
Mas Rorty foi mais longe. O ponto de vista hermenêutico de Gadamer podia afiançar a sua proposta, mas pressupunha um velho debate sobre a diferênça entre ciências naturais e ciências culturais. Portanto, Rorty simplificou-o deliberadamente e interpretou Gadamer à sua maneira, pondo-o ao serviço dos seus próprios fins. O libro de Gadamer -afirmou sem rodeios- é unha descripçón do ser humano como autocriador. Para Gadamer “a cousa mais importânte que podemos fazer é redescrevermo-nos a nós mesmos. Consegue-o utilizando a noçón de “Bildung” (educaçón, autoformaçón) em vez da de “conhecimento” como meta do pensamento”. A música é gadameriana, mas Rorty acrescenta notas suas e faz o seu próprio arranxo. A consciência transformadora de que Gadamer fala pode reduzir-se ao interesse autocriativo, ao interesse práctico, em refazermo-nos e expressarmo-nos a nós próprios de unha forma mais útil e interessante. Rorty acrescentava que este processo pode ser classificado como um processo de “edificaçón” de nós próprios e dos outros, sob a condiçón de non se classificar o discurso normalizado de edificante, mas apenas o discurso anormal, o discurso capaz de nos fazer sair de nós mesmos para nos transformarmos em algo diferente. A própria diferença entre o desexo de edificaçón e o desexo de verdade non expressaria em si mesma um conflicto que sexa necessário resolver. O conflicto é antes o que existe entre a ideia de que a única maneira de se edificar, de se formar, é saber o que é verdade (ou sexa, obter conhecimento), e a ideia de que a busca da verdade (obter conhecimento) é apenas unha das muitas maneiras de nos podermos formar ou edificar. Assim, a filosofia edificante é muito diferente da filosofia sistemática. Os filósofos sistemáticos querem dar grandes argumentos “e constroiem para a eternidade”. Em contrapartida, os edificantes “som reactivos e oferecem sátiras, paródias e aforismos. Sabem que a sua obra perderá vixência quando passar o período contra o qual estavam a reaxir (…) destrozam em benefício da sua própria xeraçón (…) querem deixar um espaço aberto à sensaçón de admiraçón que às vezes causam os poetas -admiraçón polo facto de haber algo novo debaixo do Sol, algo que non sexa unha representaçón exacta do que xá lá estava, algo que (polo menos por agora) non se pode explicar e dificilmente se pode descreber”. À sua maneira, também amam a sabedoria, non entendida como amor pola verdade, mas como a habilidade necessária “para que unha conversaçón non dexenére nunha investigaçón”. Porém, o problema de um filósofo que só quer ser edificante é que “está nunha profissón que consiste em apresentar argumentos, embora aquilo de que gostaria era de oferecer um conxunto de termos sem dizer que esses termos sexam representaçóns exactas”. Assim, de certa forma, quer algo estranho: que se produza unha mudança de regras, mas non porque as novas regras sexam mais verdadeiras. Essa é a diferença entre um “filósofo edificante” que oferece um vocabulário novo e um “filósofo sistemático” que muda de termos porque acredita que os novos som mais adequados à realidade.
RAMÓN DEL CASTILLO