
A ordem social também está submetida à ideia da razón e, consequentemente, nessa ordem também impera unha rigorosa necessidade, o que implica que nada do que aconteceu na história das sociedades sexa continxente, caprichoso ou inxusto. Velho problema teolóxico, sem dúvida, em relaçón ao qual deixo o leitor tomar o seu partido: as queixas de um Baudelaire (“Este punxente pranto que atravessa os tempos, fenecendo à beira da vossa Eternidade”) ou de um Machado (“Senhor, xá me arrancaste o que eu mais queria…”) seriam apenas manifestaçóns -certamente inevitábeis!- de unha “consciência infeliz”, infeliz simplesmente por falta de conceito; unha consciência que, como veremos, non teria acedido à autêntica significaçón do cristianismo. Questón importante: o devir tanto da natureza como das sociedades tem unha finalidade, que non é mais do que o advento de unha consciência que compreende a necessidade, que compreende no essencial o porquê de cada cousa, e que sente nela a sua exaustiva “razón de ser”. A concepçón desse saber traduz-se nunha fórmula importantíssima que constitui o postulado fundamental do hegelianismo: ”tudo o que é real é racional; tudo o que é racional é real”. Non há ser possíbel do qual a razón non dé conta, e non há ideia da razón que non tenha realidade. Obviamente, isto quer dizer que as fantasmagorias non son ideias da razón, embora se a razón as tolera é por necessidade, o que implica que até o erro e o extravio têm a sua razón de ser.
VÍCTOR GÓMEZ PIN