Ao mesmo tempo, a mulher espartana podía ter relaçóns com outros homes além do marido, se com ele non tivesse conseguido ter filhos. Em suma a vida em Esparta estaba suxeita a um ríxido código legal e moral, polo qual a vida do indivíduo era condicionada à sobrevivência e estabilidade da cidade-estado. Non é surprehendente, pois, que o qualificativo “espartano” acabasse por se transformar no sinónimo de frugal e carente de luxos e comodidades. A imaxem ideializada com a qual Esparta passou à história debe-se ao próprio Platón e, em boa medida, à “Vida de Licurgo” de Plutarco, que, no entanto, foi escrita quatro séculos depois do momentâneo apoxeu da cidade-estado da Lacónia (nos tempos modernos, à banda desenhada “Os 300 de Esparta”,de Frank Miller e ao filme homónimo). No entanto, os testemunhos contemporâneos proporcionam unha imaxem muito menos idílica. Como costuma acontecer em todas as comunidades suxeitas a um ríxido e inflexíbel código moral, parece que em Esparta também proliferaba a hipocrisia e as actitudes cínicas. Tanto Heródoto como Aristóteles falam da facilidade com que os espartanos aceitavam subornos e se prestavam a ser corrompidos, e Aristóteles descrebe unha Esparta na qual, por trás da fachada de pacata frugalidade, as “mulheres vivem em todo tipo de desenfreio e luxo” e, de um modo xeral, os cidadáns entregavam-se em segredo aos prazeres dos sentidos. Com efeito, os factos históricos também non costumam deixar em posiçón muito favorábel a suposta honorabilidade dos espartanos: o seu comportamento político foi sempre mesquinho e egoista, sem hesitarem aliar-se aos inimigos do mundo grego desde que tal lhes fora conveniente.
A Alemanha invadíu a Bélgica a quatro de Agosto de 1914. Max Planck, na altura xá reitor da Universidade de Berlim, acolheu com entusiasmo o início da guerra. Unha onda de patriotismo percorria o país e a maioria dos cientistas e intelectuais alemáns non quedarom alheios a ela. Tanto é assim que responderom com um manifesto às acusaçóns das potências aliadas de que os alemáns tinham cometido brutalidades na invasón da Bélgica. O manifesto, publicado a 4 de Outubro de 1914, tinha o título “Apelo ao mundo civilizado”, mas quedou conhecido como “Apelo ou Manifesto dos 93”, xá que ía assinado por 93 intelectuais alemáns. A lista incluía a maioria dos grandes cientistas alemáns do momento. Além de Planck, assinaram o manifesto: Haber, Klein, Lenard, Nernst, Ostwald, Wien e um longo et cetera. O manifesto foi redixido por um escritor de teatro chamado Ludwig Fulda e, segundo parece, non foi previamente lido por Planck nem por alguns dos outros signatários (o qual non os exime de responsabilidades). O manifesto era unha declaraçón fanática de patriotismo, com frases como “Guilherme II demonstrou muitas vezes que é o protector da paz mundial” ou “Non é verdade que as nossas tropas tenham saqueado brutalmente Lovaina. Viram-se obrigadas a exercer represálias contra os habitantes furiosos que os assassinaram à traiçón” ou também “Sem o militarismo alemán, a cultura alemán tería desaparecido da face da Terra há muito tempo”. Planck e os seus colegas non podiam, ou non queríam, acreditar que os mesmos xovens que até há uns meses passeavam ruidosamente polos corredores das suas universidades tivessem dirixido as tropas que tinham queimado a biblioteca de Lovaina. Os seus discursos como reitor ou como académico e as suas cartas do ano de 1914 para colegas e familiares, están impregnadas de sentimentos patrióticos e de retórica militarista. Nunha carta sua a Wien de Novembro de 1914, podemos ler: “Tirando o muito que tem de horríbel, há também unha inesperada grandeza e beleza: a soluçón das questóns mais difíceis de política nacional, graças à unidade de todos os partidos, à exaltaçón de tudo o que é bom e nobre”. No entanto, em 1915, Planck foi moderando o seu discurso e depressa começou a manifestar em privado as suas dúvidas sobre a pertinência do Manifesto dos 93. Para essa moderaçón muito contribuiu a figura de Hendrik Antoon Lorentz (1853-1928), o líder, quase indiscutíbel, da física teórica europeia de finais do século XIX e princípios do século XX. Lorentz, com quem Planck mantinha unha relaçón muito boa, pertencia a unha naçón neutra, a Holanda, e dominava com fluência os idiomas das partes em conflicto: alemán, inglês e françês. Tinha ouvidos para todos e sensibilidade suficiente para comprehender o alcance do sofrimento que a guerra produzia nos dous lados. Lorentz fez ver a Planck, através das suas cartas, que o exército alemán, de facto tinha-se comportado com brutalidade na Bélgica. Durante 1915, viram-se duas vezes, unha em Berlim e outra em Leiden, e puderam trocar impressóns sobre a guerra. A partir daí, Planck começou a trabalhar publicamente em duas direcçóns. Por um lado, para fazer ver aos seus compatriotas que a Alemanha também tinha a sua responsabilidade na guerra e que nem tudo o que dizia respeito ao seu exército era glorioso e honroso. Por outro lado, procurando que os laços de cooperaçón científica internacional non se quebrassem de todo. Afinal, a guerra iria terminar algum dia e a ciência continuaría a ser um emprehendimento sem fronteiras.
Apesar de as suas intervençóns se destinarem ao público em xeral, entre o qual teve unha vasta audiência e capacidade de mobilizaçón, foi entre os grandes cientistas que conseguiu mais seguidores. Considerou a ideia de se aliar a Frederic Joliot-Curie (1900-1958, Nobel da Química), presidente da Federaçón Mundial de Trabalhadores Científicos e conhecido membro do Partido Comunista Françês, no seu ativismo político. Por fim, optou por escrever a Einstein e a outros cientistas “neutrais” com o obxectivo de subscreverem um manifesto contra a proliferaçón nuclear. Einstein respondeu favoravelmente e assinou-o pouco tempo antes da sua morte. Russell tornou-se um dos mais conhecidos promotores da entón chamada “coexistência pacífica”. Nesse sentido, enviou unha carta aberta a Eisenhower e a Kruschov, apelando ao seu bom senso para que se reunissem e encetassem unha discussón franca sobre as condiçóns de cohexistência. Depressa descobríu que a “Realpolitik” era demasiado renitente às suas capacidades retóricas e conceptuais. Ainda assim, quando parecia ter-se tornado realista, na década de 60, Russell radicalizou as suas convicçóns e actividades. Nesta época desenvolveu-se em Inglaterra um tipo de marxismo afastado do comunismo soviético –na verdade, fortemente crítico do rexíme– em redor da “New Left Review”, promovida polo sociólogo Ralph Miliband da London School of Economics e de outros autores, como Stuart Hall, Raymond Williams e o historiador E. P. Thompson. Miliband foi professor de Ralph Schoenman, formado em Filosofia em Princeton, que haberia de ter unha influência notábel sobre Russell no início dos anos 60. Pouco a pouco, tornou-se unha espécie de filho substituto, a quem Russell confiou muitas das suas campanhas. Com ele intensificou a sua intervençón na campanha polo desarmamento nuclear: participou em manifestaçóns e foi detido de novo nunha delas. Nesta época, Russell deixou de ser promotor da retirada inglesa da NATO, para passar a defensor das causas revolucionárias dos países do Terceiro Mundo, sobretudo da Revoluçón Cubana, do Vietname de Ho Chi Min e dos vietcongues, que lutavam contra os norte-americanos no Vietname do Sul, no Laos e no Camboja. Foi a época da crise dos mísseis em Cuba. Fidel Castro estaba a tornar-se um dos heróis da nova esquerda, e Russell apoiou o movimento entusiasticamente. Celebrava os aniversários da Revoluçón Cubana, saudando o pobo cubano na sua luta contra o imperialismo norte-americano. Anunciou nunha conferência a sua intençón de convocar um tribunal de personalidades, que xulgasse os crimes de guerra cometidos polos Estados Unidos no Vietname.
A primeiros de Septembro, Buenaventura, acompanhado do seu amigo “el Toto”, refuxiou-se em Gijón, o qual indica que trás os sucesos de Matallana deberón estabelecer-se relaçón entre el e os mineiros asturianos. A sua estância na cidade foi breve. Em Decembro a sua família recebe unha tarxeta postal franqueada desde Vals-les-Bains (Les Ardeches), na qual tranquilizaba, pois afirmaba encontrar-se bem, graças à axuda que recebe de unha família espanhola chamada Martínez. Durante a breve estáda em Gijón deberón acontecer cousas que possibelmente expliquem as actividades de Buenaventura em França. A situaçón de Durruti e do seu amigo eram diferentes. “El Toto” era buscado pola polícia polos sabotáxes que tivérom lugar durante a gréve; mas, Buenaventura tinha outra conta pendente mais, a sua condiçón de desertor do Exército. Dias antes da gréve, tinha entrado na tropa no segundo reemprazo militar de 1917; foi destinádo como artilheiro para o Reximento de Artilharía de San Sebastián, no qual tinha que incorporar-se a finais de Agosto. Nunha carta que mais tarde escrebeu á sua irmán, narra que “poucas eram as ganas de servir a Patria que eu tinha, mas essas poucas sacou-mas um sarxento, quem mandaba os recrutas como se xá estivéram no quartel. Ao saír da oficina de alistamento, pensei que Alfonso XIII podía contar com um soldado menos e um revolucionário mais”. Seguramente, quando os mineiros asturianos conhecerom o feito da sua deserçón decidirom escondê-lo e facilitar o paso para a França. Buenacasa, escapando à sua vez da repressón, debeu encontrar-se com Buenaventura por estas datas. E segundo nos conta, “no primeiro encontro que tivémos non conxeniámos. Eu era mais estudoso. El mais rebelde. Non me foi simpático entón, nem eu tampouco a ele. Até à Primavera de 1920, Buenacasa non voltou a ter notícias dele. Por entón voltarom a encontrar-se em San Sebastián. Quedou impresionado desta vez Buenacasa “pelos progressos realizados, no campo teórico por Buenaventura”. Ao visitar os sindicatos da Confederaçón desta última cidade, Buenacasa comenta que Durruti apresentou xa um “carnet” da CNT. ¿Quando se tinha afiliado Buenaventura à Confederaçón? ¿Como tinha realizado tamanhos progressos teóricos? A resposta a estas perguntas encontrase no seu primeiro exílio em França, desde Decembro de 1917 até Março de 1919. Pola correspondência cruzada com a família, sabemos que os seus câmbios de residência eram frequentes. Tanto está em Marselha, como percorrendo o Meiodía françês, desde Béziers a Toulouse, ou em Burdeos, Biarritz, etc… Durruti non fai mençón dos motivos que o moverom tanto de domicilio, mas parecem aclarar-se quando no mes de Março de 1919 é detído no coto mineiro de León. Quando, escapando da repressón, vascos e asturianos (entre os quais estaba Durruti) cruzarom os Pirineos, xá actuaba no Meiodia françês, sobre tudo em Marselha, um importânte núcleo de militantes anarquistas cataláns exiliados. Nesta mesma cidade había unha Comissón de Relaçóns anarquistas. Marselha, era um ponto muito importante no que respeita às relaçóns com Barcelona. Os obreiros portuários estabam muito influídos polo sindicalismo revolucionário da primitiva CGT. Entre as actividades principais estaba a recaudaçón de fundos económicos entre a emigraçón espanhola, destinados à propaganda na Península. Outra actividade mais delicada era a adquisiçón de armas (pistolas e muniçón), que também eram introducidas em Barcelona. Tudo isto requería desprazamentos e grande actividade. Buenaventura, probabelmente, deu os seus primeiros passos de militante, servíndo de enlace entre Burdeos e Marselha, xá que vascos e asturianos, polas facilidades que oferecía o porto de Burdeos, tinham instalado um centro de conspiraçón na capital da Gironda. Por outra parte, sabemos que Buenaventura mantivo correspondência e relaçóns com os seus amigos leoneses, e que ademais “el Toto”, que viveu entre os asturianos até 1919, non perdeu contacto com el durante o tempo que durou o exílio. Com respeito à evoluçón ideolóxica de Buenaventura, que Buenacasa chama “progressos teóricos”, Kaminski afirma que “queimou as etapas, custando-lhe menos tempo que a Bakunin para declarar-se anarquista”. Seguramente Kaminski escrebeu isto em Xulho de 1930, impresionado pola personalidade de Durruti. A verdade é que em Buenaventura non houbo “trânsito” do socialismo ao anarquismo, xá que sempre existíu nele um anarquismo latente.
Loxe de ser unha celebraçón da nostalxia que prexudicaria o home civilizado, para eloxiar o bom selvaxem, como pretendeu sarcasticamente Voltaire, o “estado de natureza” é unha mera hipótese metodolóxica que quer conhecer “um estado que xá non existe, que talvez non tenha existido nunca, que provavelmente nunca existirá e sobre o qual, mesmo assim, faz falta ter noçóns xustas para xulgar o nosso estado presente”. Rousseau explicita que non defende a destruiçón das sociedades, a aboliçón da propriedade e o retorno à vida na floresta com os ursos, como ironizam os seus adversários. Como explicava Kant no final das suas liçóns reunidas em “Antropoloxia do Ponto de Vista Pragmático”, os seus três textos a respeito dos danos que causarom a saída da natureza e a entrada da nossa espécie na cultura, na civilizaçón e nunha suposta moralizaçón, e que representarom o estado de natureza como um estado de inocência, só tinham o propósito de servir de fio conductor para sair dos males nos quais a nossa espécie se envolveu por sua mala fé. Com o seu “Discurso sobre as Ciências e as Artes”, o “Discurso sobre a Orixem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens” e “Júlia, ou A Nova Heloísa”, Rousseau non queria “que o home retornasse ao estado de natureza, mas que se voltasse para ele a partir da fase actual”, conforme declara Kant de forma precisa na sua xá citada “Antropoloxía do Ponto de Vista Pragmático”. Ainda que o home sexa bom por natureza, “as nossas diversas disposiçóns determinam e alteram as afeiçóns dos nossos coraçóns; seremos maus e viciosos enquanto tivermos interesse em sê-lo. O esforço de corrixir a desordem dos nossos desexos resulta quase sempre ván e muito raramente é verdadeiro; o que é preciso mudar non é tanto os nossos desexos, como as situaçóns que os produzem”, lemos em “A Nova Heloísa”. Portanto, conviria “evitar as situaçóns que colocam os nossos deberes em oposiçón aos nossos interesses e que nos mostram o nosso bem no mal de outro”. O home civilizado estaría em contradiçón consigo mesmo. A voz da sua consciência vê-se silenciada polo alvoroço das paixóns e dos preconceitos. “Os seus sentimentos naturais falam a favor do bem comum”, mas a sua razón, desenvolvida em e pola sociedade, refere tudo ao interesse privado!
Antes de continuar, convém arroxar unha mirada de conxunto sobre o maravilhoso país que acabo de pisar, asombrado polas mil circunstâncias especiais que fán dele unha das rexións mais faborecidas do chán americano. O Ocêano banha as costas de Venezuela nunha extensón inmensa e as suas entranhas están regadas por rios colosais como o Orinoco, o Meta e demais afluentes, que cruzan territorios que, como o da Guayana, tem aínda mais ouro no seu seio que o que buscabam os conquistadores nas vetas fabulosas de Eldorado… ¿Que productos daqueles que a necessidade humana fixo precisos, non brotan abundantes dessas terras fecundadas polo sol dos trópicos? O café, o cacao, o añil, o tabaco, a vainilha, cereais de toda a classe, e nos dilatados “llanos”, gandos em tamanha abundância como nas nossas “pampas”. Xuntai a sua proximidade providencial aos Estados Unidos e à Europa, os dous últimos focos de evoluçón e de progreso humano sobre a terra. Portos naturais, como o de Puerto Cabello e o futuro de Carenero, e vereis com o assombro do viaxeiro, a postraçón actual deste país, non chegando a comprehender como a labor dos homes logrou contrarrestar até tal ponto a acçón vigorosa das forças da natureza. Unha vez mais, temos os arxentinos que bendecir a aridez aparente das nossas chairas, o abandono colonial em que se nos deixou, o ailhamento completo em que vivemos durante séculos, e que deu lugar à formaçón dunha sociedade democrática, pobre, mas activa; humilde, mas laboriosa, Entre todos os pobos sudamericanos, somos o único que tivo remotas afinidades com as colonias do Norte, fundadas polos puritanos do século XVII. Tampouco habia ouro alí e a vida ganhaba-se na laboura diária e constânte. Entretanto, o Perú, cuxa xurisdicçón alcançaba até às províncias septentrionais da Arxentina, Quito, o virreinato de Santa Fé, a capitania xeral de Venezuela, foram teatro das horribeis escenas suscitadas pola cobiça xigante dos reis da Espanha, tán ferozmente secundada polos seus axentes. A sorte da Venezuela foi mais triste aínda que a do Perú; vendida essa rexión por Carlos V, num apuro de dinheiro, a unha companhia alemán, víron-se aparecer sobre terra americana, aqueles bárbaros xermanos que se chamarom Alfinger, Seyler, Spira, Federmann, Urre, que, non encontrando ouro a montóns, segundo sonhavam, vendiam os indios como escravos para Cuba e Costa Rica, chegando Alfinger até a alimentar os seus soldados com a carne dos indíxenas. Naquelas bárbaras correrias, que durabam quatro e cinco anos, desde as marxens do mar Caribe às mais altas mesetas andinas, a marcha dos conquistadores quedaba grabada por marcas de incendio e de sangre. Foi nunha dessas excurssóns xigantescas que o viaxeiro moderno, percorrendo as mesmas rexións, xá com todos os elementos necessários, apenas alcanza a comprender, onde Federmann, partindo de Maracaibo e percorrendo as planícies de Cúcuta e Casanare, mortais ainda hoxe em dia, apareceu no alto da sabana de Bogotá, a 2.700 metros de altura, ao mesmo tempo que Benalcázar, saído de Quito, prantaba os seus reais na parte oposta da planicie, formando simultâneamente o triângulo Quesada que, depois de remontar o Magdalena, tinha trepado, com um punhado de homes, as três grades xigantes que se levantam entre o rio e a altiplanície. ¡Como estenderiam ávidos os olhos os três conquistadores sobre a sabana maravilhosa onde pululan milhares de chipchas, entregados à agricultura, tán desarrolhada como no Perú!…
Desde unha perspectiva evolutiva, o cerebro estrutúrase en varios niveis, desde o máis primario ata o máis evolucionado. No nivel primario, a estrutura encargada de xestionar a información neuronal é o tronco encefálico, que recolle información da médula espinal e onde se sitúan o bulbo raquídeo, a ponte de Varolio e o mesencéfalo. Desde aquí contrólanse os procesos vitais básicos que garanten a supervivencia: a respiración, o pulso cardíaco, a presión arterial, etc.
Nun segundo nivel atopamos o diencéfalo e o sistema límbico, que inclúe o tálamo, o hipotálamo e a amígdala entre outros, e onde xoga un papel crucial a creación de emocións.
No terceiro nivel sitúase a codia cerebral, formada polas circunvolucións exteriores e dividida en catro lóbulos: frontal, parietal, occipital e temporal. Este nivel é o que asume, entre outras, as tarefas do razoamento abstracto e a planificación de accións.
O cerebro está formado por unhas células denominadas neuronas. As neuronas agrúpanse creando unha estrutura básica de rede neuronal, onde cobran relevancia os núcleos neuronais, ou nodos, onde se agrupan as neuronas, e as conexións ou cableados entre os diversos núcleos, que se distribúen de xeito particular entre as diversas rexións do cerebro. Cando nun núcleo concreto as neuronas se activan dun modo determinado, envían esa información a outros núcleos, que poden ampliar o efecto ou non. Esa “decisión” neuronal, se ten a intensidade necesaria, activa zonas do cerebro, situadas no sistema límbico, que dan lugar ás emocións. Cando a implicación se expande ata a codia cerebral emerxe a conciencia nalgún dos seus diversos graos, desde o si mesmo central ata o eu autobiográfico (Damasio, 2010)
Entón, a modo de resumo, cando se activa un núcleo de neuronas, motivada por estímulos sensoriais ou por rexistros da memoria, envía impulsos a outros núcleos ata provocar unha resposta fisiolóxica a nivel do organismo. Esa resposta é procesada a nivel do sistema límbico como unha emoción. A seguir, a codia cerebral, e en particular a codia prefrontal, intervén para dar significado a esa emoción, transformándoa en sentimentos, pensamentos ou razoamentos abstractos, e facéndoos emerxer ata os niveis de consciencia. En todo caso é preciso unha interacción continua entre as distintas partes do cerebro para conseguir ese resultado final, non existe un área específica para cada función.
Se facemos o experimento mental de conxelar no tempo este proceso e secuencialo fotograma a fotograma veríamos no primeiro fotograma a activación neuronal, seguiría unha resposta fisiolóxica do organismo, no terceiro momento a activación do sistema límbico e a creación da emoción, por último a entrada en escena da codia cerebral e a racionalización en sentimentos e pensamentos conscientes. Eses sentimentos e pensamentos constitúen a tradución final do código inicial procesado a nivel neuronal, e contrariamente ao percibido subxectivamente, non teñen poder de tomar decisións, só son testemuñas, están ao final dun proceso, non ao principio, é o modo no que a consciencia interpreta o procesamento neuronal e o vai seguindo de xeito ininterrumpido nunha relación de causa efecto. Subxectivamente a consciencia ten a ilusión de ter poder e tomar decisións, pero non fai máis que traducir o código do procesamento neuronal dos estímulos recibidos polas diversas canles sensoriais e pola activación dos rexistros de memoria.
Podemos imaxinalo cun exemplo. Camiñamos de noite por un bosque escuro. Os sentidos están alerta e reciben multitude de estímulos: poucas luces e moitas sombras, ondas sonoras de variadas frecuencias, sensacións térmicas de calor ou frío, etc. Nun momento determinado, un grupo de neuronas recibe a suficiente información para desencadear uns sinais electroquímicos que con efecto bóla de neve seguido por outras neuronas inducen unha reacción fisiolóxica no organismo: pelos de punta, aceleración do ritmo cardíaco, etc. Acto seguido entra en xogo un segundo nivel de procesamento coa activación do sistema límbico, traducindo o código inicial a unha emoción, que podería ser de medo. A bóla de neve segue ampliándose ata chegar a activar a codia cerebral que procesa a información nun nivel de sentimentos e pensamentos. En todo este proceso, cunha duración de décimas de segundo, o cerebro, globalmente entendido, xa tomou a decisión máis pertinente, que podería culminar en botar a correr coma un tolo na procura da supervivencia. A consciencia vai permitir máis tarde comunicar esta experiencia a outros semellantes dun xeito moi elaborado.
Assim, o marco seguinte na ontoloxia aristotélica, e unha das suas questóns mais complexas, é o estudo da categoria primária, isto é, a “substância”. Para começar a entender o conteúdo deste conceito fundamental, convém-nos um pouco de etimoloxía: a palabra grega orixinal que Aristóteles empregava era “ousía”, mas até nós chegou-nos a partir do latim “substantia”, “essência”, formada pelo prefixo sub-, “baixo”, e o verbo stare, “estar colocado”, combinaçón que dá “estar debaixo”, o que nos oferece unha boa pista sobre o significado do conceito para o filósofo. E apesar de non podermos aqui expor o desenvolvimento completo da problemática da substância, tal como fai Aristóteles na Metafísica, é possíbel mostrar a que conclussóns e definiçóns chega neste assunto crucial. Para o filósofo, a substância é “aquilo que non se dá num suxeito, polo contrário é ela própria suxeito”, isto é, aquilo que é suporte de qualidades, sem ser ela mesma unha qualidade. A “substância” é o obxecto dos nossos pensamentos, da nossa investigaçón e da nossa linguaxem; isto é, aquilo sobre que pensamos, investigamos e predicamos. Simplificando ainda mais, a substância é a realidade individual diferenciábel, a cousa concreta. O real. E para entendê-lo de unha vez por todas, unha substância é propriamente “um isto”, “tudo aquilo que podemos apontar com o dedo indicador”. E se a realidade é feita, toda ela, de “cousas concretas”, entón a substância é, em sentido estrícto, tudo o que é, ou sexa, o ser ou Ente. Quando falamos (ou pensamos) sobre a realidade, as nossas palabras (ou pensamentos) referem-se a entidades que há nessa realidade e também a cousas que acontecem a essas entidades. Poderíamos dizer que a linguaxem é, basicamente, composta por nomes próprios (que designam cousas concretas) e predicados (que designam o que dizemos, ou sexa, o que predicamos, sobre como som essas cousas concretas). As substâncias seriam os obxectos aos quais nos referimos mediante os nomes próprios. Há que destrinçar, de modo claro, que unha cousa é o obxecto e outra diferente o nome pelo qual nos referimos ao obxecto; o primeiro é unha realidade que está no mundo e o segundo é unha realidade que, apesar de também existir, é linguística, pertence à nossa linguaxem. A árvore que existe em frente da minha xanela sería unha substância que denominamos “A árvore que existe em frente da minha xanela”. Que Aristóteles proponha unha noçón de substância como esta é decisivo na sua filosofia, porque contradiz o que foi defendido, por exemplo, polo seu mestre Platón, para quem a verdadeira substância som as Ideias, que som realidades imateriais. E o que acontece com os predicados, esses termos que significam algo aplicábel a muitos indivíduos, como as palabras “branco” ou “grande”? Pois, em princípio, non som substâncias, porque non som cousas concretas, mas sim abstraçóns. Non podemos apontá-las com o dedo. Tais palabras som o que denominamos xenericamente por “universais” e, ao contrário do que acredita Platón, para Aristóteles non podem existir separados dos indivíduos. Non existiria algo como a ideia universal de “home”, se non existissem homes concretos, ou a ideia de “faca”, se non fosse porque há facas concretas, nem a de “brancura”, se non fosse porque existem cousas concretas que som brancas. Para Aristóteles, os universais están (som) necessariamente nos particulares.
“Meu querido amigo: na redada levada a cabo antonte pola policía nos locais do SERE caeu Dª Isabel Napal, esposa do maxistrado D. Juan Romero Montesinos, de Izquierda Republicana, encarcerado en Valencia e sometido a proceso. Estaba no SERE cobrando o seu subsídio mensual. E como está indocumentada queren enviala a um campo de concentración. Dinme que é vostede moi amigo do Sr. Louit e que só por mediaçón de vostede ou do representante do Goberno vasco podía evitarse a traxedia de que vaia dar cos seus ósos nun campo. Quere vostede ter a amabilidade de facer esa xestión rapidamente? Teño niso moito interese e agradecereillo,” As xestións frutifican, e Isabel Napal elude o ingreso nun campo de concentración. Poucos dias despois, Viana pidelle axuda a Pablo de Azcárate, a quen aínda trata como presidente. “Meu querido amigo e presidente: por circunstancias especiais tiven que encargarme da dirección do SERE. Quen tiñan méritos indiscutíbeis para acupala non quixéron impoñerse ese sacrificio. Non foron os meus os que me trouxerom a este posto, pero porei toda a vontade, que non é pouca, ao servizo da causa que vimos defendendo dende hai tantos meses. Estranará vostede que tendo transcorrido 15 días dende que tomei posesión efectiva, pois antes estiven en Burdeos unha semana acupándome dun embarque para Santo Domingo, non me dirixira a vostede para ofrecerlle os meus respectos e poñerme incondicionalmente ás súas ordes. Pero como ao meu regreso me atopei co secuestro de toda a documentaçón –non entro en detalles porque xa coñece vostede o sucedido– en vez de actuar como director fíxeno como xefe de Emigración, o que me parecía bastante máis interesante, e pesou sobre min un traballo tan excesivo que me impediu o deber obrigado de cortesía de comunicarme con vostede inmediatamente. Vostede sabe canto lle aprecio e estimo e iso será dabondo para que exculpe esta falta involuntaria. Prégolle moi encarecidamente me preste o seu valioso apoio no desempeño desta espinosa misión que pesa hoxe sobre min e, coa seguridade de que vostede haberá de concederma, envíalle un cordial saúdo e un apretón de mans o seu bo amigo, Alejandro Viana.”
Embora possa parecer surprehendente o facto de um papa ter descendência, non se trata de unha excepçón. É verdade que non era muito habitual, mas determinados papas procriaram, tanto por terem sido sexualmente activos antes de serem nomeados sacerdotes, como por terem continuado a sê-lo depois de ocuparem a cadeira de San Pedro. O papa Alexandre VI (nascido Rodrigo Bórgia ou Roderic de Borja) reconheceu lexitimamente os seus três filhos, quando ainda vestia de púrpura cardenalícia. De entre eles, o mais conhecido foi César Bórgia. Todavia, as histórias de saias deste papa non ficaram por aquí e continuou a manter relaçóns carnais após ter sido escolhido no conclave. Por esta razón, atribuem-se-lhe, polo menos, outra meia dúzia de filhos naturais. O voto de castidade, note-se, xá se tinha estabelecido no Concílio de Latrón, três séculos antes dos excessos deste pontífice intrigante e marialva. De orixe valenciana, os Bórgia ( Borja), foram unha autêntica família de armas. O pái, além de papa, era mulhereiro e enganador: comprou os votos que o levárom a pontífice e vendeu bulas à discriçón para seu enriquecimento pessoal; a irmán, Lucrécia Borgia, foi unha famosa cortesán, cuxos envenenamentos alcançaram fama lendária (e aquí, pode haber também algo de lenda negra); o próprio César Bórgia, sem ser ele o primoxénito da família, tornou-se herdeiro, quando o seu irmán mais velho, Xoán, apareceu oportunamente assassinado nas marxens do Tibre. O historiador Guicciardini, amigo de Machiavelli, imortalizou um rumor (lenda negra,talvez), que circulava pola Roma dos Bórgia, segundo o qual “o filho nunca dizia o que fazia e o pai nunca fazia o que dizia”. O próprio “secretário” também se fez eco desta falta de palabra do papa: “Alexandre VI xamais fez outra cousa que enganar a todo o mundo, non habendo quem garantisse algo com tanta seguridade, nem quem com maiores xuramentos afirmasse unha promessa, nem quem menos a cumprisse. Contudo, os seus embustes sempre lhe forom proveitosos.”
Souberom estes parar o golpe, porque a tudo alcanzabam os tesouros de Prisciliano e a boa vontade de serví-lo que tinha Macedonio. Por um novo rescrípto retirou Graciano o conhecimento da causa ao perfeito das Galias e remitíu-a ao vicário das Espanhas, em cuxo foro non era duvidosa a sentênça. E aínda foi mais alá Macedonio, submetído dócilmente aos priscilianistas. Enviou xente a Tréveris, para prender a Itacio, que se tinha refuxiádo naquela cidade, baixo a éxida do bispo Pritanio ou Britanio. Alí conseguíu burlá-los habilmente, mentras acontecíam na Bretanha assinaládas novidades, que habíam de influir eficazmente na questón .priscilianista. A anarquía militar, eterna praga do Império Romano, contida no Oriente pola forte mán de Teodosio, caíu de novo sobre o Occidente nos últimos e tristes dias de Graciano, bem diversos dos seus loabeis princípios. As lexións de Britânia apoiárom como imperador ao hispâno Clemente Máximo, que trás breve e simulada resistência, acabou por aceitar a púrpura, e passou às Galias à frente de 130.000 homes. Escapou Graciano para Lugdunum (Lyón) com poucos dos seus partidários, e foi morto nunha emboscada, acaso por ordem e alevosía de Máximo, cegado entón pola ambiçón, aínda que o adornabam altas prendas. O tirano espanhol entrou victorioso em Tréveris, e o seu compatriota Teodosio, que estaba lonxe e non podía acudir à herência de Graciano, tivo que tratar com ele e ceder as Galias, Hispânia e Britânia, para evitar males maiores. Corría o ano de 384, consulado de Ricimero e Clearco. Era Máximo muito celoso da pureza da ortodóxia, aínda que de sobra aficcionado, como todos os imperadores da decadência, a pôr a sua espada sobre a balanza teolóxica. Sabía aquela virtude e este defeito o nosso Itacio, que tratou de aproveitá-los para os seus fins, dignos de loa, se non os afeáram os meios: e apresentou logo um escrípto contra Prisciliano e os seus companheiros, cheio de “mala vontade e de recriminaçóns”, segundo afirma com a sua habitual dureza Sulpicio Severo. Bastaba com a enumeraçón dos erros gravíssimos anticatólicos e antisociais daquela seita gnóstica, para que Máximo se determinara ao castigo; mas, mais prudente que Itacio, remitíu a decisón para o sínodo de Burdeos, ante o qual forom conducidos Instancio e Prisciliano. Respondeu o primeiro em causa própria, e foi condenado e deposto polos Padres do concílio, a quem non parecerom suficientes as suas desculpas. Até aquí tinha-se procedido canónicamente; mas, temeroso Prisciliano de igual procedimento, preferíu apelar para o Imperador, a cuxos ministros esperaba comprar como fixéra com os de Graciano; e os bispos franceses, “com a inconstância própria da sua naçón” (afirma Sulpicio, que era galo), consentíron em que pasase unha causa eclesiástica para o tribunal do príncipe, a quem só competía em último caso a execuçón dos decretos conciliares. Fortuna que Máximo era católico, e aquela momentânea servidûme da Igrexa non foi para mal, aínda que sim para escândalo e discordia. “Deberíam os bispos (afirma Severo) ter dictádo sentência em rebeldia contra Prisciliano, ou se os recusaba por suspeitosos, confiar a decisón a outros bispos, e non permitir ao Imperador intrometer a sua autoridade em causa tán manifesta, e tán apartada da lexislaçón civil, maiormentemente”. Em ván protestou San Martínho de Tours, contra aquelas novidades, e exhortou a Itácio a que desistisse da acusaçón, e rogou a Máximo que non derramasse a sangue dos priscilianistas. Mentras ele estívo em Tréveris, impedíu-o e ainda obtúbo do emperador formal promesa em contrário; mas, apenas había passado das portas da cidade, os bispos Magno e Rufo redobrárom as suas instâncias com Máximo, e este nomeou xuíz da causa ao prefeito Evodio, “varón implacábel e severo”. Prisciliano foi convícto de crímes comúns, tais como eram o malefício, os conciliábulos obscenos e nocturnas reunións de mulheres, o orar despído e outros excessos da mesma laia, semelhantes aos dos carpocracianos e adamitas. Remitíu Evodio as actas do processo para Máximo; abríu este novo xuízo, em que apareceu como acusador, no lugar de Itacio, Patricio, oficial do fisco, e como consequência forom condenados à morte por decapitaçón, Prisciliano, os dous clérigos Felicísimo e Armenio, neófitos do priscilianismo; Asarino e o diácono Aurelio, Latroniano e Eucrocia.
A questón de porque vivemos em sociedade? non era um tema novo no século XVII. Xá nos tempos da antiga Grécia se tinha colocado a questón, de porque é que os seres convivem e formam comunidades? A resposta mais difundida e trabalhada, foi a dada por Aristóteles: Para ele, o ser humano vive em sociedade por necessidade, porque essa é a sua inclinaçón natural. Para Aristóteles somos um “zoonpolitikón” (um animal político), que se define pola sua dimensón social e que precisa do contacto com o resto dos seres humanos, para se desenvolver. Desta maneira, a “polis”, a comunidade política, sería o nosso “habitat natural”, aquele que nos permitiria superar a nossa indixência conxénita: em primeiro lugar, porque quando nascemos non podemos sobreviver por nós próprios, e em segundo lugar, porque também de adultos precisamos dos outros, pois o ser humano só na vida comunitária, como cidadán, se expressa tal como é: um ser cívico e gregário. Se houbesse alguém capaz de prescindir da vida em sociedade, sería um animal ou um Deus, mas non propriamente um ser humano. (E, era por esta razón humanitária, que os cazabam para levá-los para as cidades, como escrávos!). Essa é a concepçón de Aristóteles, que expressa unha certa bondade e unha tendência natural para a sociabilidade, cousa que non partilharám muitos dos autores modernos, com tendência a conceber a natureza humana de unha forma mais sombría.
Lev Tolstói (1828-1910) é um dos grandes literatos do Planeta. Entre as suas novelas mais conhecidas, ademais de “Guerra e Paz”, están “Anna Karenina” e “Resurreiçón”. Situada entre 1805 e 1813, nunha Russia convulsionada pola agressón napoleónica. Guerra e Paz, é unha das cûmbres da literatura universal. As andanças e peripécias de quatro famílias aristócratas (Os Kuraguin, os Bezujov, os Rostov e os Bolkonsky), articulam esta poderosa novela que abarca todos os rexistros e eternas preocupaçóns do ser humano –o amor, a morte, o bem e o mal, o sentido da existência, a amizade, o desengano…– e recrea unha época histórica decissíva –desde as grandes batalhas que valerom a glória a Napoleón, como Austerlitz, até ao incêndio de Moscovo e a derrota do exército francês– num conxunto prodixioso que arrebata o leitor.
Embirrei com este nome: “Combinado Têxtil de Tbilissi”. ¿Porque non se dizia, em linguaxe cristán, que aquilo era unha fábrica de meias? Tadeu Gogoladze, home paciente e minucioso, deu-me explicaçóns, mais ou menos confusas para mim: ali non se trata apenas de indústrias, mas de instituiçóns sociais. Tadeu Gogoladze é director do estabelecimento. Faz unha narrativa sincopada, alargando-se em números. Se o interrompemos, abre um parêntese na exposiçón, larga os papéis; depois continua, devagar, para non nos desorientarmos na escrita. Iniciou-se a construçón em 1939; findou em 1950. Começou a produçón em 1941. Aumento da produçón de 1950 a 1951: 32,8%. Mais de quatro mil operários. Oito horas de trabalho por dia. O salário médio é de oitocentos e vinte rublos, e o trabalhador paga polo aluguer da casa vinte e cinco rublos. ¿Só, perguntei admirado? –Non é pouco, disse o home. O aluguer da casa regula de um a três por cento do salário. Estamos no máximo. Podíamos estar em oito rublos. Há na fábrica sanatório, hospìtal, banhos, lavandaria, estádio, casa de cultura, sala de desportos, escolas de aprendizaxem, biblioteca, teatro. Nunha escola normal nocturna, próxima, os operários estudam sem lesar o trabalho. Recordei-me de um pedido feito dias atrás, na Voks. Unha senhora queria ver creches, xardins de infância, e o presidente embaraçara-se: –“Non é possíbel. Non há casas especiais para isso. Mas em qualquer fábrica a senhora encontrará o que desexa”. Agora, como non se mencionassem asilos infantis, perguntei: –¿O senhor non tem creches, xardins de infância? —Claro, respondeu Gogoladze. Pensei que non fôsse preciso dizer isso. E, com a mán na massa, forneceu-nos algunhas informaçóns complementárias. Mais de trezentos filhos de operários, están em campos vizinhos de Borjômi, a maior parte de graça. A permanência de mês e meio aí custa quinhentos rublos: os trabalhadores pagam de oitenta a cento e oitenta rublos; Nesses lugares existem professores, médicos, dentistas. Ás vezes as crianças ván para sanatórios e balneários, no mar Negro. Para repouso de crianças até oito anos há casas de campo, granxas, onde elas ficam três meses. As cousas vistas no papel começavam a dar-me enxôo. Melhor seria examiná-las. Erguemo-nos. Até que enfim! Xá me sentia com as pálpebras pesadas de algarismos. Enveredámos por um corredor; e achando unha porta meio pechada, marchei para ela, e empurrei-a. Alguém me vedou a passaxem. –Está aí! murmurei a Sinval Palmeira e Arnaldo Estrêla, meus companheiros excelentes desde Praga. Temos aí a cortina de ferro, há unha sala onde non podemos entrar. Mas a prohibiçón referia-se apenas aos barbados. O sexo feminino entrou, saíu. –¿Que é que há? Quási nada: as operárias estavam nas banheiras, lavando-se. –Está ai, seu Sinval. Está aí, seu Estrêla. Ausência de liberdade. Elas entram, nós non podemos entrar. Há discriminaçón, como nos Estados Unidos. E temos aqui perto as mulheres mais bonitas do mundo. Essas idéias foram varridas por unha cadeira funesta, um motor, odiosas vitrinas onde se arrumavam brocas e suplícios hábeis de odontoloxia. Vimos em seguida as aulas, o gabinete de fisioterapia, dous salóns de xinástica. E surxiram-nos as máquinas, abundantes, organismos que venero, porque non os entendo. Operárias áxeis mexiam em ferros complicados, velozes, afeitos à ordem, à disciplina. Giravam fusos, e as maçarocas iam-se tornando cada vez mais finas, eram, depois de inúmeras rotaçóns, fios quási invissíbeis, obras de aranhas. Noutra secçón, mecanismos teciam. E alguns, adiante, manexavam canos, xuntavam peças, enxendravam calcanhares, rápidos, com sabedoria. Quadros nunha parede, cartazes, malícias, caricaturas: indivíduos capazes no serviço e indivíduos ronceiros– avións e tartarugas. À saída, encontrámos duas manicuras afobadas no exercício da profissón, cortando, limando, envernizando. —Que é isso? perguntei. O senhor habitua a sua xente a esses melindres? Tadeu Gogoladze explicou-se: –Non é por luxo. É para que as unhas non estraguem as meias. Lá fora chuviscava. Na friaxem, nos arrepios, diriximo-nos ao xardim de infância. Conduziram-nos ao vestiário. E, arrumados naquelas batas alvas, obrigatórias, fomos ver os setenta pirralhos que ali se educam. Uns vinte, na primeira sala, entregavam-se a um bailado. O amor à dança, que em tôda a parte se revela, enche os teatros, arrouba multidóns, xá despertava naqueles corpos exíguos, de movimentos lerdos, incertos. Non lhes impunham regras, é claro: moviam-se em coreografia orixinal. Dentro de alguns anos apareceriam outras Ulanowas –e “Romeu e Xulieta”, “A Papoula Vermelha”, “A Bela Adormecida no Bosque”, atrairiam aplausos universais. Unha garotinha puxou a manga da professora, cochichou. –Traduza, Mme. Nikolskaya, faça o obséquio. A óptima senhora atendeu-me: –Ela quer dançar com a boneca. Espantei-me. Quer? Entón neste país onde se arrasou o individualismo, as ninharias de cinco anos têm o direito de “querer”? Têm! A menina pegou a boneca e deu-nos unha pantomima cheia de lágrimas e risos. Levantámo-nos. Ao deixar os artistas mirins, veio-me a idéia infeliz de beixar um dêles: oito ou dez me cercaram, esixíndo beixos, cuspiram-me o rosto com muitos carinhos. Um se avizinhou, misterioso, esticou-se; baixei-me para ouvi-lo: –Na sua terra há também xardim de infância? –Há, meu filho. Mas é diferente. Saímos, fomos a outra classe. Garotos de seis anos, curvados em mesinhas, recortavam, modelavam, atentos, e non nos ligaram a mínima importância. Quando nos retirábamos, alguns tiverom a condescendência de notar-nos: ergueram-se, abriram estantes baixas, tirarom delas bichos de barro e ofereceram essa arte miúda às senhoras. Na creche existem cem hóspedes. No compartimento inicial arrumavam-se bebés de um mês a um ano, seres invertebrados, vermelhos, flácidos. Três se sentavam em cadeiras que os prendiam, encerravam em molas complexas os débeis membros cartilaxinosos. Um estranho sorriso nos chamava, luz permanente e fria. Tornava-se afinal incômodo, non conseguíamos livrar-nos dêle. Virei-me da porta, envolví-me ainda unha vez no sorriso imóvel da criança, imóvel como se o tivessem fixado em matéria inorgânica. Na peça contígua repousavam criaturinhas mais fornidas. Andámos entre as camas, nos corredores estreitos, abafando os passos, e os dorminhocos estremunhavam-se, bocexavam, mostrando belas carrancas. Várias inspectoras nos seguiam, deslizando como sombras. Unha, à despedida, quis mostrar-me os seus pupilos, unha dúzia mais ou menos, e apontou um dêles, o mais perfeito da casa, afirmou vaidosa. Saímos, atravessámos o pátio. Os chuviscos engrossavam. Tadeu Gogoladze vestíu unha capa de borracha. Entrámos na sala de teatro, concertos e proxecçóns. Há nela seiscentas cadeiras. Passámos à biblioteca. Literatura francesa e inglesa, traduzida em russo. Peguei um D. Quixote, olhei a ficha incompreenssíbel. ¿Quantas pessoas leram êste libro em 1952? Doze. Número razoábel. Em quatro meses e dias, doze operários de unha fábrica xeorxiana tinham visto e ouvido o cavaleiro de Cervantes. Pessoal de mau gôsto: non se preocupa com os romances policiais, tán difundidos neste hemisfério. Só nos restava apresentar os nossos agradecimentos e partir. Onde andavam as senhoras? Tinham-se retardado na sala de concertos. Apareceram. Tadeu Gogoladze entregou a cada unha delas um par de meias, lembrança das operárias do Combinado Têxtil de Tbilissi.
Como se verifica na sua reflexón xeral sobre a ética e a política, Rawls segue o rasto kantiano também para pensar sobre a xustiça internacional. Assim, tal como Kant fixéra dous séculos antes em “A Paz Perpétua”, Rawls toma como ponto de partida os pobos enquanto actores principais da ética e da política internacional e rexeita qualquer possibilidade de unha xustiça global. Rawls escolhe os pobos como actores da política global, por puro realismo político, como Kant, mas também porque o seu compromisso com os “valores liberais” o obriga a procurar a forma de os pobos ou Estados a que chama “non liberais” mas “decentes” –os que non respeitam as “liberdades individuais” dos seus cidadáns, mas possuem unha ordem política estábel, ou sexa, tacitamente consentida– poderem aceitar princípios de xustiça comuns nas relaçóns internacionais. Rawls está a pensar em países que non partilham o “individualismo liberal” do Ocidente, mas que vivem coherentemente de acordo com outras crenças políticas livremente aceites polos seus cidadáns. Um exemplo seríam os Estados que seguem os preceitos de um islamismo moderado. Só exclui da necessidade de se integrarem nesse grande pacto internacional os “países non liberais” que, além do mais, som “non decentes”, ou sexa, os que nem sequer esperam que os seus membros aceitem a autoridade política interna. É preciso sublinhar que o obxectivo rawlsiano de tolerar os “países decentes”, que, no entanto, non toleram a liberdade individual dos seus cidadáns, non deixa de ser unha contradiçón na óptica liberal. Contudo, essa contradiçón non parece perturbar Rawls, interessado, como Kant, sobretudo em sumar quantos mais Estados melhor, com relaçón a unha ética internacional que, embora non aspire a unha paz utópica perpétua, pretende minimizar os conflíctos internacionais, como também sonhava o filósofo de Königsberg. Mas Rawls também non consegue evitar unha segunda contradiçón, mais grave, no seu respeito para com os países “non liberais”, embora “decentes”: assume que os cidadáns desses Estados aceitam, nem que sexa tacitamente, a política non liberal dos seus países. Isso pode ser verdade em alguns casos, mas, de qualquer modo, é impossíbel de verificar, xá que a política non liberal se baseia precisamente em censurar a liberdade política dos indivíduos. Assim, Rawls non acredita que o “véu de ignorância” dos membros da posiçón orixinal, que concebeu para “Unha Teoria da Xustiça”, incluía os assuntos relativos à relaçón entre os pobos. Por isso, em “O Direito dos Pobos”, propón unha segunda posiçón orixinal, desta vez formada polos povos “decentes” que habitam o planeta, com o obxectivo serem eles a escolher os princípios da ética internacional.