
Prioridade ontolóxica da cisón. No mais conhecido dos diálogos de Arístocles (Platón), “O Banquete”, através de um dos protagonistas, Aristófanes, encontramos o mito de unha saudade da unidade orixinária que parece consubstancial à condiçón humana. Situemos o texto: tal como outros dos participantes no banquete, Aristófanes tem de dissertar sobre um tema priviléxiado no horizonte platónico: o amor. E o que nos conta? Non faz como outro dos protagonistas do diálogo, Alcibíades, que explica a sua própria aventura, ou sexa, a história de um amor entre outros; também non nos oferece um discurso moral ou económico sobre a conveniência ou non de estar apaixonado (tema que Arístocles desenvolverá amplamente noutro dos seus diálogos). O que interessa a Aristófanes é a razón de amor, a sua orixem, o seu fundamento, ou sexa, aquilo para que remetem todos os casos do estado apaixonado. Transcrevo em parte o relato de Aristófanes: “Antes de mais, importa que fiquem a conhecer a natureza humana e as suas mutaçóns. (…) Para começar, os seres humanos encontravam-se repartidos em três xéneros e non apenas em dous (macho e fêmea) como agora: além destes, había um terceiro que partilhaba das características de ambos, xénero este hoxe desaparecido, mas de que conservamos ainda o nome. Era ele “andróxino”, que constituía entón um xénero distinto, embora reunisse, tanto na forma como no nome, as características do macho e da fêmea; hoxe, contudo, non passa de um nome lançado ao descrédito (…) Ora estes seres eram dotados de unha terríbel força e resistência e, além disso, de unha intensa ambiçón, polo que começavam a conspirar contra os deuses. (…) Depois de muito matutar, Zeus, por fim, decidíu-se: “Parece-me”, anunciou, “que arranxei maneira de continuar a haber homes e acabar de vez com a sua arrogância: e enfraquecê.los. Agora mesmo vou dividi-los ao meio um por um; desta maneira, non só hán de quedar mais fracos como também sairemos beneficiados, graças ao aumento do número. Por enquanto, podem caminhar dereitos sobre duas pernas, porém se virmos que mesmo assim persistem na arrogância e se recusam a dar-nos tréguas, entón”, declarou, “volto a dividi-los ao meio e passam a andar sobre unha só perna… ao pé-coxinho!” Dito e feito. Pôs-se a cortar os homes às metades, como se cortam sorvas para as meter em conserva. (…) Cada um de nós non passa, pois, de unha téssera humana, divididos, como estamos, em metades, à semelhança dos linguados. O texto platónico enfatiza o facto de que nesta cisón orixinária tería a sua matriz a pulsón amorosa, que tende a reencontrar a unidade primitiva, suturando assim “a chaga do ser humano”. Mas a força do mito vai muito mais lonxe. É lóxico pensar que na verdade, o ser prévio à cisón non era ainda o ser humano, que este surxe como resultado dela e, consequentemente, também é lóxico considerar à luz de semelhante ruptura orixinária, dessa ruptura no seio do todo, a totalidade dos proxectos humanos. Todos eles esconderiam unha inclinaçón para superar a parcialidade correlactiva do ser e alcanzar assim unha plenitude que seria necessariamente mais do que humana (xá que a individualidade humana resultaria da cisón).
VÍCTOR GÓMEZ PIN