
À minha vez, mas com toda a tranquilidade, tomei o comboio unha linda manhán e começou a correr por aqueles campos admirábeis. Os viaxeiros americanos xá conhecemos a França, París e unha que outra grande cidade do litoral. A vida da campinha é-nos completamente desconhecida. É um dos inconvenientes do ferrocarril, cuxa rapidez e comodidade destruíu para sempre o carácter pintoresco das travesías. O meu pai viaxou por todo o Meiodia da França e a Itália enteira nunha pequena calesa, proveendo-se de cabalos nas postas. Só dessa maneira se conhece intimamente um país que se percorre, podem-se estudar as costûmes e encontrar curiosidades a cada passo. Mas, entre os extremos, o romanticismo non pode chegar nunca a preferir unha mula a um “express”. Um dos meus tíos, o coronel don Antonio Cané, depois da morte do xeneral Lavalle, em Jujuy, acompanhou o corpo do xeneral até à fronteira da Bolivia, xunto com os Ramos Mexía, Madero, Frías, etc… Quedou enfermo num dos poboádos fronteirizos, e quando os seus companheiros se dispersárom, uns para tomar serviço no exército boliviano, outros na direcçón de Chile ou Montevideo, el tomou unha mula e dirixíu-se a Brasil, que atravesou de Oeste a Este, chegando a Rio de Xaneiro, depois de seis ou oito meses, tendo percorrido non menos de seiscentas léguas. Mais tarde, o seu cunhado don Florencio Varela, o interrogaba sem parar, deplorando que a educaçón e os gostos do viaxeiro non lhe tivéram permitido anotar as suas impressóns. Cané tinha realizado este incríbel viáxe, detêndo-se em todos os lugares em que encontraba boa acolhida… e boas mozas. Passado o capricho, voltaba a montar na sua mula, e assím, de etapa em etapa, foi parar às costas do Atlântico. Admiro, mas prefíro os raíles de Orleáns, sobre os quais voámos neste momento, desenvolvêndose a âmbos lados do caminho os campos luminosos da Turena, admirabelmente cultivados e revelando, à sua simples vista o segredo da prosperidade extraordinária da França. Os canais de irrigaçón, caprichosos e alegres como arroios naturais, sucédem-se sem interrupçón. De pronto, caímos num val profundo, que serpentea entre duas elevadas colinas cobertas de bosques: por entre árbores, aparece na altura um castelo feudal, de toscas pedras escuras, cuxa vetustez característica contrasta com a brancura do humilde “hameau” que dorme à sombra, as perspectivas mudam constantemente, e os nomes que chegam ao ouvido, Angulema, Blois, Amboise, Chatellerault, Poitiers, etc…, fán reviver os quadros soberbos da velha história da França…
MIGUEL CANÉ (EN VIAJE, 1881 – 1882)