
Hegel estaria de acordo com Aristóteles ao afirmar que o nosso entendimento está submetido a este princípio, mas de forma algunha concederia que a própria razón o estexa, o que implica introduzir unha diferença radical entre entende e raciocinar. E como a razón é que lexisla no devir da natureza e das sociedades (isto é, lexisla completamente no ser), Hegel nega que o princípio da non contradiçón sexa um princípio do próprio ser, um princípio “ontolóxico”. E o facto de ser um princípio daquilo a que Hegel chama “entendimento”, mostraria apenas que “entender” non é mais do que parcial e insatisfactório, um reflexo da subxectividade, limitada, carente e parcial. A razón non se axusta aos princípios do entendimento e, mais concretamente, ao da non contradiçón. A razón tem um movimento interno, porque cada unha das suas ideias encerra em si a ideia contrária, que non permanece oculta mas que pugna por sair e substituir a primeira. Isto explica que se tivermos unha proposiçón que o entendimento vê como firme, unha “tese” (por exemplo, a monarquia é ordem), na razón esta proposiçón será com total necessidade substituída pola sua “antítese” (a monarquia é desordem: ordem republicana!). Consolidar-se-á entón a antítese? De forma algunha; ficará substituída por unha nova proposiçón que non será mais do que a síntese de ambas (a monarquia restaurada é ordem), e esta, por seu lado, xerará unha nova antítese, e assim sucessivamente. Escolhi um exemplo político, mas teria podido escolher muitos outros, mais concretamente os relativos à natureza, pois, dada a sua obediência às ideias, a natureza também se encontraria submetida ao processo, assunto no qual temos a base daquilo que Friedrich Engels chamará mais tarde “dialéctica da natureza”, expressón que em si própria levantou algunhas questóns. E obxectará o leitor: a matemática non funciona dessa forma; depois de atribuir a um triângulo o atributo de que os seus ângulos sumam dous rectos (deixemos de lado a xeometria chamada “non euclidiana”), non deriva daí a antítese pola qual mediriam outra cousa diferente. E, de facto, a matemática non está submetida à dialéctica, porque a dialéctica diz respeito ao ser, ou sexa, à razón, e, por outro lado, a primeira disciplina é mera abstraçón do ser; a matemática é puro entendimento. Daí que o proxecto pitagórico de reduzir os conceitos filosóficos a determinaçóns matemáticas sexa para Hegel submeter o espírito à “tortura de se transformar em máquina”.
VÍCTOR GÓMEZ PIN