
CONTOS DE UNHA XUVENTUDE ENLUTADA
A MINHA HISTÓRIA CNA (CAPÍTULO 4)
Nao sei como seria classificado hoje este professor, mas, calculo. Sei que nao daria aulas a nao ser que existisse alguma escola num buraco escondido da montanha mais montanha imaginada. Sei que todos sabem de quem falo sem o ter mencionado: Dete-Dete. Professor de inglês; açoriano e herói de Coimbra. É um professor indiscritível e fartamente adjectivável. Cruel chicoteador. Insensível à dor de uma criança. Em si era uma figura bizarra; cilíndrico. Tinha a poupa espigada que lhe emprestava um ar avesso. O professor mais detestável que conheci. Nao me recordo o motivo que gerou a nossa mútua aversao. No entanto, sei que uma semana depois de ter aulas com ele já sentia aversao. Penso que nunca me tocou. Mas, vi-o tocar e retocar a cara e o corpo de mais de um colega. E nao era um estalo, nao … Eram estalos; eram pauladas; era violência extrema. Era violência psicológica. Se a ancestral Universidade de Coimbra produzia este tipo de professores, Coimbra como Universidade, viveu uma época de interregno. Se lhe conto aos meus filhos ou a um jovem desta época como era este professor, perguntar-me-á: -Que bebeste ao almoço?.. Responder-lhe-ei: Nada; entao, o jovem rir-se-á de mim. Se por ventura é um jovem espanhol que sabe que estudei em escolas privadas; dir-me-á: “y tus padres te mandarom a un colégio de pago para que te dieran mamporros?..” Felizmente, hoxe, já nao existe este tipo de professor. Vamos melhorando.
JOSÉ LUÍS MONTERO