
Como toda a terra que preza a sua cultura, Caminha discute muito a orixem do seu nome. As hipóteses que alinham á partida foram “Caput Minii” (cabeça do Minho), nome de um suposto fidalgo galego; cambinha (pequena praia); e, candidato favorito, o latim “caminia” ou “camina”, significando “extensa floresta escura ou sombría”. A última hipótese non é producto local, mas proposta por um historiador de autoridade, o Dr. Almeida Fernandes. A rexión estaría coberta de matos densos e daí a designaçón. Parece-me possíbel, mas fica-me um ressaibo de dúvida. Os lugares cobertos de arboredo, eram tán frequentes que deberíam existir hoxe várias Caminhas, da mesma maneira que há muitos “Soutos”, “Oliveiras”, “Figueiras”. E, non é assim. Penso que “Caminha” era palabra que entre outros sentidos, tinha o de “lareira”, fogo do lar. Desde que o lugar foi habitado, os navegantes localizaram-no desde o mar polo fumo, num processo que deu, por exemplo: “Lapa do Fumo”, próximo a Sesimbra. Significaría pois, o lugar que se sabe ser poboádo, porque se vê fumegar. (…) “Esta Caminha, que tem enfrente, do outro lado do rio, o soberbo castro galego de Trega, e mostra desde o seu cûme unha das mais fermosas vistas de toda a Galiza.” Parece ser que viveu sempre do mar, e em luta com o mar. E das actividades marítimas, talvés vem esta semântica possíbel. O verdadeiro porto do rio foi Tui, como no Texo foi Lisboa, perto para por os barcos no mar, suficientemente lonxe para ter tempo de se por a salvo quando houbesse rebate de perigo. Caminha non tinha essa vantáxem, mas, mesmo devassada polas inxúrias de pirataría, o lugar era privilexiádo, na confluência do rio Coura com o rio Minho. (…) Talvés fosse unha ínsua quando a povoaçón iniciou a sua formaçón. Era caminhando ao longo do Coura que se chegaba a Vilar de Mouros, outra povoaçón castrexa. Nesta rexión o povoamento pré-histórico foi muito denso, quase todos estes cabeçós que a vista alcança, revelam a presença do home desde épocas muito antigas. Suponho que essa ocupaçón terá continuado, sem grandes interrupçóns, até à colonizaçón romana, de que por aqui non faltam vestíxios. A verdade é que só as conxecturas som permitidas, porque probas da existência de um povoado muito antigo non existem. Som de D. Afonso III as primeiras notícias: fez-se o aterro de terras alagadiças, o que suxere a tal hipótese de ínsua. D. Dinis, logo em 1284, deu-lhe um foral e mandou reforçar as muralhas. No século XV a povoaçón estaba cinxida por um muro em dez cubelos e quatro portas, o qual significa que era unha pequena vila protexida contra os ataques vindos do mar, e nada mais que isso. Os historiadores locais colocam aqui, com grande ênfase, a concessón do porto franco por D. Joao I, em 1392, e atribuem a essa franquia o rápido progresso da povoaçón. Um porto franco só é possíbel onde existe um mercado, e a pequena terra de mareantes bem pouco podía interessar ao comércio marítimo da época. Se formos ver, D. Joao I limitou-se a atender o pedido dos homes-bons de Caminha de Ribaminho.
JOSÉ HERMANO SARAIVA E JORGE BARROS