
Também precisamos de responder a algunhas questóns fundamentais. Como o que queremos, ao certo, resolver em primeiro lugar? Qual é o nosso obxectivo? É reduzir as emissóns ou poder continuar a viver do mesmo modo? O nosso obxectivo é salvaguardar as condiçóns de vida presentes e futuras, ou manter um estilo de vida pautado polo consumismo? O crescimento verde existe? E podemos ter crescimento económico eterno num planeta finito? Neste momento, muitos de nós precisamos de esperança. Mas o que é a esperança? E esperança para quem? Para aqueles de nós que criámos o problema, ou para os que xá están a sofrer as suas consequências? E o nosso desexo de proporcionar essa esperança pode estorvar a tomada de medidas e, portanto, acabar por se revelar mais perxudicial do que benéfico? Os mais ricos, que som 1% da populaçón mundial, som responsábeis por mais do dobro da poluiçón por carbono em comparaçón com as pessoas que perfazem a metade mais pobre da humanidade. Se o leitor é um dos 19 milhóns de cidadáns dos Estados Unidos ou dos quatro milhóns de cidadáns da China, que pertencem a esse 1% da populaçón –tal como todas as outras pessoas que têm um património líquido igual ou superior a 1.055.337 dólares–, entón talvez a esperança non sexa a sua maior necessidade. Polo menos, non nunha perspectiva obxectiva. É claro que ouvimos dizer que têm sido feitos alguns progressos. Alguns países e rexións dán conta de reducçóns bastante surpreendentes nas emissóns de CO2, ou polo menos desde que o mundo começou a negociar o enquadramento para xerirmos as nossas estatísticas. Mas qual é a sustentaçón de todas estas reduçóns se incluirmos as nossas emissóns totais em vez de estatísticas territoriais cuidadosamente xeridas? Por outras palabras, todas essas emissóns que negociámos com tanto sucesso com base nesses números. Por exemplo, transferir fábricas para locais remotos do planeta e negociar emissóns da aviaçón internacional e do transporte marítimo fora das nossas estatísticas –o que significa que, além de fabricarmos os nossos productos recorrendo a mán-de-obra barata e explorando as pessoas, também nos livramos das respectivas emissóns, as quais, na realidade, aumentarom. Isto é progresso? Para nos mantermos alinhados com as nossas metas climáticas internacionais precisamos de reducir as emissóns “per capita” para um valor de cerca de unha tonelada de dióxido de carbono por ano. Na Suécia, este valor cifra-se actualmente em perto de nove toneladas se incluírmos o consumo de bens importados. Nos Estados Unidos é de 17,1 toneladas. Se acrescentarmos as emissóns bioxénicas –como as emissóns provenientes da combustón de madeira e de massa vexetal–, em muitos casos esses números podem ser ainda mais elevados. E nos países com grandes áreas florestais, como a Suécia e o Canadá, significativamente superiores.
GRETA THUNBERG