Arquivos mensuais: Febreiro 2023

O EXÉRCITO E A POLÍCIA, FORAM E CONTINUAM A SER AS FERRAMENTAS PARA A CIVILIZAÇÓN DAS COLÓNIAS.

Por outro lado, as colónias non estavam totalmente desertas, mas povoadas por indíxenas de tanga que por ali deambulavam. Non era fácil, pois, entender porque esse potencial exército de reserva era incapaz de entender ou de se submeter à “lei natural da oferta e da procura” de trabalho, unha lei que, por outro lado, na Europa parecia quase infalíbel (como non pode deixar de ser unha lei que se considera “natural”). Esta espécie de “cancro anticapitalista” que caracterizava as colónias apenas podia ser explicada por unha “falta de civilizaçón”. E sabemos muito bem que o exército e a polícia foram e continuam a ser as ferramentas para a civilizaçón das colónias. Pode ser que sim, para alguns economistas (mesmo sendo marxistas), mas ao Parlamento britânico nunca lhe tería ocorrido mandar um exército de professores iluminados entoar louvores sobre a lei do valor, o intercâmbio de equivalentes, o contracto social e a liberdade. Non é que tais personaxens faltassem na história, mas, em todo o caso, funcionavam melhor na rectaguarda de um exército que estava armado com canhóns e non com palabras. E, ainda assim, o que o senhor Peel se tinha esquecido non era de soldados, mas daquilo que os soldados tinham de fazer. É verdade que a diferença entre um soldado e um operário é que este último pode rescindir o seu contracto à vontade, enquanto um soldado pode ser fusilado por desertor. Mas o assunto non consiste em xulgar desertores, mas em os soldados serem eficazes no momento de xerar as condiçóns nas quais o capitalismo é possíbel, para o que, em primeiro lugar, é preciso conseguir que a lei da oferta e da procura de trabalho se tenha apropriado da realidade da colónia. Esta lei vigorava xá em Inglaterra com a mesma naturalidade com que existe hoxe no mundo da globalizaçón: basta um anúncio de trabalho no “Infojobs” (secçón “oferta de trabalho”) para que, no dia seguinte, qualquer senhor Peel tenha unha fila de desempregados a suplicar por unha “entrevista de trabalho”. Tal como caem as pedras, caem os trabalhadores sobre os postos de trabalho. E, no entanto, nas colónias isso só se conseguía através de recursos muito artificiais e bastante violentos. Os comentários de Rafael Sánchez Ferlósio ao “Ensaio Político sobre o Reino da Nova Espanha” de Alexander Humboldt podem servir-nos para termos unha ideia muito exacta dos termos do problema: A estadia de Alexander Humboldt em Nova Espanha, de quase um ano de duraçón, remonta aos alvores do culto ao “Deus Progresso”, pois decorreu entre os anos 1803 e 1804. (…) Falando da grande variedade de vexetais susceptíveis de elaboraçón industrial e comercializaçón que pôde observar em estado silvestre na Intendência de Veracruz, conclui: “Só esta intendência bastaría para vivificar o comércio do porto de Veracruz, se fosse maior o número de colonos e se a sua incúria, efeito da beneficência da natureza e da facilidade com que providenciam sem trabalho as primeiras necessidades da vida, non entorpecesse os progressos da indústria.” (Sánchez Ferlosio, “Mientras No Cambien los Dioses, Nada Ha Cambiado”)

CARLOS FERNÁNDEZ LIRIA

LITERATURA CLÁSSICA LATINA (OBRAS TÉCNICAS)

OBRAS TÉCNICAS DA PROSA LITERÁRIA

Unicamente o tipo de prosa menos pretenciosa está representada por unha obra que sobrevivéu mais ou menos completa. “De agri cultura”, de Catón, foi escrita alá polo 160 a. C. aproximadamente, quando Itália em conxunto começaba a recuperar-se dos piores efeitos das Guerras Púnicas e quando tinham lugar câmbios radicais no cultivo da terra. No breve prefácio ouvímos a voz didáctica de Catón, o estadista e orador; o seu propósito é didáctico e dirixe-se ao home com dinheiro para invertir. Depois de haber comparádo brevemente o proveito e a seguridade da agricultura, respeito do negócio bancário e comercial, e de ter recomendado a maneira de vida do agricultor, Catón parece dizer-nos: “Basta de eloquência, vamos agora às questóns de negócios.” No que segue temos mezcolança de princípios, notas, receitas, instruçóns e conselhos salteados com apotegmas. Catón non intenta um tratamento sistemático. A obra em conxunto carece do tipo de organizaçón estructural que encontramos imposta incluso artificialmente, ponhamos como exemplo nas “Res rusticae” de Varrón ou na anónima “Rhetorica ad Herennium (perto do 80 a. C.). É unha obra para submerxir-se nela, non para lê-la como um conxunto contínuo, e excepto em aparência, carece do carácter de um manual técnico grego, um xénero humilde mas bem estabelecido, ao que contribuíron os matemáticos, filósofos e “philologoi” helenísticos. Catón pode ser muito preciso dando quantidades para unha receita ou a fórmula máxica exacta para um ritual ou um ensalmo, mas quando trata de descreber unha prensa de azeite xá tem menos êxito, pois, ainda que dá dimensóns precisas das partes, omite a explicaçón adequada de todos os seus termos técnicos e non emprega, como podería tê-lo feito, diagramas com letras à maneira de um Arquímedes ou de um Filón Mecânico. Para nós e para xeraçóns posteriores de romanos, unha qualidade notábel do libro é a pintoresca impressón da personalidade do seu autor, a sua sinceridade provocadora (por exemplo, o seu conselho sobre como elexir e controlar a um administrador e que fazer com um escravo velho, os seus entusiasmos (por exemplo, polas couves como panacea.), a sua mistura de forte mundanidade e de crédula superstiçón, a sua actitude autoritária e o seu respeito polas “mores maiorum”. A falta de organizaçón formal podería explicar-se só até certo ponto como debída às vicisitudes de transmissón e interpolaçón que nos recorda de variádos modos as características da “satura” dos poetas. Esta era só unha das varias monografías ou tratados sobre temas prácticos de importância social que escrebeu Catón. Alguns deles estabam dirixidos como cartas mais ou menos abertas ao seu filho Catón Liciniano, nascido ao redor do ano 192 a. C.

E. J. KENNEY E W. V. CLAUSEN (EDS.)

HANNAH ARENDT (À NUDEZ DO SER HUMANO)

Os refuxiados e os apátridas encontravam-se sem direitos, visto non terem a protecçón e a garantia por parte de um Estado que os reconhecesse como suxeitos xurídicos. Diríamos que forom expulsos da esfera social e política para serem devolvidos ao mundo indiferenciado da natureza, “à nudez do ser humano”, segundo palabras de Arendt. Assim, non se tratava apenas de unha falta de direitos, mas igualmente da falta de unha identidade política e social, da falta de um mundo partilhado com os outros no qual pudessem ser reconhecidos como suxeitos plenos. A questón non era apenas “non terem documentos”, era “non contarem”, non aparecerem. É por isso que a falta de direitos afecta, na verdade, a própria condiçón humana, a possibilidade de realizar acçóns (palabras e actos, dirá Arendt), no espaço público. Neste sentido, as vestes que cobrem essa nudez do ser humano som os direitos, mas a que direitos se refere a autora? A sua crítica aos direitos humanos consagrados nas declaraçóns de direitos de finais do século XVIII debe ser entendida como unha afirmaçón de que a única forma de ter direitos é a partir da pertença a unha comunidade política, ou sexa, a um Estado. Apelar a direitos inherentes à pessoa pelo simples facto de ser pessoa non implica nenhuma obrigaçón por parte dos Estados. “Desde o começo”, afirma Hannah Arendt, “o paradoxo implícito na declaraçón de direitos humanos inalienáveis consistiu em que se referia a um ser humano “abstracto”, que parecia non existir em lado algum.” Os apátridas e os refuxiádos non tinham qualquer autoridade que os protexesse, nenhuma instituiçón que desexásse garantir os seus direitos. Os direitos humanos converteram-se num tipo de lei adicional, num direito de excepçón para aqueles que non tinham nada melhor a que recorrer. O direito a ter direitos refêre-se, assim, ao direito a pertencer a algunha comunidade político-xurídica, ao direito a ser reconhecido como cidadán de um Estado no qual se podem exercer os direitos de cidadania, ou, em termos actuais, o direito (moral) de poder exercer os direitos (xurídicos) individuais, políticos e sociais.

CRISTINA SÁNCHEZ

O TEMPO E A ALMA (5)

O PAI MINHO

Mais que unha fronteira, o rio Minho foi, na história, um factor constante de aglutinaçón. D. Adfonsus d’Hanrique considerava-se senhor das duas marxens, e só o desastre de Badajoz o obrigou a renunciar ao senhorio de Tui. Desde a Pré-História, o rio foi unha espécie de medula da Galiza, e é ele que explica a intensidade das sucessivas ocupaçóns humanas. Sem ser dos mais extensos, o rio Minho é dos mais ilustres rios ibéricos, e servíu de eixo à cristalizaçón humana e histórica da Galiza. Nas suas marxéns nasceram três grandes cidades romanas, que foram sedes de dioceses cristáns e ostentam templos monumentais: Vigo, Ourense e Tui. Só o Ebro se pode orgulhar de tanta nobreza. O rio, mais tarde adoptado como fronteira, foi estrada de acesso e caminho constante de civilizaçón. Foi a partir dele que sucessivos povos e culturas penetraram, se instalaram e se difundiram polos verdes vales. Como explicar portanto que, como nome de província, o topónimo Minho tenha ficado só do lado português? Talvez porque o rio non chega, no seu curso galego, a definir unha paisaxem própria. Três rios, os Medas, país de Valdeorras, som rexións naturais debruçadas sobre o Minho. A comarca ourensana, que podería ter sido um Minho, adoptou o nome da grande e milenária cidade que a domina. E xá no troço comum aos dous países, a marxem norte é um arrabalde de um quadro xeográfico muito mais espectacular, que domina toda a rexión: a profunda ria a que os nossos cancioneiros chamam o mar de Vigo. O destino histórico fez do rio, que foi a alma da Galiza, o marco da partilha que a dividiu e que servíu de escudo à independência portuguesa. E aí está dentro de nós, o que resta do castelo de Melgaço: unha muralha fechada e unha torre de menaxem que se ergue hoxe como um mirante pintoresco sobre um novelo de casario florido. Um documento de 1197 dá notícia de que el rei D. Sancho I concedeu carta de couto ao Mosteiro de Longos Vales, para assim remunerar o serviço que D. Pedro Pires, prior daquele mosteiro, fez ao rei edificando à sua custa a torre e fortaleza da vila de Melgaço. Depois disso hoube muitas reconstruçóns, como non podía deixar de ser. Unha lápida xunto da porta recorda que, em 1263, o Mestre Fernando consertou a muralha, por ordem real, e que o casteleiro do rei, Martinho Gonçalvez, fez um novo troço de muralha. Aí están três avatares esquecidos, dos que axudárom de maneira afectiva a construir Portugal: o prior Pedro Paulo, Mestre Fernando e o casteleiro Martinho Gonçalves.

JOSÉ HERMANO SARAIVA E JORGE BARROS

DAVID HUME (DIÁLOGOS SOBRE A RELIXIÓN NATURAL)

O ARGUMENTO DO DESÍGNIO NA FILOSOFIA DA RELIXIÓN E NAS CIÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS.

O efeito conxugado das críticas de Hume e do darwinismo, levou muita xente a pensar que o argumento do desígnio tería de ser definitivamente abandonado. Mas, nem todos pensam dessa maneira. Alguns reconhecem que a versón do argumento que Hume discute nos “Diálogos” e que William Paley apresenta em “Teoloxia Natural” quedou sériamente afectada por essas críticas, mas ou xulgam possíbel reformulá-las de maneira a evitar os seus efeitos ou xulgam haber factos que só podem ser explicados recorrendo à ideia de um criador intelixente. A versón do “argumento do desígnio” de Richard Swinburne é um exemplo do primeiro tipo e os “argumentos antrópico-teleolóxicos” e da “complexidade irreductíbel” som exemplos do segundo, Como o argumento do desígnio é de lonxe o principal tópico dos “Diálogos” e continua a estar no centro do debate em filosofia da relixión, iremos considerar brevemente algunhas dessas respostas.

A VERSÓN DE RICHARD SWINBURNE

Swinburne pensa que há dous tipos de ordem no universo: a “ordem espacial”, a que também chama regularidades de co-presença, e a “ordem temporal” ou , de sucessón, como as leis de Newton. A versón do argumento de Hume tem por base a complexidade dos obxectos naturais, sendo, por isso, um argumento que se baseia na ordem espacial. Darwin, ao mostrar como a complexidade dos organismos tem orixem nas forças cegas da natureza, embora non tenha destruído completamente esta versón do argumento, tornou-a, muito fraca. É, no entanto, possíbel construir unha versón muito mais forte -unha versón que non sexa afectada nem pela crítica de Hume nem pelo darwinismo- tendo por ponto de partida, non a ordem espacial, mas a ordem temporal. Como a existência deste segundo tipo de ordem é extraordinária, pois o universo poderia non obedecer a qualquer lei, é preciso explicar as leis da natureza, ou melhor, o facto de o universo se comportar de acordo com essas leis. Ora, a ciência non pode explicar estas regularidades, porque a explicaçón científica faz-se sempre por intermédio de outras leis da natureza e son precisamente essas leis que é preciso explicar. Portanto, ou as aceitamos como um facto bruto e inexplicábel ou temos de encontrar outro tipo de explicaçón. Swinburne pensa que existe outro tipo de explicaçón, a que chama unha explicaçón de tipo pessoal: Deus. Como Deus é a explicaçón mais simples -mais simples, por exemplo, que o universo, que tem muitas características que exigem explicaçón-, é, por isso, a explicaçón mais provábel

DAVID HUME

BREVE HISTÓRIA DE QUASE TUDO (15)

O PLANETA X

Unha pergunta que surxe naturalmente é: porque se demorou tanto tempo para descobrir unha lua no nosso próprio sistema solar? Por um lado, isso depende da direcçón para onde os astrónomos apontam os seus instrumentos, por outro, daquilo que esses instrumentos foram concebidos para detectar, e, por outro, por se tratar de Plutón, um planeta difícil. Mas a razón principal é a direcçón para onde eles apontam os instrumentos. Nas palabras do astrónomo Clark Chapman: “A maior parte das pessoas acha que os astrónomos ván lá para fora à noite e varren o céu com os seus telescópios. Non é verdade. A grande maioria dos telescópios que existem som feitos para espreitar unha parte ínfima do céu, localizada a unha distância infinita, a fim de detectar um quasar, procurar buracos negros ou observar unha galáxia distante. A única rede de telescópios que varre os céus de unha ponta à outra foi concebida e construída pelos militares.” As reproduçóns artísticas têm-nos levado a imaxinar unha clareza de resoluçón fotográfica que non existe na astronomia real. Na fotografía de Christy, Plutón aparece muito pouco nítido e desfocado -parece mais um borboto cósmico- e a sua lua non é aquele astro amigo, romanticamente iluminada por trás e rigorosamente delineada que poderíamos ver nunha pintura da National Geographic, mas apenas unha minúscula e indistinta suxestón de qualquer cousa muito desfocada ali ao lado. De tal maneira desfocada que, na realidade, decorreram sete anos até que alguém voltasse a detectar a lua, sendo assim confirmada a sua existência por unha segunda entidade. Um detalhe engraçado na descoberta de Christy foi ter acontecido em Flagstaff, xá que fora também aí que, em 1930, Plutón foi detectado pola primeira vez. Essa descoberta debe-se em grande parte ao astrónomo Percival Lowell. Lowell, orixinário de unha família tradicional e abastada de Boston (a que consta da famosa piáda que diz de Boston: a cidade do feixón e do bacalhau, em que os Lowells só falam com os Cabots, enquanto os Cabots só falam com Deus), legou o famoso observatório com o seu nome, mas ficou para sempre conhecido pela sua crença de que Marte estaba coberto de canais construídos por dilixentes marcianos com o obxectivo de escoar água das rexións polares para as terras secas mas productivas mais próximas do equador. Outra das convicçóns de Lowell era que existia, algures para lá de Neptuno, um noveno planeta ainda por descobrir, a que chamou “planeta X”. Baseou esta afirmaçón em irregularidades detectadas nas órbitas de Urano e Neptuno, e dedicou os últimos anos da sua vida a tentar encontrar um “xigante gasoso” que tinha a certeza de se encontrar por esses lugares. Infelizmente, morreu subitamente em 1916, parcialmente esgotado pola sua procura, e a investigaçón caíu no esquecimento.

BILL BRYSON

NICOLAUS MACHIAVELLI (IL PADRINO)

Corria o ano de 1478. Naquele momento, o governo de Florença estaba nas máns de Lourenço de Medici, um príncipe “magnífico”, mas um péssimo banqueiro. Lourenço neglixenciou os negócios em prol da arte, e a inexorábel concorrência na banca reforçou-se ao ponto de os Pazzi se tornarem banqueiros e validos do papa. E, como acontece com regularidade, os Pazzi planearam chegar também ao governo de Florença, aproveitando o apoio de Sua Santidade. A forma escolhida para dar o golpe de Estado é unha proba da brutalidade do período e non destoaria dunha hipotéctica quarta parte de “O Padrinho”. A conxura dos Pazzi pretendía assassinar Lourenço de Medici e o seu irmán Juliano na catedral de Santa Maria del Fiore, durante a missa de domingo de Páscoa. O magnicídio debía acontecer precisamente ao sinal combinado. Coordenadamente, no momento em que o pároco se preparaba para elevar a hóstia durante a consagraçón, vários dos homes dos Pazzi, incluindo um sacerdote, puxaram das suas adagas e começaram a apunhalar os Medici. A crueldade dos atacantes foi tal que um deles desferíu um golpe… na própria perna! O rebuliço que se seguíu precedeu ó assombro xeral. Rapidamente se verificou que o ferido mais grave era o irmán do Magnífico, Juliano, apunhalado dezanove vezes até à morte. Em contrapartida, Lourenço conseguíu escapar com feridas de menor gravidade graças, sobretudo, à axuda prestada por um amigo poeta, exímio com a espada tal como com a pluma. À mesma hora em que isto acontecía na igrexa, o arcebispo de Pisa, de conluio com os Pazzi, tentava assaltar o poder do Palazzo Vecchio, sede da “Signoria”. Mas o levantamento fracassou e os conspiradores forom executados. O mesmo arcebispo acabou pendurado nunha das xanelas do palácio, ataviádo com o seu hábito relixioso, enquanto o velho Francisco de Pazzi foi arroxado por outra das xanelas, igualmente atado a unha corda. Os restantes conspiradores forom linchados, arrastados e mutilados por unha multidón enfurecida, que protagonizou unha violenta reaçón em massa a favor dos Medici. Como resultado, Lourenço de Medici continuou no poder e reaxíu endurecendo as suas políticas. Só a terríbel purga dos Pazzi custou quase unha centena de vidas.

IGNACIO ITURRALDE BLANCO

GALIZA PARA COMÊLA (EMPANADA)

INGREDIENTES:

Farinha, Lévedo, Ovos, Auga, Azeite, Azafrán, Pimenta, Sal, Cebola, Pimento morrón, Carne ou Peixe ou Marisco …

RECEITA:

Para elaborar a masa, há que poñer a farinha nunha perola e engadirlle auga morna na que se desfan previamente lévedo, sal e fariña -e, no caso de querer enriquecela, dous ovos batidos- Hai que amasar ben esta mestura ata conseguir a consistencia axeitada (nin moi líquida nin sólida), axudándo-se para iso dun chorro de graxa derretida ou azeite. Hai que deixar levedar a masa unhas horas -mellor se é unha noite enteira- para que aumente de volume e volver amasala pasado ese tempo. Chegado o momento de fazer a empanada, córtase a cebola e o pemento morrón, e bótanse nunha tixola posta ó lume con graxa ou aceite quente. Cando comezan a dourarse engádese a pementa, o azafrán e o ingrediente elixido, a ser posible picado ou esmiuzado -no caso do bacallao, anguía, lamprea, xamón, chourizo, raxo, coello, galiña…- , ou enteiro se polo seu tamaño e consistencia non se estraga ó movelo na tixola -é o caso dos berberechos, o polbo, as zamburiñas…-; e revólvese esta mestura (a zarangallada) durante uns segundos. Se o ingrediente principal, pola contra, debe ir necesariamente enteiro -como ocorre coas xoubas-, aínda que non sexa máis que por unha cuestión estética, entón apágase o lume, xa que este se engadirá ó final. Mentres o recheo enfría, hai que poñer unha pouca fariña nunha superfície lisa para estirar a masa, xa levedada, e que non se pegue. Antes amasábase na artesa, pero hoxe en día conformarémonos coa encimeira ou coa mesa da cociña. Repártese a masa en dúas, cóllese unha das metades e, poñendoas sobre a superfície enfariñada, coa axuda dunha vella botella ou dun rolo de madeira, estírase ata que forme unha lámina delgada. Antigamente a base sobre a que cocía a empanada eran unhas follas de verza: tantas como masa se puidera facer, que normalmente era menos do que a un lle gostaría. Coa primeira lámina de masa, que é a que vai conformar a base da empanada, procédese a poñerlle por riba o recheo no caso de que xa o teñamos todo mesturado. Se o ingrediente principal aínda está esperando, primeiro bótase o aceite coa cebola, o allo e o pemento, e logo o recheo principal, con coidado de que quede ben repartido. Repítese o proceso de estirar a masa coa segunda lámina, coa que se cubrirá a base e mais o recheo, retorcendo un pouco os bordos de ambas as capas para que quede ben selado e enroscado o conxunto. Sen embargo, no centro da tapa superior adoita deixarse un burato por onde, ademais de “respirar”, se pode engadir prebe sobrante ou sofrito se chegase a necesitalo. Tamén se pica cun garfo varias veces para o mesmo efeito. A decoración desa capa constaba xeralmente de tiras de masa cruzadas conformando un enreixado pouco tupido. Agora xa está lista para ir ó forno e non queda máis que engadir para retocar a cor a media cocción. Para iso faise unha mestura de xemas de ovo batidas e auga, úntase con ela un pincel de cociña (antigamente facíase coa pluma dunha galiña ou un trapo branco) e a masa recibe unhas pinceladas coas que adquire unha tonalidade brillante. Pero nos casos menos afortunados non se pensaba sequera en dar lustre, xa que o ingrediente principal non podía ser máis que cebola ou, en todo caso, patacas e algo de touciño que sobrara dunha comida anterior.

VARIANTES

Segundo sinala Álvaro Cunqueiro, agás as ostras e as ameixas, practicamente todo o que corre, nada ou voa, e que pode ir tamén á cazola, halle sentar ben a unha empanada. E mellor ós comensais. Por iso é inesgotable a nómina de variantes deste prato segundo o elemento principal elixido ou a mestura de distintos ingredientes. Que non queden por mencionar algunhas das “delicatessen”: as de anguías de Ourense ou da Terra Chá lucense, as de xoubas de Sada ou as de sardiñas de Porto do Son, as de berberechos e vieiras das Rías Baixas, a de Congro nas Mariñas lucenses ou as de lamprea de Caldas de Reis ou Tui, por exemplo. Por suposto, as variantes tamén derivan do tipo de masa empregada, que cada vez admite posibilidades máis sofisticadas, como o follado.

GALICIA PARA COMELA (HÉRCULES DE EDICIONES S. A.)

BERGSON (MULTIVERSO EXUBERANTE)

Embora actualmente tendamos a opor a filosofia anglo-saxónica à europeia, há non muito tempo o pensamento norte-americano e o francês apareceram irmanados em James e Bergson. “Se non tivesse lido Bergson, continuaria provavelmente enclausurado a amontoar infindáveis folhas de papel”, escreve James em “Um Universo Pluralista”. A confluência produziu-se no âmbito da filosofia pragmatista, a linha de pensamento dominante nos Estados Unidos. De um ponto de vista filosófico, o pragmatismo defende que, para funcionarem e se desenvolverem bem, as pessoas necessitam de liberdade face às relaçóns entre meios e fins. Mais profundamente, proclama que a verdade se constrói através da acçón: “todo o fazer é um inventar”. Para James, a emoçón e a sensaçón, habitualmente menosprezadas pelo racionalismo, desempenham um papel essencial neste processo. Com as suas diferênças, Bergson e James deram unha base metafísica ao seu pragmatismo: as verdades som relativas às nossas necessidades (non debe perguntar-se “porquê?”, mas “funciona?”), contudo, a realidade da qual se extraem pode, apesar de tudo, suxerir ao filósofo unha verdade mais profunda, esta, sim, absolucta e exaustiva: a sua plasticidade serve para a criaçón contínua de novidade num universo pluralista, nem finito nem infinito, mas indefinido (James criou em 1895 o termo “multiverso”, que depois sería usado pelos astrofísicos noutro contexto). Neste enquadramento, a utilidade é um instrumento de “negociaçón” com a matéria ao qual debemos ater-nos, mas pelas suas frestas non deixa de penetrar algo que a ultrapassa. A “realidade” non se esgota nas suas “verdades”, pelo que a verdade está sempre por decidir.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

LITERATURA CLÁSSICA GREGA (ESTESÍCORO)

ESTESÍCORO

Estesícoro de Hímera, considerado na Antiguidade o sucesor de Alcmán dentro da lírica, é especialmente conhecido pola sua remodelaçón dos temas épicos em metros líricos. Nesta narraçón lírica extendida, Estesícoro non foi ao parecer único. Sácadas de Argos, que escrebeu em Esparta a finais do século VII a. C., compuxo um “Saqueo de Troia” com mais detalhe ainda que Estesícoro. Xanto de Lidia, outro predecesor bastante obscuro de Estesícoro, compuxo unha “Orestíada”, que puido ter influênça sobre este último. A popularidade dos temas míticos nos xarróns contemporâneos é paralela a este interesse em amoldar os mitos a novas formas mais vivas. As areias exípcias e a paciente habilidade dos papirólogos elevaron espectacularmente o nosso conhecimento da poesía de Estesícoro. Uns papiros recentemente publicados, adxuntaron à nossa bagáxem dos “Nostoi” a “Palinodia a Helena”, a “Orestía” e a “Caza do Xabalí de Calidón; e os últimos dez anos viron a apariçón de fragmentos importantes da “Xerioneida”, o “Saqueo de Troia”, a “Erífile”, e talvez o mais importante, um poema desconhecido até entón sobre a sorte da casa de Edipo e a luta de Polinices e Eteocles. Estes novos descobrimentos derom razón ao alto valor que os antigos críticos concedíam à obra de Estesícoro, confirmarom o seu papel como vínculo entre a narrativa épica e lírica, e probado a sua importância na representaçón dos mitos na arte do século VI. É necesária, non obstânte, certa cautela. Non há unanimidade absolucta sobre que todos os novos fragmentos troianos e tebanos pertençam a Estesícoro. Em especial alguns rasgos métricos do papiro “Lille” diférem da práctica probada de Estesícoro. A matéria temática e o estilo proporcionam um alto gráu de probabilidade, mas nunca certeza absolucta. A tradiçón biográfica dá como datas para Estesícoro 632/29-556/53 a. C., tornando-se contemporâneo aproximado de Safo e Alceo e unha xeraçón posterior a Alcmán. Está relacionado tanto com Matauro de Locros no sul da Itália como com Hímera na Sicilia, e afirma-se que foi enterrado em Catânia, onde a sua tumba foi muito celebrada arquitectônicamente. A maioría dos escritores antigos relacionam-no com Hímera, mas também com Matauro que tinha essa mistura de dórico e Xónico, tanto na fala como na literatura, que marca a sua poesía. A sincronía da sua morte com o nascimento de Simónides (556-53 a. C.) pode considerar-se significativa de unha divisón importânte entre os estilos velho e novo. Simónides mesmo cita a Estesícoro como autoridade estabelecida, à altura de Homero. Éupolis, nos “Hilotas” (424 a. C.), une os cantos de Estesícoro com os de Alcmán e Simónides como “velhos”. Os novos fragmentos probam a importância de Estesícoro para o desarrolho da narrativa lírica extensa em Baquílides e para as odes de Píndaro, como a “Pítica”. Os seus poemas, parece, eram probabelmente mais pausados nos seus movimentos e mais chegados à corrente épica que às técnicas altamente selectivas da lírica de finais do século VI e princípios do V a.C. Os novos textos também prantexam um problema importânte. ¿Como se cantavam e executavam estes poemas? ¿Eram corais? A “Xerioneida”, por exemplo, debeu de ter polo menos 1.500 versos, o qual a faría três vezes e meia mais larga que a quarta “Pítica” de Píndaro, a ode coral mais larga que se conserva. Esta obra, nunha estimaçón aproximada, requeriría polo menos quatro horas para a sua representaçón, mais tempo do que um coro puidéra dançar em boa lóxica. A liberdade e a flexibilidade do metro, suxérem que Estesícoro cantaba estes poemas com a sua própria lira, sem acompanhamento coral. Esta poesía, herdeira da recitaçón épica ou rapsódica, é chamada “citárica”. À diferênça da obra do rapsóda, é unha composiçón orixinal; a diferênça da do monodista, é narrativa e longa, non pessoal e tampouco breve. “O Saqueo de Troia” de Sácadas e “A Orestía” de Xanto, mencionadas “supra”, probabelmente están dentro da mesma categoría.

P. E. EASTERLING E B. M. W. KNOX (EDS.)

ESPINOSA (O VERDADEIRO BEM)

Habendo-me a experiência ensinado que, tudo quanto na vida corrente sucede é com frequência vano e fútil. E tendo eu observado que nada do que directa ou indirectamente me provocava temor, era em si mesmo bom ou mau, a non ser enquanto afectava o espírito. Decidí, por fim, inquirir se habería algo que constituísse o verdadeiro bem? Susceptíbel de se comunicar, e pelo qual exclusivamente, rexeitando tudo o mais, o ânimo fosse afectado mais ainda. Se habería algo que, unha vez encontrado e adquirido, proporcionasse a fruiçón eterna da suprema e contínua alegria? Digo que “decidi por fim”, porque, à primeira vista, parecía despropositado querer renunciar ao certo polo ainda incerto. Via, é certo, as vantaxens que as honras e riquezas nos alcançam e de cuxa demanda me sería forçoso desistir se quisesse empenhar-me sériamente neste novo empreendimento e se a felicidade suprema nela se contivesse. Via nitidamente que eu tería de ficar dela privado; e se, pelo contrário, nelas non residisse, e eu as procurasse de modo exclusivo, ficaria igualmente privado da felicidade suprema. Inquietava-se, entón, a minha alma, sobre a possibilidade de realizar o novo empreendimento ou de, ao menos, atinxir a certeza a seu respeito, sem alterar a ordem e a conducta comum da minha vida – o que em ván repetidamente tentei. Na verdade, o que mais frequentemente sucede na vida e se considera como bem supremo entre os homes -como das suas acçóns se pode depreender- resume-se a três cousas: riquezas, honras e prazer sensual. Por elas de tal modo se dispersa a mente que mal pode pensar em qualquer outro bem.

JOAN SOLÉ

A FILHA PRÓDIGA E O CIRCO DA DIREITA (III)

Ponteareas é un gran concello, dos máis importantes do noso país, que se merece ter unha dereita seria, preparada e solvente, aínda que sexa na oposición. Ponteareas e a veciñanza de ideario conservador merecen un candidato ou candidata que o sexa por méritos propios e non por ser quen é ou de quen ven sendo; un lider ou lideresa que saíra adiante na vida co seu esforzo e capacidade profesional como traballador, autónomo ou empresario e non a conta de postos políticos conseguidos a dedo para vivir toda a vida da sopa boba da política, parasitando a cousa pública; un ou unha dirixente competente e, polo tanto, capaz, cando menos, de articular unha intervención pública ou unhas declaracións aos medios de comunicación cuns estándares mínimos de calidade. Ponteareas merécese que a alternativa conservadora estea liderada por alguén que, se perde as eleccións, non abandone aos seus votantes para recolocarse en confortabeis despachos da Xunta; por alguén que teña feito na súa vida algo por Ponteareas en lugar de ter vivido a conta de Ponteareas; por alguén que teña feito na súa vida algo pola xente, aínda que sexa nunha comunidade de montes, nunha traida veciñal, nunha casa cultural ou nun club deportivo. En definitiva, por alguén que chegue a esa responsabilidade como resultado da meritocracia e non do nepotismo. Hai quen pensa, e axiña o veremos, que o marketing político pode converter a noite no día e trasformar a maior das incapacidades nun exemplo de gran xestión. Como Alcaldesa de Ponteareas, entre 2000 e 2003, a agora candidata do PP, dende a súa defensa de Puenteareas e a súa negativa a retirar o busto de Franco da Praza Maior, acelerou a desfeita urbanística con licenzas para ducias de edificios anuladas polos tribunais, provocou ordes de derrubo de instalacións de empresas, inaugurou a máis grave etapa de parálise da historia de Ponteareas coa suspensión das normas urbanísticas e protagonizou nos anos seguintes a división e confrontación dentro daqueles desgobernos municipais que, coas súas liortas, tiveron empantanada a Ponteareas até 2015. E iso non hai marketing que poida borralo da memoria colectiva do noso pobo. Todo ese electorado conservador que agardaba do PP unha proposta electoral de altura, hoxe séntese defraudado, estafado e enganado, pero non está orfo. E non está orfo porque as vindeiras eleccións son municipais, os comicios nos que, por enriba de todo, se vota ás persoas. Esa será a mellor oportunidade para que a súa decepción e o seu desengano se transformen en ilusión, deixando a un lado as diferenzas ideolóxicas e dando o apoio con decisión a aqueles que nestes últimos oito anos demostraron á fronte do Concello, traballo, dedicaçión e esforzo dende a honradez; capacidade de xestión e grandes logros históricos dende a humildade; espíritu de superación fronte a unha terríbel pandemia e o falecemento dun alcalde inesquecíbel e, ante todo, amor e entrega a Ponteareas e á súa veciñanza.

ROBERTO MERA COVAS

ROUSSEAU (INVENTAR UNHA FALA)

Nos “Esboços das Confissóns”, Rousseau declara ter-se visto compelido a “inventar unha linguaxem”, ao questionar-se sobre o tom e o estilo adequados “para destrinçar este caos de sentimentos tán diversos, tán contradictórios, frequentemente tán vis e algunhas vezes tán sublimes polos quais fui incessantemente perturbado (…) Direi cada cousa como a sinto, como a vexo. Ao entregar-me ao mesmo tempo à lembrança da impressón recebida e ao sentimento presente, pintarei duplamente o estado da minha alma, isto é, no momento em que o facto aconteceu e no momento em que o descrevi”. Como assinala Jean Starobinski em “Jean-Jacques Rousseau, A Transparência e o Obstáculo”, “a perspectiva parte agora do instante presente. O presente governa o espaço retrospectivo em vez de ser esmagado por ele. Rousseau descobre que o passado se produz e se axita em si, no surximento de unha emoçón “actual”… só aqui se mede toda a novidade que contém a obra de Rousseau. A linguaxem converteu-se no lugar de unha experiência imediata, enquanto continua a ser o instrumento de unha mediaçón; pode dizer-se que foi o primeiro a viver de um modo exemplar o perigoso pacto do eu com a linguaxem: a “nova aliança” na qual o homem se torna verbo”. O lexislador de “O Contracto Social” também tem de inventar unha linguaxem para falar ao povo, xá que as visóns xerais están demasiado fora do seu alcance e dificilmente percebe as vantaxens trazidas polas contínuas privaçóns que impôem as boas leis. Para que um povo nascente pudesse entender as salutares máximas da política e seguir as regras fundamentais da razón do Estado, sería indispensábel que o efeito pudesse tornar-se a causa e que “fossem os homes, antes das leis, o que devem ser graças a elas”. Por isso, no decurso da história, os lexisladores tiveram de traduzir as suas pretensóns para outra linguaxem e fizeram falar unha autoridade divina a fim de arrastar quem non era possíbel mover mediante a prudência humana; mas, naturalmente, “non cabe a todos os homes fazer falar os deuses nem que acreditem nele quando se anuncia como seu intérprete”.

ROBERTO R. ARAMAYO

GALLEIRA (31)

RESTOS DE UM CULTO FÁLICO

H. Martin menciona os de “Plouharzel” e a rocha denominada “Men-ar-Dragon”. Também em Portugal, sobre tudo naquela parte que cai dentro do antigo Convento Bracarense, encontramos tán especial superstiçón. Leite Vasconcelos, (Trad. populares de Portugal), fala de unha pedra na Serra de Santo Domíngos, perto de Lamego, que ainda conserva este prestíxio a olhos dos camponêses. Rialle, “La Mythologie comparée”, toma todas estas costûmes e as que se lhes parecem ou com elas se relacionam, como manifestaçóns do antigo culto fálico. Com este motivo recorda o “menhir” de “Bourg d’Oneil”, ao qual se abrazam as mulheres estéreis para ser fecundadas. Afirma que nos Pirineos encontra-se a pedra de “Pourbeau”, a cuxo abrigo tenhem lugar escenas relativas ao matrimónio, e entorno da qual Terça Feira de Carnaval se executam certas danças pouco conformes com o pudor. A costûmes análogas debe referír-se unha especial cançón portuguesa citada por Vasconcellos: Tres voltas dei ao penedo/ Para namorar José:/ Namorei-o em tres dias,/ Valeu-me á min dar ao pé. Esta virtude de proporcionar às moças portuguesas o noivo que desexam, non é a única virtude que albergam os penedos, há outras muitas mais a que a tradiçón popular oferta as suas simpatias. Há também outras que fán que acuda aos peitos da mulher, quando carece del, o leite que necesita para criar os seus filhos. Ora, ofertan um felíz alumbramento às que se encontram em estado interesante, ou indicam às doncelas que as interrogam o tempo que tardarám em casar-se. Como se vê, todas as superstiçóns unidas a estas pedras milagreiras, e que están relacionadas com o matrimónio e a fecundidade: poderám ser consideradas como restos de um culto fálico. Na Galiza som muito abundantes, non só as penas milagreiras, senón também xurídicas, com o qual podería probar-se facilmente, que para os nossos antepassados forom simbólicas; pedras consagradas polo uso para estas ou aquelas cerimónias relixiosas (ou como marcos territoriais). Conta Villemarqué (Barzas-Breiz) que na Bretanha dos tempos médios o Reitor da aldeia bendecía o leito dos desposados, estando eles sentados ou deitados nele, “sedentes vel jacentes in lecto suo”, como marcaba o ritual. Ao mesmo tempo pedía aos céus baixar sobre os esposos todos os dons do universo, principalmente o da fecundidade. Esta costûme, púido existir também em muitos lugares da Galiza, onde em tempos medievais, non se dava por sancionado o matrimónio mentras os esposos non se deitavam no leito nupcial.

MANUEL MURGUÍA

PLOTINO (AS ENÉADAS)

Mençón à parte merece a sua maneira de elaborar os tratados que vemos nas “Enéadas”: segundo relatam os que lhe eram próximos, reflectia sem tomar notas de qualquer tipo, e apenas quando via a questón perfeitamente clara começava a escrever como um possesso, qual amanuense copiando de um orixinal, até o tratado estar completo. Isto traduz-se nunha filosofia que, como notou Bréhier, tem sempre a totalidade do sistema em mente, em vez de ir atravessando as suas divisóns ordenadamente, o que dá ao texto unha aparência de desordem, mas é na verdade um sinal de máxima clareza, pois nenhuma parte se desliga do resto. Tem-se, de facto, a impressón de que Plotino pretende dizer tudo ao mesmo tempo e de que encontrará o todo onde quer que procure. Como escritor, Plotino caracterizou-se também pola sua densidade ou “breviloquentia”, um traço típico de grandes filósofos gregos (face à redundância dos latinos), e pola sua exaltaçón entusiasta das doutrinas que cita, o que, em conxunto, o leva a alcançar unha qualidade literária que se aproxima à do próprio Platón. A norma, em todo o caso (a ordem, ou melhor “desordem”, da exposiçón), costuma ser unha espécie de diálogo do mestre consigo mesmo a propósito de um texto clássico de Platón, Aristóteles ou dos estoicos. No seu diálogo finxido, vai sendo assaltado por todo o tipo de obxeçóns, perguntas, réplicas e contrarréplicas (algunhas delas tomadas a outros críticos e autores, embora Plotino xamais os nomeie, o que torna o texto difícil e sexa premente distinguir estas teses das do próprio autor) que ván estreitando cada vez mais a questón até chegar ao ponto em que a verdade suprassensíbel se torna evidente. Precisamente nesse momento, prefere o exemplo ao raciocínio. É o famoso uso plotiniano das imaxens sensíbeis para descrever o intelixíbel. Um uso que, segundo muitos estudiosos, non tem paralelo na língua grega. Trata-se de unha seleçón de imaxens que lonxe de serem trazidas ao acaso, por pura inspiraçón momentânea, regressam continuamente ao longo dos escritos, e com as quais o autor mantinha unha longa relaçón: o primeiro princípio representado pola fonte (ou chorro) de luz, a seiva da árbore como a vida universal que mantém todo o existente unido, o escultor para figurar a tarefa do sábio de despoxar-se do supérfluo (“non deixes de esculpir a tua própria estátua”), etc… Depois de escritos, por outro lado, os tratados non eram sequer revistos por Plotino, para horror dos seus esudantes, que teríam de aprender a descifrar a sua obscura letra, que piorava debido aos seus problemas de visón. Foram os seus alunos, e principalmente. Porfírio, a fazer o papel de editores, incluíndo a separaçón e correçón ortográfica de palabras, sinais de pontuaçón e estructura do texto. Porfírio demonstrou unha perícia e um rigor notavelmente modernos nesta taréfa, titulando, resumindo, argumentando e anotando os seus escritos (hoxe em dia, infelizmente, estes trabalhos de ediçón confundem-se com o orixinal, embora um leitor atento consiga distingui-los). Nem Platón nem Aristóteles tiveram um editor com a importância de Porfírio. Isso demonstra que, na época alexandrina, os pensadores tinham unha noçón da importância do cuidado rigoroso dos textos, o que torna ainda mais frustrante o facto de se ter perdido practicamente todo esse saber.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO