DESCARTES (A LIGAÇÓN MERSENNE)

Como localizar Descartes, católico mas moderno, neste denso tabuleiro ideolóxico? Unha das chaves para o fazer é a sua relaçón, desde o início da década de 1620 (coincidindo com as suas viaxens), com Marin Mersenne, um xovem teólogo interessado por matemática que também tinha estudado em La Flèche e que gozava de um enorme prestíxio entre os seus correlixionários. O “padre Mersenne” punha em contacto epistolar e acolhia na sua casa de Paris os melhores matemáticos do seu tempo: Fermat, Gassendi, Roberval, Beaugrand, Descartes e a criança prodíxio Blaise Pascal (mais tarde, rival de Descartes no terreno filosófico). Na práctica, exercia um papel similar às actuais redes sociais e fóruns virtuais. Tal como Beeckman, estimulou Descartes nos seus trabalhos e manteve-o ao corrente dos avanços na “nova ciência” que se faziam na Europa (especialmente os de Galileu). Mas, talvez de forma mais importante ainda, informou-o acerca da postura oficial da Igrexa e defendeu-o de qualquer acusaçón de herexía. Se Mersenne se destacou por algunha cousa foi por tentar filtrar a nova física matemática de qualquer resquício esotérico de maxía, cabala ou alquimia. Por isso, tornou-se no flaxélo do pensamento renascentista que dava as suas últimas estocadas no alvor do século XVII (destaca-se, por exemplo, o seu feroz ataque contra Robert Fludd, um místico inglês que simpatizava com a seita “Rosa-cruz” e cuxos escritos Mersenne ridicularizou perante os olhos do público durante a década libertina. Descartes e Mersenne tinham unha opinión similar: a nova ciência era compatíbel com o catolicismo e debia inclusive ser promovida a partir dele a fim de separá-la de qualquer reducto obscurantista e heréctico. De certa forma, Mersenne era suficientemente intelixente para ver a necessidade de unha “Nova Aliança” entre a relixión e o conhecimento da natureza que substituísse o agonizante edifício tomista. Mas para que a Igrexa tolerasse esta nova concepçón “responsábel” da ciência, era necessário separar claramente a física da teoloxía, xustamente o que non acontecía no pensamento esotérico, no qual se misturava continuamente o natural com o sobrenatural (os factos com as intençóns) num retorno ao dinamismo e ao animismo antigos.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

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