
Rousseau decide non subscreber o “penso, logo existo” popularizado por René Descartes e opta por traduzi-lo para a fórmula “sinto, logo existo”, resultando daí que o seu sentir se encontre estreitamente vinculado ao devaneio, como espelha o próprio título de “Os Devaneios do Caminhante Solitário. “Algunhas vezes pensei com bastante profundidade” -lemos no começo da séptima caminhada- “mas raramente com prazer, quase sempre a contragosto e à força: o devaneio descontrai-me e diverte-me, a reflexón fatiga-me e entristece-me; pensar foi sempre para mim unha ocupaçón penosa e sem encanto. De vez em quando, os meus devaneios culminam nunha meditaçón, mas muito mais frequentemente as meditaçóns acabam em devaneio, e durante esses extravios a minha alma vagueia e paira sobre o universo nas asas da imaxinaçón com um êxtase que supera qualquer outro gozo.” É curiosa a relaçón estabelecida entre as suas meditaçóns e os seus devaneios. Parece que só podia pensar deixando-se levar por um determinado devaneio e que as suas reflexóns nunca se podiam desvincular do imaxinado por um ou outro devaneio, independentemente da ordem do seu surximento. Penso como sinto, quer-nos dizer. Ora bem, a prodixiosa eloquência de Rousseau, mesmo quando ditada por arrebatos de inspiraçón em que prevalece unha vertente sentimental, non era de todo espontânea. Ele próprio relata nas suas “Confissóns” quanto lhe custaba escreber o que quer que fosse, como adiante veremos. Acaso estamos perante mais outro paradoxo do mestre indiscutíbel dos paradoxos? Tudo provém do sentimento, incluindo as meditaçóns e os textos; no entanto, estes precisam de ser revistos unha e outra vez num processo em que as emoçóns som filtradas pola razón, apesar de conseguir transmitir aos leitores a emoçón primixénia.
ROBERTO R. ARAMAYO