
Ao mesmo tempo, a mulher espartana podía ter relaçóns com outros homes além do marido, se com ele non tivesse conseguido ter filhos. Em suma a vida em Esparta estaba suxeita a um ríxido código legal e moral, polo qual a vida do indivíduo era condicionada à sobrevivência e estabilidade da cidade-estado. Non é surprehendente, pois, que o qualificativo “espartano” acabasse por se transformar no sinónimo de frugal e carente de luxos e comodidades. A imaxem ideializada com a qual Esparta passou à história debe-se ao próprio Platón e, em boa medida, à “Vida de Licurgo” de Plutarco, que, no entanto, foi escrita quatro séculos depois do momentâneo apoxeu da cidade-estado da Lacónia (nos tempos modernos, à banda desenhada “Os 300 de Esparta”,de Frank Miller e ao filme homónimo). No entanto, os testemunhos contemporâneos proporcionam unha imaxem muito menos idílica. Como costuma acontecer em todas as comunidades suxeitas a um ríxido e inflexíbel código moral, parece que em Esparta também proliferaba a hipocrisia e as actitudes cínicas. Tanto Heródoto como Aristóteles falam da facilidade com que os espartanos aceitavam subornos e se prestavam a ser corrompidos, e Aristóteles descrebe unha Esparta na qual, por trás da fachada de pacata frugalidade, as “mulheres vivem em todo tipo de desenfreio e luxo” e, de um modo xeral, os cidadáns entregavam-se em segredo aos prazeres dos sentidos. Com efeito, os factos históricos também non costumam deixar em posiçón muito favorábel a suposta honorabilidade dos espartanos: o seu comportamento político foi sempre mesquinho e egoista, sem hesitarem aliar-se aos inimigos do mundo grego desde que tal lhes fora conveniente.
E. A. DAL MASCHIO