
No universo infinito de Bruno, nem sequer o Sol ocupaba a centralidade: no infinito non há centro, nem cima nem baixo, e a Terra torna-se nunha paraxem mais, sem qualquer tipo de exclusividade ou primazia que pudesse obstentar por ser a morada dos filhos de Deus. A Igrexa far-lhe-ia pagar o seu atrevimento com a fogueira, mas graças ao zelo eclesiástico algo se tinha começado a mover e a superaçón dos antigos esquemas estaba perto. Galileu e Bruno foram copernicanos mesmo antes de confirmarem as suas teorias com a observaçón, e poderíamos dizer que o foram quase por unha questón estéctica, porque o mundo descrípto por Copérnico era mais elegante, parecia mais real, adequava-se melhor à ideia que eles tinham do universo. O cosmos aristotélico, organizado e bem definido, daria lugar ao universo infinito e determinista de Newton, onde os átomos chocavam entre si, movendo-se no vazio. Copérnico iniciou essa revoluçón que modificou por completo a maneira como se representava o mundo. Muitas destas investigaçóns produziram um desenvolvimento que deu orixem à Revoluçón industrial, iniciada em Inglaterra, e que se estendeu por todo o mundo. Mas, no campo do pensamento, o que mais nos interessa é que, pola primeira vez na história, começa a surxir unha “comunidade científica”, cuxos membros se relacionam e se interpelam directamente uns aos outros. Unha voz solitária non teria conseguido alterar o sistema estabelecido, que há tanto prevalecia nas mentes da maioria dos investigadores como nas aulas que se davam nas universidades. As inovaçóns da ciência de vanguarda implicavam um desafio às ideias que imperavam até à data, às quais a Igrexa tinha moldado o seu discurso. A substituiçón dos antigos dogmas non ia acontecer de um dia para outro, mas o empurrón dos novos cientistas acabaria por torná-lo possíbel. Locke ia ser testemunha dessa mudança de paradigma e participaria nela de forma activa, non como ponta de lança, pois o empirismo non era unha doutrina fecunda em descobertas, mas como escudo que conferiu à ciència um espaço teórico onde se desenvolver.
SERGI AGUILAR