Arquivos diarios: 25/11/2022

¡¡ QUE NADA SE SABE !! (55)

Há, finalmente, muitas cousas que, em parte, chegan a el a través dos sentidos e, em parte, som produzidas por el. De ningún modo pode ser captada polos sentidos a natureza do cán ou do imán, pois chega ao espírito a través dos sentidos revestida de cor, tamanho e figura. O espírito despoxa-a dos accidentes: examina o que queda, dá-lhe voltas e compára-o, para acabar fabricando-se, dentro das suas possibilidades, unha certa natureza comúm. Esses filósofos pretendem meter-me na cabeza que há intelixências nos ceus. Escuto o que dizem, mas non o entendo, por mais que me invento algunha ficçón que me axude a compreendê-lo. O ar percêbo-o de unha maneira ou outra mediante o tacto, mas na realidade non conta com ningunha imaxem na minha mente, a non ser a que eu me tinha inventado de um certo corpo quase incorpóreo, um non sei que. Da mesma maneira penso o vacío. Compreendo o infinito deixando sempre o fim fora da compreensón, mas vêxo-me obrigado a detêr-me em plena meditaçón do infinito, ao pensar que o infinito é aquilo que, por mais que indefinidamente xunte e imaxine indefinidamente, nunca alcanzarei a delimitar mediante a aprehensón; assím fabrico-me unha espécie certamente acabada, ainda que ningúm dos seus dois extremos esté terminado nem acabado, senón quase incompleto, no sentido de que nem están terminados nem poderám está-lo, xá que se lhe podem xuntar durante a eternidade infinitas partes por ambos extremos. ¿Qué vamos fazer? Resulta triste a nossa condiçón: a plena luz andamos a cegas. A miúdo pensei na luz, e sempre a deixei sem acabar de pensar, nem de conhecê-la nem de compreendê-la. O mesmo acontece se nos dedicamos a contemplar a “vontade”, o entendimento e outras cousas que non se percebem polos sentidos. Certamente estou seguro de que agora penso o que escrebo, de que quero escrebê-lo, de que desexo que sexa verdade e que tú o aprobes, por mais que isto último non me preocupa demasiado. Mas quando me esforço em considerar que sexa este pensamento, este querer, este desexar, este non preocupar-se, em verdade que o pensamento falha, frustra-se a “vontade”, acrésce o desexo, aumenta a preocupaçón. Non vexo nada que poida captar ou aprehender. Neste aspecto, realmente o conhecimento que do externo se tem polos sentidos supera ao que sem eles se logra do interno, pois no primeiro o entendimento tem algo que captar, a saber, a Figura de um home. de unha pedra, de unha árbore, figura que sacou dos sentidos, e lhe parece compreender ao home mediante unha imaxem del. Em cambio, no conhecimento que se tem do interno, non encontra nada que poida compreender; anda de um lado para outro, a tentas como os cegos, intentando quedar-se com algo. E non pode fazer mais.

FRANCISCO SÁNCHEZ