
A cidade estaba cheia de retratos de Stalín —e isto provocou a observaçón indiscreta de um dos nossos companheiros: a demonstraçón de solidariedade irrestricta non impressionava bem o exterior. A senhora Nikolskaya ouviu com paciência a crítica azêda, xulgou-a, cortêsmente, leviana e absurda: nenhum russo admitia que as cousas se passassem de outra maneira. Essa réplica isenta de motivos era, no meu xuízo, superior a um longo discurso esteado em razóns. Estávamos diante de um facto, e condená-lo à pressa, ao cabo de alguns passeios na rua, parecia-me inxenuidade. Com certeza êle era necessário, e devíamos, antes de arriscar opinión, investigar-lhe a causa. Realmente non compreendemos, homes do ocidente, o apoio incondicional ao dirixente político; sería ridículo tributarmos veneraçón a um presidente de república na América do Sul. Non temos em xeral nenhum respeito a êsses indivíduos. Pelo contrário: a massa experimenta prazer em atacá-los, os xornais da oposiçón encarniçam-se em apontar-lhes as mazelas, reais ou imaxinárias. O amor a um poder, na verdade bem precário, faz que essas criaturas se resignem a tomar diàriamente um banho de lama. Verdades e calúmnias confundem-se. Hoxe em cima, em baixo amanhá, prêso a interêsses inconfessábeis, obrigando a mendigar o voto, alargando-se em promessas num instante esquecidas, o home público é um ser mesquinho. Habituamo-nos a xulgá-lo trapaceiro e venal; as suas palabras em tempo de eleiçón, ôcas e abundantes, som para nós desgraçadas mentiras. Bem. Trazemos no espírito a lembrança dessa figura triste, non a podemos afastar de chofre —e, chegados aqui, somos levados a compará-la ao estadista que passou a vida a trabalhar para o povo, nunca o enganou. Non podería enganá-lo. Esforçou-se por vencer o explorador, viu-o morto —e sería idiota supor que, alcançada a victória, desexasse a ressurreiçón dêle. É, desde a xuventude, um defensor da clásse trabalhadora. Esta expressón, razoábel há trinta e cinco anos, tornou-se desarrazoada, pois aqui xá non existem clásses. Dedica-se ao trabalhador, e efectivamente non há, nos tempos que correm, grande mérito nisto. Difícil foi tomar o partido dos pobres no princípio do século, quando a teimosa resistência o levou à Sibéria e à tortura. Hoxe a dificuldade sería escolher alguém a serviço dos patróns. Essa xente esvaíu-se na Unión Soviética, e a pessoa desexosa de servi-la necessitaria procurá-la no exterior. Se examinarmos as cousas com os olhos do capitalismo, chegaremos à conclusón de que o traidor sería unha espécie de herói. Non precisamos intelixência para compreender esta cousa simples: lá fora, onde a luta de clásses cada vez mais se acirra, o político, um boneco nas máns do proprietário, non tem meio de rebelar-se ou ficar neutro, pois isto lhe ocasionaría a derrota; neste país, libre da questón milenária, o suxeito recebe um mandato e fica na dura continxência de ser honesto. Se admitimos ésse infalíbel procedimento num deputado quirguiz ou siberiano, como pôr em dúvida o home que, em mais de cinquenta anos de prodixiosa labuta, se transformou num símbolo nacional? No começo foram os perigos, a vida subterrânea, o cárcere, o degrêdo, horríbeis sofrimentos e a certeza de conseguir viver bem afastando-se dêles; em seguida a tarefa xigantesca, sem pausa, a construçón dêste mundo novo que visitamos com assombro.
GRACILIANO RAMOS