
Os campos de concentraçón representam o triunfo do domínio total como última aspiraçón do rexime totalitário. Antes de chegar a esse momento final, o caminho para o domínio total segue um processo que Hannah Arendt descrebe da seguinte forma e nas seguintes fases: O primeiro passo sería a morte da pessoa xurídica. Isso consegue-se colocando certas categorias de pessoas à marxem da lei. Como vimos, isto realizou-se com a privaçón do “direito a ter direitos” de grandes grupos populacionais durante o período entre as duas guerras. O que é importante destacar aqui é que este passo se pode dar (e, de facto, deu-se) dentro das democracias accidentais. Portanto, non é algo exclusivo do rexime totalitário, mas pode ser a antecâmara do seu triunfo. O segundo passo é a morte da pessoa moral. Implica acabar com todo tipo de solidariedade humana e conseguir unha sociedade na qual impere a cumplicidade organizada com a violência. Aqui, a ideia principal é que este passo implique a criaçón de condiçóns sob as quais a consciência deixa de ser a régua que mede as nossas actuaçóns, e fazer o bem, optar pelo bem torna-se quase impossíbel. Por último, produz-se a destruiçón da singularidade humana, a morte da individualidade. Os campos de extermínio têm aqui um papel fundamental, pois som “os laboratórios onde se ensaiaram com êxito as mudanças na natureza humana”. Som a verdadeira instituiçón central do poder totalitário. Arendt chama aos campos “fábricas da morte”, destacando com isso o seu carácter de produçón de corpos, de matéria inerme. Neles, os prisioneiros som reduzidos às reaçóns corporais mais elementares perante o frio, o calor ou a dor. O seu comportamento, como o do can de Pavlov, que respondia mecanicamente aos estímulos, torna-se previssíbel, controlábel e moldábel. Destruiu-se a pluralidade e a singularidade humana de cada indivíduo, a sua capacidade para a acçón espontânea, de tal maneira que os indivíduos até se podiam trocar entre si ao acaso. Cada prisioneiro transformou-se num número e deixou de ser um indivíduo com unha história atrás de si. No campo de extermínio, os internos som tratados como se xá non existissem, como se estivessem mortos. O espaço do campo constitui um “esquecimento organizado” para os prisioneiros e para as suas famílias e amigos, pois tanto a dor como a recordaçón estám prohibidas. A morte é anónima, “arrebatando ao indivíduo a sua própria morte. A sua morte pôn simplesmente um carimbo sobre um assunto que, na verdade, nunca existiu”. A descripçón que Arendt faz do universo concentracionário foi corroborada pelos relatos dos sobreviventes, que sublinham muitos dos aspectos de que ela fala: a criaçón de um “antimundo” isolado do mundo exterior, que contribui para o sentimento de irrealidade.
CRISTINA SÁNCHEZ