Arquivos mensuais: Xullo 2023

RAWLS (DESVALORIZAR O PRINCÍPIO DO MÉRITO)

Referimos antes que “os membros da posiçón orixinal” preferem protexer os que están pior, e fazem-no por egoismo, ou sexa, porque podiam ser eles próprios os menos afortunados depois de tirarem o “véu de ignorància”. O desexo de se protexerem dessa indesexábel eventualidade leva-os a escolher o “princípio de diferença”. Contudo, o egoísmo das partes negociadoras na posiçón orixinal non é a única hipótese que xustifica a escolha desse princípio. Há um poderoso argumento por detrás dessa escolha: o “argumento da arbitrariedade moral” do acaso social e natural. Rawls está convencido de que ninguém merece as circunstâncias de vida que non escolheu. Ninguém merece por exemplo, a circunstância social de ter nascido pobre ou rico, no seio de unha família desestructurada ou nunha sociedade que recompensa determinadas aptidóns e talentos, e non outros. Portanto a xustiça debe rectificar essas circunstâncias imerecidas até onde for possíbel. O mesmo acontece com as circunstâncias naturais que rodeiam as pessoas e que estas também non escolheram, por exemplo, unha deficiência xenérica ou um talento natural superior. Os que possuem talento, como unha estrela do desporto ou um executivo brilhante, non merecem os seus lucros económicos pelo facto de o possuirem. Se a sociedade permite que ganhem mais do que os outros é porque isso os estimula a pôr os seus dotes naturais a funcionar para o bem social. Ninguém marece que a sociedade recompense ou sexa indiferente a determinados talentos e a outros non. Significa isto que ninguém merece o que tem ou o que consegue com o seu trabalho? Será que unha estrela do desporto, da música ou da televisón merece ganhar tanto dinheiro? Um professor ou um bombeiro merecem o salário médio ou baixo que recebem? Um empresário ou um especulador financeiro merecem os lucros que obtêm com o capital que investem e os riscos que assumem? Rawls parece desvalorizar completamente o princípio do mérito, ao defender que nem sequer o esforço e a vontade que dedicamos ao que fazemos som totalmente merecidos.

ÁNGEL PUYOL

LITERATURA CASTELÁN (OUTROS POEMAS: PLANTO POR LA CAÍDA DE JERUSALÉN)

O acerbo literário do século XIII foi enriquecido recentemente com três novos poemas, descobertos e dados a conhecer por María del Carmen Pescador del Hoyo. A cópia, afirma a investigadora, parece pertencer aos últimos anos do século XIV ou primeiros do XV, mas as obras deberom de ser compostas durante o século XIII. O primeiro dos ditos poemas é um relato do pecado orixinal; consta de 51 versos que oscilam entre dez e treze sílabas, mas com predominio dos de onze ou doze, distribúidos em quartetos monorrimos -unha só das estrofas é um pareado-, de rima consonante na sua mayoría. O segundo poema, titulado ¡Ay Iherusalem!, o Planto por la caída de Jerusalén, é unha lamentaçón pola pérda dos Santos Lugares e unha descripçón dos horrores que a acompanharom. O terceiro é unha exposiçón, em sete pareados, dos Dez Mandamentos. Nem a primeira, nem a terceira composiçón, tenhem grande interesse literário, particularmente a última que se resume à estrícta enumeraçón rimada dos Dez Mandamentos, com poucas palabras mais, indispensábeis para colmar as estrofas. Todavía no primeiro poema, podem asinalar-se alguns aspectos curiosos, que dán certo encanto ao seu inxénuo primitivismo; assim, por exemplo, a fruta prohibida non é a maçán tradicional, senón o figo; Eva -a quem non se menciona polo seu nome, senón por “Muger” -farta-se primeiro de figos e logo oferece um a Adán; por tal razón, este se xustifica ante o Criador, afirmando que non sabía que era da árbore defendida.

Dixo: “¡Ay, Sennor! ¡Por malo fue nasçido!

La muger que me distes me ay vendido:

de su mano dado me avía un figo,

no sé sy era del árbol defendido.”

Pola sua parte, Eva alega a mala qualidade da costela, da qual foi feita:

“¡Ay, Sennor! ¡El culebro me ay muerta,

pues tú me feziste de una costilla tuerta!”

O poema de maior interesse é o Planto por la pérdida de Jerusalén, que Eugenio Asensio tratou de valorar e situar literariamente, nunha primeira tentativa de interpretaçón. Asensio sitúa a sua redacçón nos dias de Alfonso o Sábio, com ocasión, probabelmente, do Segundo Concílio de Lyón, reunido em 1274, com o propósito de estimular a Cruzada e resgatar a Cidade Santa, novamente perdida. Franceses e alemáns cultivárom o “canto de cruzada”, poemas cantados.

Bien querría más convusco plannir,

llorar noches e días, gemir e non dormir,

que contarvos prosas

de nuevas llorosas

de Iherusalem.

.

De Iherusalem vos querría contar,

del Sepulcro Santo que es allende el mar:

moros lo çercaron

e lo derribaron,

a Iherusalem.

J. L. ALBORG

THOMAS S. KUHN (O QUE É A SEMÂNTICA?)

A semântica é a disciplina que estuda as diversas formas de estabelecer unha relaçón entre os elementos de unha determinada fala, ou de toda a língua concebível, e os obxectos a que esses elementos linguísticos se referem. Dito de forma um pouco grosseira, a semântica estuda a relaçón entre a língua e o mundo. Costumam distinguir-se “semântica descriptiva” e “semântica lóxica ou filosófica”. A primeira estuda empiricamente o modo como se usam as palabras de unha determinada fala (o português, o francês, etc…), ou de unha família de línguas (como as indo-europeias) para transmitir informaçón sobre o mundo que nos rodeia. Quem se ocupa desta semântica som os linguistas, enquanto cientistas empíricos, e nela som feitas constataçóns como, por exemplo, que nas falas indo-europeias os substântivos costumam referir-se a obxectos localizados de forma espaciotemporal, os verbos a acçóns ou processos, os pronomes a pessoas, etc… Em contrapartida, a semântica lóxica ou filosófica, a que aquí nos interessa, estuda, digamos, a priori, as condiçóns que qualquer língua deve reunir para poder comunicar informaçóns sobre o mundo. As noçóns-chave da semântica filosófica som as de proposiçón, designaçón e verdade. Unha proposiçón é um elemento de unha língua qualquer que designa um suposto facto. Se este facto se dá realmente, a proposiçón é verdadeira; se non for o caso, é falsa. Um dos princípios fundamentais da semântica filosófica é que toda a proposiçón de qualquer língua, por simples que sexa, é unha entidade que consta, por sua vez, de elementos linguísticos mais elementais (as palabras da língua comum) que designam (ou deviam designar) algo. As proposiçóns mais simples som as que constam de um nome que designa um obxecto e de um predicado que designa unha propriedade. Assim, por exemplo, na proposiçón “A Guarda é fria” podemos distinguir o nome “Guarda”, que designa unha determinada cidade, e o predicado “é fria”, que designa unha determinada propriedade física. Se nunha determinada oraçón o nome non designar nenhum obxecto, ou o predicado nenhuma propriedade, diremos que na realidade non se trata de unha verdadeira proposiçón, mas de unha pseudoproposiçón. Assim, por exemplo, as oraçóns “Abracadabra é fria” e “A Guarda é abracadabrante” som na realidade pseudoproposiçóns, pois nem “Abracadabra” nem “abracadabrante” designam o que quer que sexa. Num sentido derivado, a semântica pode estudar a relaçón entre duas falas, ao pressupor que ambas se referem à mesma parcela da realidade. É o que se faz nos diccionários. Assim, por exemplo, quando explicamos que a palabra “taula” do catalán significa “mesa” estamos a estabelecer unha relaçón semântica entre o catalán e o português, pressupondo que tanto “taula” como “mesa” se referem ao mesmo tipo de obxecto (um tampo sobre três ou mais pés). Pode entón dizer-se que “taula” e “mesa” som semanticamente equivalentes. Ora, a tese da incomensurabilidade entre paradigmas afirma que, entre dous paradigmas rivais (entendendo os paradigmas como linguaxens num sentido lato), nem sempre se podem estabelecer tais equivalências semânticas. Non há um “diccionário” que “traduza” um paradigma no outro. Neste sentido, a tese da incomensurabilidade é unha tese semântica.

C. ULISES MOULINES

POETAS DA TERRA (FERMÍN BOUZA BREY)

DENDE O OUTO LARAÑO

Dende o outo Laraño

non é xa Compostela…

O ceo máis meus ollos

van cubertos de brétema.

Carballos outonizos

das lonxanas devesas,

acivros espiñentos,

fidels tolle-merendas,

que vivís apegados,

que sodes dos que quedan,

cando pase a rolada

de follas ventureiras,

mirai por si topades

meu corazón entre elas.

FERMÍN BOUZA BREY

KARL R. POPPER (A METAFÍSICA E OS POSITIVISTAS LÓXICOS)

Contudo, a respeito dos sistemas metafísicos do passado, Popper nunca teve unha actitude tán negativa como os seus amigos-inimigos do Círculo de Viena. A sua tese non é que tais sistemas constituam unha série de disparates, mas o facto de non serem científicos por non serem falsificáveis. No entanto, polo menos nalguns casos, podem desempenhar um papel positivo como fontes de inspiraçón de teorias posteriores xenuinamente científicas. Um exemplo histórico típico desta possibilidade é a doutrina do atomismo: quando os filósofos da Antiguidade formularom a teoria de que todos os corpos están constituídos por átomos, era impossíbel conceber experiências que a relutassem, e, por isso, representava unha doutrina metafísica. Porém, muito mais tarde, no início do século XIX, tornou-se unha fonte de inspiraçón para os químicos, que conseguiram conceber experiências para a porem à prova, polo que o atomismo alcançou, desta maneira, o estatuto de teoria científica. O grande inimigo dos “positivistas lóxicos” era a metafísica; por sua vez, para Popper, non era tanto a metafísica -que em alguns casos pode constituir um estímulo positivo para a ciência mesmo sem ser ela própria unha ciência- , como as doutrinas pseudocientíficas, que representavam o maior perigo para o espírito científico xenuíno. Para Popper, no século XX, as pseudociências tiveram infelizmente muita influência. Non se trata só de exemplos como a “astroloxía” ou o “espiritismo”, que qualquer pessoa medianamente informada pode desmascarar com facilidade; trata-se de doutrinas amplamente divulgadas, inclusive nos meios académicos, e que se apresentam sob unha roupaxem aparentemente científica. Segundo, Popper, os dous exemplos mais notórios som a “psicanálise” e o “marxismo”. Nem um nem outro som falsificáveis. Independentemente da forma como um indivíduo se comportar, o psicanalista verá sempre nesse comportamento unha proba da teoria psicanalítica da neurose, e aconteça o que acontecer no seio de unha determinada sociedade, o marxista verá sempre nisso unha incidência do princípio universal da luta de classes. Como non som falsificáveis, psicanálise e marxismo representam exemplos preeminentes de pseudociências, e, se formos intelectualmente honestos, devemos desmascará-los como tais. Com esta avaliaçón tán negativa da psicanálise e do marxismo, Popper, obviamente, ganhou um grande número de inimigos em todo o lado. Mas a isso, xá ele estava habituado.

C. ULISES MOULINES