
O jansenismo determinou a forma como Pascal entendia o home. Dele retirou a sua concepçón dramática do pecado orixinal, ou sexa, a ideia de que a natureza do home está corrompida desde o início e, consequentemente, a graça divina é indispensábel como única possibilidade de salvaçón. Mas, além disso, a sua ligaçón ao movimento jansenista de Port-Royal orixinou unha das suas obras mais conhecidas, as cartas “As Provinciais”. Pascal escrebeu As Provinciais entre 1656 e 1657. Som um total de dezanove cartas, embora a última tenha ficado inacabada, e com elas conseguiu difundir um debate que se estaba a verificar nas altas esferas da intelectualidade parisiense. Conseguiu-o graças ao seu estilo, e muitos consideram-no, por isso, o inventor do xénero panfletário. Em 1656, quando Pascal chegou a Port-Royal, mal lhe deram tempo para se instalar, pois precisaram dele logo de seguida. Os irmáns Arnauld informarom-no sobre a situaçón e pediram-lhe que tomasse partido a seu favor. Sabiam que a pluma do nosso filósofo podia ser unha arma decisiva neste confronto. Pascal decidiu entrar na disputa de imediato. A sua estratéxia seguiria a máxima de que a melhor defesa é um bom ataque, ao mesmo tempo que tomava unha decisón essencial para o desenvolvimento posterior da controvérsia: torná-la pública. Para tal, decidiu escreber unha série de cartas abertas com um estilo acessíbel e cativante. Pascal descartou o latim, reservado aos doutos, e optou polo francês. Também quis evitar os formalismos, procurando um tom adequado para conmover os leitores, despertar as suas emoçóns e obrigá-los a tomarem unha posiçón, Com este xesto, Pascal estabeleceu que o único xúri que debia derimir na disputa, lonxe do poder universitário, de Roma ou da monarquia absoluctista, era a opinión pública.
GONZALO MUÑOZ BARALLOBRE