos prefiram a eles, o que é impossíbel.” De acordo com Rousseau, no “estado de natureza” “as altercaçóns eram tán raras e as axudas mútuas tán prevalecentes que desse comércio libre se destaca mais benevolência que ódio, disposiçón pelo sentimento de conmiseraçón e piedade que a natureza gravou em todos os coraçóns e fazia os homes viver bastante pacificamente”, lemos num dos seus “Fragmentos Políticos”. Mas tudo muda com a chegada da “sociedade civil”, que surxe ao instaurar-se a propriedade privada. “O primeiro que, depois de ter cercado um pedaço de terra, aconteceu dizer “isto é meu” e encontrou xente simples o suficiente para acreditar nele, foi o primeiro fundador da “sociedade civil”. Quantos crimes, guerras, assassinatos, misérias e horrores non tería poupado ao xénero humano, quem arrancando as estacas, tivésse gritado aos seus semelhantes: Atençón ao ouvir este impostor, estais perdidos se esqueceis que os frutos som de todos e a terra non é de ninguém”, como se lê na passaxem tantas vezes citada do “Discurso sobre a Orixem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homes”. De facto, no “estado civil”, na opinión do autor do “Discurso sobre a Economia Política”, o “direito de propriedade” sería o mais sagrado de todos os direitos dos cidadáns e, em certas consideraçóns, mais importante que a própria liberdade.
ROBERTO R. ARAMAYO