
Como se verifica na sua reflexón xeral sobre a ética e a política, Rawls segue o rasto kantiano também para pensar sobre a xustiça internacional. Assim, tal como Kant fixéra dous séculos antes em “A Paz Perpétua”, Rawls toma como ponto de partida os pobos enquanto actores principais da ética e da política internacional e rexeita qualquer possibilidade de unha xustiça global. Rawls escolhe os pobos como actores da política global, por puro realismo político, como Kant, mas também porque o seu compromisso com os “valores liberais” o obriga a procurar a forma de os pobos ou Estados a que chama “non liberais” mas “decentes” –os que non respeitam as “liberdades individuais” dos seus cidadáns, mas possuem unha ordem política estábel, ou sexa, tacitamente consentida– poderem aceitar princípios de xustiça comuns nas relaçóns internacionais. Rawls está a pensar em países que non partilham o “individualismo liberal” do Ocidente, mas que vivem coherentemente de acordo com outras crenças políticas livremente aceites polos seus cidadáns. Um exemplo seríam os Estados que seguem os preceitos de um islamismo moderado. Só exclui da necessidade de se integrarem nesse grande pacto internacional os “países non liberais” que, além do mais, som “non decentes”, ou sexa, os que nem sequer esperam que os seus membros aceitem a autoridade política interna. É preciso sublinhar que o obxectivo rawlsiano de tolerar os “países decentes”, que, no entanto, non toleram a liberdade individual dos seus cidadáns, non deixa de ser unha contradiçón na óptica liberal. Contudo, essa contradiçón non parece perturbar Rawls, interessado, como Kant, sobretudo em sumar quantos mais Estados melhor, com relaçón a unha ética internacional que, embora non aspire a unha paz utópica perpétua, pretende minimizar os conflíctos internacionais, como também sonhava o filósofo de Königsberg. Mas Rawls também non consegue evitar unha segunda contradiçón, mais grave, no seu respeito para com os países “non liberais”, embora “decentes”: assume que os cidadáns desses Estados aceitam, nem que sexa tacitamente, a política non liberal dos seus países. Isso pode ser verdade em alguns casos, mas, de qualquer modo, é impossíbel de verificar, xá que a política non liberal se baseia precisamente em censurar a liberdade política dos indivíduos. Assim, Rawls non acredita que o “véu de ignorância” dos membros da posiçón orixinal, que concebeu para “Unha Teoria da Xustiça”, incluía os assuntos relativos à relaçón entre os pobos. Por isso, em “O Direito dos Pobos”, propón unha segunda posiçón orixinal, desta vez formada polos povos “decentes” que habitam o planeta, com o obxectivo serem eles a escolher os princípios da ética internacional.
ÁNGEL PUYOL