
CELTAS II
A verdadeira história non alcança em Europa mais alá dos celtas. Com eles começa. Se usam o machado de pedra, se habitam sobre as ondas, se as cavernas lhes dán asílo, non é da mesma maneira que às razas inferiores, isto é, únicamente e para sempre. Na sua alma, as verdades primeiras e os conhecimentos traídos da Ásia, non se esterilizam nem perdem; ao contrário, fecundam-se, crescem e abrilhantam, fundando unha filosofia e dando vida a unha civilizaçón que começa a revelár-se-nos no seu primitivo esplendor. Estudando-a, conhecêndo-a, bem claro se vê que a sua história será adiante a dos pobos europeos na sua mais remota antiguidade. Bem claro se vislumbra também que hoxe debe refazer-se, obedecendo ao pensamento inicial e tomá-la desde as suas orixens, como una e única. Os que respondendo com a esaxeraçón das negaçóns ao entusiasmos que este pobo poético tinha despertado, lhe negaram a antiguidade, extensón, influênça, nunha palabra, a vida; os que fixéron del um pobo primitivo, indigno quase de ser contado, podem estar seguros de que os poucos anos que restan do presente século, bastarám para reivindicar todo o seu passado e demonstrar a realidade e virtualidade daquela desconhecida civilizaçón, que quanto mais se conhece, mais se a comprehende e estima, e mais se advírte o extenso e profundo das suas raízes: na Galiza, como em todos os demais países europeios. Tudo aquí tem o seu começo nos celtas, e em todas as suas cousas. Non se pode penetrar nas trebas da nossa idade primitiva, sem tropezar com elas. Os nomes dos lugares, os dos rios, montes, colinas, tudo quanto em nós tem unha significaçón e algo vale para os homes e para a história, a eles pertence por direito de primoxenitura; na sua fala se apelída e distingue; polos restos das demais falas humanas se explica. Pode decir-se, que antes deles, se houbo homes, non tinham fala, e se a tinham, em ningúm sitio deixarom rastro dela, e se os deixárom, forom borrados para sempre polo celta invasor e triunfante.
MANUEL MURGUÍA