
A HIPÓTESE NEO-EPICURISTA OU MATERIALISTA
Para explicar a orixem do universo, todas as hipóteses, mesmo as mais absurdas, desde que consistentes com a experiência, parecem probábeis. É esse, por exemplo, o caso da hipótese epicurista, desde que sofra algunhas alteraçóns. Segundo esta hipótese, que Hume afirma ser considerada com razón a mais absurda algunha vez proposta, a matéria e o tempo som infinitos e tudo o que existe tem orixem em causas estrictamente mecânicas. Mas, se em vez de se considerar a matéria infinita, como fez Epicuro, se supuser que é finita – de modo a que nunha duraçón eterna a mesma ordem e organizaçón das partículas que a componhem possa ocorrer várias vezes – e dotada de movimento próprio, esta hipótese torna-se credível, porque explica igualmente bem a ordem do mundo e o aparente axustamento dos meios aos fins, mesmo nos seres vivos, sem fazer intervir qualquer forma de desígnio. Nos “Diálogos” esta hipótese é usada por Fílon apenas para mostrar a fraqueza do argumento do desígnio e para xustificar a sua suspensón do xuízo, unha vez que, como diz, é tán probábel quanto a hipótese teísta. Mas, com Darwin, as cousas mudam de figura. Logo veremos porquê.
DAVID HUME