
Um conhecimento perfeitíssimo requere, por tanto, um corpo de perfeiçón. Sexa esta a razón definitiva: tudo o perfeito compráze-se com a perfeiçón, é xerádo polo perfeito e mediante a perfeiçón. ¿Que há mais perfeito que a perfeiçón? Foi feita polo único ser perfeito, pola perfeiçón mesma. Deus. ¿Por qué meio? Pola sua perfeitíssima potência, a única que é perfeitíssima, xá que é a única infinita, pois é Deus mesmo. Todas as demais cousas que tenhem um maior gráu de perfeiçón estań feitas por outras desse mesmo gráu. O que fazem os corpos celestes non podería ser feito por algo menos perfeito. Razón de tudo isto: de algunha maneira, o “axente” sái de sí e passa para o “paciente”. Tudo, em efeito, quere transformar as outras cousas em sí mesmo, e non pode fazê-lo sem comunicar-se a elas. E, ao fazê-lo, sofre a oposiçón destas, as quais, intentam conservar-se no seu próprio ser (o que é também connatural a todo ente, de onde vem aquilo de querer converter em sí mesmo as outras cousas, para evitar que chegue xamais o próprio fim), em parte resistência e em parte querendo à sua vez converter ao outro. Extendem e exercem quanto podem a seu poder sobre o axente e imprimen-lhe a sua forza; mas, ao ser menos fortes que el, resultan vencidas na contenda e vem-se obrigadas a seguir a sua bandeira, assim como a insertar-se nele, renunciando à sua primitiva inclinaçón.
FRANCISCO SÁNCHEZ