
Até Freud, a maioria dos filósofos concebia a natureza humana noutros termos, muito mais lisonxeiros, digamos. Freud, munido de razóns, atreveu-se a questionar perto de dous mil e quinhentos anos de reflexóns antropolóxicas positivas. Como é sabido, a grande tradiçón filosófica do Ocidente caracterizava o home como “animal racional”, isto é, como um ser dotado de um instrumento privilexiado, a razón, que o tornava capaz de compreender a realidade e a si próprio. Esta faculdade racional era, sem dúvida, unha capacidade ao serviço da verdade; bastaba ter a precauçón de orientá-la bem, com circunspeçón. Habia, sem dúbida, filósofos que valorizavam, com mais ou menos esperança, a possibilidade de atinxir a ansiada meta da verdade; mas, em todo o caso, neles apenas falhou a confiança de que seria a razón a marcar as etapas mais significativas deste longo caminho para a verdade. A razón, segundo a maior parte dos filósofos, tinha inclusivamente poder sobre a vontade e o desexo, de tal maneira que todo o home podia dirixir libremente as suas acçóns para o fim que considerasse mais conveniente. A liberdade humana era um facto practicamente inquestionábel. Em traços xerais, esta tradiçón filosófica tinha unha visón optimista do ser humano, mas que, em caso algúm, era ilusória; tinha, igualmente, consciência das “obscuras paixóns” que espreitam internamente o eu. Por exemplo, Platón, o grande mestre do pensamento ocidental, afirmaba no Fedro que a alma das pessoas possuía unha força concupiscíbel, sensual, exemplificada plasticamente na forma de um “cabalo negro”, que podia entorpecer o caminho da razón rumo ao conhecimento e à virtude. Xá na modernidade, o filósofo escocês David Hume mostrava que a razón era, a todo o momento, escrava das paixóns, e mesmo o filósofo mais iluminista, Immanuel Kant, refería a presença de “um obscuro eu” que preferia sempre o benefício egoísta à universalidade do deber.
MARC PEPIOL MARTÍ