Arquivos diarios: 15/05/2023

O RENTÁBEL OFÍCIO DE SER NEGRO

A memória é caprichosa; selectiva dirám algúns. Mas, toda a escolha tem muito de arbitrário. O segundo anûncio para “professor xovem de Latím”, quando o Villán saíu da entrevista dicendo “isto tem mala pinta”, recordou-me a primeira experiência catalanista, e esta, aos xogadores do Condal. “Áten-me ustedes esa mosca polo rabo”. Ao ouvir o Villán, pensei que malos “rollos” voltabam a politizar o meu Latím e subíu-se-me a sangre à cabeça. De todas formas tratei de non sacar conclusóns apresuradas. Ao Villán rodeába-o, de contínuo, um hermetismo que igual podía significar unha cousa que a sua contrária. Parecía galego e com el nunca sabías a que ater-te. Esperei, pois, para ver com os meus próprios olhos que sucedía. O que tinha posto o anûncio era o vivo retrato do “dómine Cabra” de “El Buscón”. Desde os cuévanos onde se sepultabam os seus olhos, saíam lûmes, e os peléxos da sua cabeira davam-lhe um ar de mómia. Como se padecera abstinência desde há séculos, era puro peléxo e ossos. O casaco e as calças bambaleávam-se sobre o fráxil cabide do seu esqueleto e non facía falta vento para tán violentas oscilaçóns, era unha radiografía de home, máns de pergaminho arrugado que parecíam garras. Certamente, aquilo non tinha boa pinta. Aquel andráxo de home, era frade exclaustrado, cousa que logo deixou clara, para reafirmar a sua sabedoría em latíns. Ainda que el non mo dixéra, eu xá o tinha adivinhado. Facía vida marital com unha monxa, também exclaustrada, com a que tinha enxendrádo meia dúzia de filhos; isto também mo explicou logo, suponho que para manifestar a sua moral contumaz e relápsa. Os enxendros andabam pola casa como diabinhos e diabésas. Acaso essa fecundidade, e o que parecía unha luxúria salvaxe cada vez que miraba à excomulgada, que o tinha tán esqueléctico. Depois de definir-se em latins e moral, perguntou-me polos meus fundamentos clássicos. Respondim-lhe em latim e a dúvida quedou resolvída no instânte. Depois, aquel lûme tembloroso indagou, se também sabía grego, história, literatura e de matemáticas? Em conxunto, salvo a lacerante ferída das matemáticas, o resultado da investigaçón foi satisfactório. De momento, non se me alcanzou, o sentido de tán plural examen, pois o anûncio de “La Vanguardia” estaba claro: “Se necesita profesor muy joven de latín”. Ao acabar o interrogatório, aquel espantalho temeroso díxo-me: -Muchacho, tu és o home. O trabalho é teu! O mesmo que me tinham dito meses atrás. Certamente aquilo non tinha boa pinta! Mas, estaba tán famínto que, em vez de pôr-me a pensar sobre possíbeis inconvenientes, perguntei com ansiedade indissimulada: -¿Quando comêço?

JAVIER VILLÁN E DAVID OURO

TALES O MILÉSIO (KOSMOS)

Embora o fenómeno pudesse ser vivido como sinal de mau agouro, non podia ser atribuído a um dragón que comera o Sol. De facto, ainda que non tenhamos mais do que um conhecimento parcial, a natureza nos corpos celestes, como a natureza à nossa volta, responde a unha necessidade intrínseca que se traduz em movimento dos astros, em emerxência de seres, em transformaçón ou em destruiçón. A natureza non é um conglomerado díspar sem princípio de organizaçón interna, polo contrário, a variedade das cousas da natureza constitui, um mundo, um “kosmos”, termo grego para designar a ordem. Atribuir à natureza um poderoso princípio de ordenaçón interna, libertar a natureza da arbitrariedade, além de outorgar a confiança para efectuar previsóns razoáveis, abre a porta a unha pergunta: quais som esses princípios? Tem de se enfatizar o facto de que a pergunta apenas tem sentido com base na exclusón das hipóteses míticas. Se a natureza estivesse submetida aos deuses como nos poemas de Homero, os princípios da regularidade agora contemplados poderiam ser substituídos. A procura de princípios firmes apenas tem sentido porque se pressupón que eles existem. E para nos cinxirmos a um exemplo: se alguém defende que unha determinada substância constitui um invariante universal que dá suporte à imensa diversidade dos fenómenos, é porque está convencido da necessidade de haber efectivamente um invariante universal. Observaçón que me dá a oportunidade de abordar o outro aspecto polo qual Tales de Mileto é conhecido e que nos aproximará da tese propriamente ontolóxica de Tales. Por mais impressionante que possa ter sido o cálculo da altura da pirâmide aos olhos dos sacerdotes exípcios, e por mais paralisados pola estupefaçón que tivessem ficado os combatentes perante a ocultaçón do Sol, as determinaçóns das quais se ocupa o Tales matemático non som de modo algum para ele a essência profunda das cousas. Nesta “luta de xigantes” pola explicaçón, haberá um momento em que a hipótese de que nos números, e em xeral nas determinaçóns matemáticas, as cousas naturais têm a sua verdade acabará efectivamente por abrir caminho, mas no momento em que estamos nem sequer fora formulada. Outros candidatos tenhem maior peso. O matemático Tales non está, no entanto, a “matematizar o universo”.

VÍCTOR GÓMEZ PIN