HEIDEGGER (ONTOLOXIA FUNDAMENTAL)

A leitura que aqui se propón embate de frente contra a que reconhece um conteúdo positivo nessa análise, que dará unha descripçón do “ser-aí” como figura existencial ou, em xeral, antropolóxica, desde o momento em que se reinterpreta o “ser-aí” sob o significado do “homem”. Esta última recepçón, que coincide, “grosso modo”, com a versón existencialista de Heidegger e também com aquelas que viram na obra outra forma de entender a questón do suxeito moderno – o “ser-aí” face à consciência -, non tem em conta que o seu conteúdo, a análise existencial, constituía apenas o tema das duas primeiras secçóns, mas sobretudo esquece que tal tratamento analítico se encontrava exclusivamente ao serviço do propósito explícito da ontoloxia fundamental, que era a pergunta polo sentido do ser em xeral, em cuxa elaboraçón a própria análise existencial constituía unha peça decisiva, mas non exclusiva. Naturalmente, e esse é o ponto de partida dessa leitura, isso non é impedimento para que a descripçón analítica do “ser-aí”, elaborada na obra, sexa de tal magnitude que supere largamente algunhas das tentativas mais lúcidas da antropoloxia ou da psicoloxia (ou até da socioloxia) filosóficas. O êxito de Heidegger no cenário do existencialismo francês, bem como na obra de muitos dos seus ouvintes e leitores do seu tempo, como Herbert Marcuse, Hannah Arendt ou Emmanuel Lévinas, teve a ver sobretudo com o eco que despertaram os resultados da analítica, que forom lidos à luz de unha reinterpretaçón do papel histórico da subxectividade. definitivamente entendida a partir da sua constituiçón fáctica e moral. No entanto, segundo o proxecto e também a articulaçón das três secçóns da primeira parte, a questón tem de ser lida a partir de outro prisma. O curso da investigaçón dessa primeira parte decorria segundo três passos; no “primeiro”, leva-se a cabo unha análise preparatória do “ser-aí”, mas só como passo prévio para o “segundo”, cuxo obxectivo é ganhar unha determinaçón do “sentido” do próprio “ser-aí”, a partir da qual se alcançaria o “terceiro”, obxectivo derradeiro da investigaçón: a determinaçón do sentido do ser em xeral. A obra, como xá se dixo, foi interrompida ao chegar ao final do segundo passo, ficando sem redixir o último. Unha leitura adequada teria, contudo, de ter em consideraçón particularmente dous aspectos: a) a necessidade interna desse terceiro passo ausente no desenvolvimento dos dous anteriores, e b) a relaçón interna das duas secçóns da parte escripta, que transcende o carácter de mera sucessón de unha publicaçón; se, na primeira secçón (vexa-se o capítulo “A análise existencial”, pág. 53), descreve-se o comportamento ou modo desse manifestar quotidiano de um ente, o “ser-aí”, sem se perguntar o que quer que sexa sobre o seu sentido, a segunda secçón (vexa-se o capítulo “A morte e o sentido”, pág. 59) constitui apenas unha reiteraçón dos resultados da primeira, mas à luz do “sentido” obtido da “temporalidade” a partir da morte. Sem considerar esta relaçón, que non é de sucessón discursiva nem argumentativa, mas, sim, estructural, perde-se a intençón da obra, que non residia apenas nunha mera análise do “ser-aí” para elevá-lo, a posteriori, a figura ontolóxica ou antropolóxica principal, mas em reconhecer na temporalidade unha interrupçón daquele tempo quotidiano – o próprio do “ser-aí” – no qual nos encontramos sempre de forma subentendida. Assim se cumpriria a intençón que, em xeral, rexe a ontoloxia fundamental desde o início: interromper a ontoloxia xeral, ou sexa, o subentendido que transformou o ser num ente ou, o que é dizer o mesmo, que fez da cousa “o que non é”, algo estranho ao tempo. A terceira secçón da primeira parte, cuxo título é, no proxecto, “Tempo e ser”, era a responsábel por este último desvelamento: reconhecer no tempo o sentido do ser em xeral, ou sexa, reconhecer que a constituiçón ontolóxica, non xá do “ser-aí”, como se avança no trecho escripto da obra, mas da cousa, é temporal. Assim se podería entender a proposta ou meta inicial, non desenvolvida expressamente na obra filosófica: o sentido do ser é o tempo.

ARTURO LEYTE

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