
Este é o problema que Hume equaciona na secçón “Dos milagres” da “Investigaçón sobre o Entendimento Humano. Aí insistirá em afirmar que um milagre é um acontecimento contrário a toda a nossa experiência passada e que, por conseguinte, quando avaliamos a credibilidade da testemunha que nos fala dele, debemos ter em conta esse carácter improvável que possui. É evidente que, quanto mais surprehendente for o que nos é contado, mais deberá custar-nos a acreditar e maiores garantias teremos direito a esixir às testemunhas de tal acontecimento inesperado. Assim, e como unha mera questón de certeza histórica, que valor podemos outorgar ao relato dos evanxelistas sobre os supostos milagres de Xesus? Segundo Hume, temos de considerar que se trata de unha narraçón escrita por pessoas sem qualquer crédito ou reputaçón (isto é, que teriam muito pouco a perder em caso de serem surprehendidas a divulgar falsidades) e na qual nos som apresentados determinados acontecimentos que violam completamente o curso regular da natureza. Estes milagres, além disso, teriam ocorrido num remoto recanto do mundo romano e entre pessoas incultas e ignorantes. Non nos leva isto a unha certa suspeita? Quem habia alí com conhecimentos suficientes para detectar um possíbel engano? Acaso non hoube outras narraçóns semelhantes cuxa falsidade foi rapidamente descoberta? Ao fim e ao cabo, o que muitas pessoas aceitaram como sendo o testemunho dos apóstolos sobre a ressurreiçón do seu mestre pode explicar-se pola credibilidade e pelo gosto polo assombroso das massas ignorantes. A isso há que acrescentar – e este é um novo argumento – que estes milagres pretendem servir de proba da revelaçón do único Deus verdadeiro, e que, portanto, têm contra sí as probas que apoiam os milagres próprios de outras relixións. De facto, tán incompatíveis como som as doutrinas do cristianismo com as dessas relixións terán de ser os seus respectivos milagres. Se uns tiveram lugar realmente, os outros têm de ser unha fraude. Por exemplo, há autores gregos e latinos que defenderam a veracidade dos milagres das suas relixións, logo, indirectamente argumentaram contra a verdade do cristianismo e dos seus milagres. O que fazer com estes testemunhos? Seria arbitrário rexeitar o seu valor e aceitar o dos milagres cristáns. A única alternativa lexítima é pensar que as suas probas se destroiem mutuamente. Quando a isto unimos as reflexóns anteriores, a conclusón é clara: non é razoábel acreditar na realidade dos milagres cristáns. É mais probábel, simplesmente, que a testemunha a seu favor sexa falsa, um producto da ilusón ou do desexo de nos enganar. Dito sem rodeios, o Novo Testamento (e, se partirmos desse princípio, toda a Bíblia) é ou unha fraude ou unha ilusón. Nenhum indivíduo que aspire à racionalidade pode conceder credibilidade algunha ao que lá se conta. Talvez agora possamos entender a prudência de Hume ao decidir eliminar esta parte “nobre” da sua primeira obra.
GERARDO LÓPEZ SASTRE